terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Os critérios jornalísticos da RTP…

J.-M. Nobre-Correia
Média : ingenuamente, estamos sempre à espera que o serviço público nos proponha um telejornal com um pouco de qualidade. Com a morte do João Varela Gomes, ela ilustrou uma vez mais a sua mediocridade…
Viram no telejornal das 20h00 da RTP 1 de terça-feira 27 de fevereiro, o tempo consagrado à morte de João Varela Gomes (militar que foi um ator da história da resistência ao salazarismo e da construção do Portugal do após 25 de Abril) e a forma de tratamento adotada para esta sequência ?
E logo imediatamente a seguir, viram também o tempo consagrado à vitória do Sporting sobre o Moreirense e forma como foi tratada esta sequência, com a inevitável entrevista do omnipresente quotidiano treinador do dito clube ?
Assim vai esta lamentável televisão dita de "serviço público". E assim vai tristemente o lamentável jornalismo televisivo praticado em Portugal…
É esta a tristeza da "informação" que é proposta diariamente aos cidadãos portugueses…
Vamos mais longe : não se trata aqui de estar ou de não estar de acordo com as posições assumidas por João Varela Gomes ao longo da sua vida. Trata-se muito simplesmente de dar a devida importância a um tema de atualidade e mais concretamente a um personagem que marcou a história contemporânea portuguesa.
Ora, uma redação a sério, uma redação que se preza, é uma redação que procura saber o que se passa em redor. Que sabe assim que João Varela Gomes tinha a idade que tinha. Que sabe que ele, provavelmente, já não se encontraria na melhor forma física. E que, em consequência disto, tem uma ou mais sequências devidamente preparadas "no frigorífico" para sair na devida altura e completar com um ou outro aspeto mais de atualidade…
Mas para isso são precisos jornalistas, uma redação, um chefe de redação, um diretor da informação que façam jornalismo a sério. Que saibam o que quer dizer seleção e hierarquização dos factos de atualidade, mas também perspetivação, análise e eventualmente comentário sobre os factos da atualidade. O que não é manifestamente o caso nesta grande casa (…em termos de tamanho, evidentemente) chamada RTP, que é, ao que parece, a radiotelevisão de serviço público em Portugal : pobre país !…

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