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As outras "baixas densidades"

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J.-M. Nobre-Correia Os poderes locais vivem numa quase impunidade, irregularidades e ilegalidades sendo moeda corrente… Ser imperial e centralista é a tendência natural de Lisboa : os últimos séculos provam-no sobejamente. Foi-o em relação aos territórios de além-mar. E continua a sê-lo em relação ao Portugal “do interior”, para além do território que considera ser a sua inevitável área de expansão. Com o regresso da democracia, a situação não mudou de maneira claramente percetível. E os projetos atuais de descentralização municipalista, sem criação de regiões, acentuarão ainda mais a situação dos pequenos potentados locais que se comportam como reizinhos da terra. A verdade é que a desgraça económica, social, cultural e demográfica em que se encontram as regiões de “baixa densidade” não são só fruto da tendência imperial e centralista de Lisboa. A situação convém perfeitamente a notáveis locais que vivem assim em grande impunidade no que diz respeito ao Estado de direito, às ...

Interrogações e incertezas várias

J.-M. Nobre-Correia Média : Uma primeira operação foi concretizada. Mas as negociações para a venda do Jornal do Fundão  parece terem encalhado num impasse… Na série de textos aqui publicados sobre o futuro do  Jornal do Fundão [ 1 ] , houve um elemento que não foi frisado e que o deveria ter sido. Aquele que consistia em dizer que a operação de compra-venda da empresa editora deveria operar-se em dois tempos. Num primeiro tempo era a Global Média, acionista maioritário que tomaria o controle das ações detidas pelas filhas de António Paulouro. E só num segundo tempo é que a Global Média procuraria vender a totalidade ou a maioria da sua participação aos potenciais candidatos. Ficando no entanto a porta aberta a outros possíveis compradores, caso não houvesse finalmente entendimento com os atuais. Entretanto foi publicado o anunciado texto na primeira página do  Jornal do Fundão  (“Fim de ciclo”) assinado pelas irmãs Maria Teresa e Maria José Paulouro, e pelo p...

Fim de um longo capítulo

J.-M. Nobre-Correia Média :  O texto aqui publicado ontem suscitou grande curiosidade (confirmada pelo número de páginas vistas). Acrescentemos-lhe então duas informações complementares sobre a atualidade vindoira do  Jornal do Fundão . A primeira : no número da próxima quinta-feira, o  Jornal do Fundão  publicará um texto de Maria Teresa e Maria José Paulouro (filhas de António Paulouro, fundador e primeiro diretor do semanário), assim como de Fernando Paulouro Neves (sobrinho de António Paulouro e seu sucessor como diretor), explicando a saída da família da empresa editora do jornal. A segunda : os novos proprietários do  Jornal do Fundão  serão obrigados a deixar as instalações atuais situadas na rua …Jornal do Fundão ( ! ) o mais tardar dentro de dois meses, sendo o edifício propriedade das irmãs Maria Teresa e Maria José Paulouro. Um edifício da varanda do qual o presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira, em visita, saudou o povo do...

Do hermetismo à transparência

J.-M. Nobre-Correia Média : A mudança de propriedade do  Jornal do Fundão  que vai ser anunciada parece tomar aspetos de  matriosca  russa : a boneca mostrada ao público esconderá talvez outra que não convém ser vista… Uma antiga redatora do  Jornal do Fundão  retoma no  Facebook  o editorial do diretor interino do semanário na sua última edição. O que leva o leitor negligente a ter que ler o dito editorial, o que não é nada hábito, dado o estilo pouquíssimo jornalístico da dita prosa. E a peça da página 2 do jornal de ontem prova uma vez mais o hermetismo de uma escrita para iniciados, quando é a limpidez que deve ser caraterística do jornalismo. Claramente, o dito editorial (intitulado enigmaticamente “Só nós ou também os outros ?”) deixa antever o próximo anúncio da mudança de propriedade do  Jornal do Fundão [ 1 ] . É sabido já há algum tempo que as filhas do falecido António Paulouro, fundador e primeiro diretor do  Jornal do...

O respeitinho é muito bonito !

J.-M. Nobre-Correia Fundão : Quando os leitores de um blogue são particularmente   numerosos, abstendo-se no entanto cuidadosamente de assinalar uma presença e de manifestar uma opinião… Dentro de precisamente um mês, este blogue fará quatro anos. E até agora, o texto que teve mais sucesso foi um sobre a noção de censura (“Uma indesejável confusão”). Só que este texto foi publicado em 30 de julho de 2015 e já foi retomado no Facebook por ocasião do primeiro e do segundo aniversários da sua publicação, multiplicando por conseguinte as consultas. E trata-se de um texto que interessou certamente estudantes e professores de jornalismo, o que explica o seu sucesso. Porém, logo a seguir, em vias mesmo de ultrapassá-lo, vem o texto sobre o Jornal do Fundão (“Em fase de grandes manobras” [ 1 ] ) publicado há apenas três semanas, em 14 de março. E o texto publicado anteontem (“Esta terra merece melhor…”), em   3 de abril, aproxima-se a passos largos dos dois textos evocados. ...

