Do desdém à breve lisonja

J.-M. Nobre-Correia Política : Entre duas campanhas eleitorais, o cidadão é cuidadosamente mantido à distância da res publica . Depois, durante breves dias, parece quererem dar-lhe atenção, porque precisam do seu voto… O mesmo acontece noutros países europeus, diga-se desde já. Mas os políticos não parece darem-se conta do que isso tudo tem de artificial, deixando um rasto de encenação falsa aos olhos dos cidadãos. Começam por pôr cartazes, mais ou menos gigantescos e um pouco por todo o lado (segundo as posses financeiras dos candidatos), poucas semanas antes das eleições. Cartazes em que a mensagem central é a foto deles próprios, acrescentando uma breve divisa (um slogan) quantas vezes vazia de conteúdo real. Depois, já em plena campanha eleitoral, põem-se a meter nas caixas do correio uns desdobráveis em que se atribuem amiúde estatutos socioprofissionais espantosos e avançam propostas de ação mirabolantes e até irrealistas. Organizam depois uma reuniõezitas à pressa em...