Esta terra merece melhor…

J.-M. Nobre-Correia Fundão : Quando incompetência e ilegalidades têm transformado a cidade numa mostra de ruínas e de atentados aos mais elementares princípios da estética arquitetónica e urbanística… Tão longe quanto a memória permite ir, sempre correu água no Chafariz das Oito Bicas. De duas, de três ou de quatro bicas, mas nunca das oito ao mesmo tempo, é certo. Mas agora a grande novidade é que o Chafariz das Oito Bicas está seco, totalmente seco ! E isto depois das obras que, felizmente, graças à intervenção crítica de cidadãos, não caíram no ridículo arquitetónico e urbanismo desenhado por “especialistas” camarários. Os mesmos, ao que parece, que se esqueceram de estudar previamente a questão das condutas de água que abastecem o chafariz ! Que o mais emblemático chafariz público do Fundão esteja a seco é tragicamente significativo do descalabro urbanístico e arquitetónico em que se encontra esta terra. É verdade que isso não data de agora. E até talvez se possa dizer que...

Em fase de grandes manobras…

J.-M. Nobre-Correia Média : a Global Média decidiu separar-se do Jornal do Fundão . Personagens mais ou menos encobertos agitam-se há já algum tempo nos bastidores, perante a espantosa indiferença de quem não deveria sê-lo… O texto sobre o Jornal do Fundão aqui publicado há duas semanas [ 1 ] , estava escrito em termos tão feutrés , tão feutrés (como diriam os francófonos) que pareceu de facto hermético para boa parte dos leitores. Ou, pelo menos, muitos não perceberam o que estava por detrás da análise proposta. Vamos então mais longe… Como seria de esperar desde que o Jornal do Fundão passou a fazer parte de grupos de média nacionais que não tinham qualquer outra atividade na imprensa regional que se antevia um desfecho assim, uma inevitável separação. Até porque a informação regional nunca fez parte do “coração do negócio” desses grupos (Lusomundo, Portugal Telecom, Controlinveste e Global Média), sendo o Jornal de Notícias de facto um “diário nacional” publicado na segu...

Em vésperas de vida nova…

J.-M. Nobre-Correia Média : ano após ano, o Jornal do Fundão tem vindo irremediavelmente a perder vendas. Há pois que esperar que no dealbar de nova etapa possa voltar a afirmar-se como ator de primeira linha… Os números que acabam de ser publicados pela APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação) mostram que as coisas não estão a correr lá muito bem ao Jornal do Fundão . É verdade que a situação da imprensa em papel é bastante negativa um pouco por toda a Europa. E que o é particularmente em Portugal, onde há diários, por exemplo, que com as vendas que têm já teriam desaparecido há muito em países onde a imprensa não está prioritariamente ao serviço de interesses exteriores ao mundo da informação. Em janeiro-dezembro de 2017, o Jornal do Fundão teve em média uma “circulação impressa paga” de 7 586 exemplares, quando em idêntico período do ano anterior ainda tinha 8 006. O que significa uma perda de 420 exemplares. Só que, há dez anos atrás, a “circul...

Dos pequenos potentados locais…

J.-M. Nobre-Correia Política : Consideram-se donos-disto-tudo e acham que podem viver em total impunidade, praticando à ligeira uma singular arbitrariedade sem deverem prestar contas a ninguém… Viver no Portugal “do interior” é de certo modo uma punição. É viver num país de segunda ou mesmo de terceira ordem. Longe dos grandes estabelecimentos públicos e privados de assistência médica do Porto, de Coimbra ou de Lisboa. Longe das escolas secundárias, superiores e universitárias de prestígio da faixa litoral Norte-Centro. Longe da generosa oferta em matéria de cultura e de lazeres largamente centrada em Lisboa. Viver no Portugal “de baixa densidade” é pois sentir-se marginalizado. É ver-se automaticamente considerado pelas gentes do Portugal “de alta densidade” (ou da anti-“baixa densidade”) como cidadãos de segunda categoria. Como indivíduos que pouco ou nada contam nas decisões sobre os destinos do país (e as vagas de incêndios do verão e do outono passados puseram em evidência...

Era uma vez o 'Jornal do Fundão'…

J.-M. Nobre-Correia Média : Quando um semanário de tradição republicana se põe repetidamente a “cobrir” factos de nula importância referentes a um regente agrícola que pretende ser “herdeiro da coroa portuguesa” (sic)… Setenta e dois anos depois, a história do Jornal do Fundão está ainda por escrever. Esperando que, se algum dia o vier a ser, o seja por alguém competente em matéria de história e de imprensa. E, esperemos, que o seja então de maneira multifacetada, à imagem daquilo que foi a história do jornal. E não, de preferência, de maneira unidimensional como tem sido o caso desde há largos anos, por conveniência (no caso de conhecedores no Fundão e arredores) ou por ignorância (daqueles que pensam tudo saber, sobretudo dos lados de Lisboa). Mas se há uma caraterística que parece ter atravessado a história do Jornal do Fundão (salvo análise mais aprofundada sobre o assunto) é o do seu republicanismo. Ora, eis o Jornal do Fundão em três números recentes a cobrir visitas d...