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Uma prece ao novo Presidente

  J.-M. Nobre-Correia Anuncia-se um novo quinquénio constitucional. Esperemos que o seja também em termos de práticas de comunicação e de informação…  B oa parte dos portugueses, nomeadamente aqueles que tiveram a ocasião de viver noutros países  da União Europeia  e de ver a discrição como se comportam por lá os chefes de Estado   (presidentes ou monarcas) , ficaram fartos   do personagem egocêntrico exibicionista cujo mandato em Belém chega agora ao fim. Fartos deste personagem que mobilizava quase diariamente os média e que tudo fazia para que assim fosse, fazendo declarações sem conta a propósito de tudo e de nada. Declarações quantas vezes desprovidas da pertinência e da consistência que se espera de um chefe de Estado. E  tantas  vezes sobre matérias que não eram da sua competência   em termos constitucionais como de conhecimentos específicos . É verdade que ,  aquele cujo mandato chega por estes dias ao fim ,  tudo fazia para...

O plano de urgência que se impõe

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J.-M. Nobre-Correia Fala-se muito do futuro do grupo proprietário do  Diário de Notícias  e do próprio jornal, quando as razões para os salvar são por demais evidentes… Iremos nós ficar ainda mais pobres? É que a paisagem da imprensa de informação geral em Portugal é já singularmente mísera. Sobretudo a da imprensa diária. Com a área e a demografia que são as suas, Portugal conta inacreditavelmente menos diários generalistas do que países europeus até mais pequenos como a Bélgica, a Suíça, a Áustria, por exemplo. Ora os dois primeiros contam populações de diferentes línguas. E, se excetuarmos o romanche suíço ultraminoritário, nenhum deles dispõe de língua própria, recorrendo à(s) de países limítrofes. Pelo que o potencial de difusão da imprensa nas diversas regiões linguísticas é limitado. Não impede que neles haja diários com por vezes centenas de milhares de exemplares de difusão paga, apesar de os seus cidadãos poderem preferir ler os dos grandes vizinhos e não os do própr...

Três princípios essenciais

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J.-M. Nobre-Correia Planeta Média : Durante quase sete anos, esta rubrica procurou observar o que se passava nos média europeus e praticar a crónica segundo os critérios europeus na matéria… Tudo tem um princípio. E, ao que parece, tudo tem necessariamente um fim. O que é certo, em todo o caso, é que esta é a última rubrica “Planeta Média”. Após quase sete anos e mais exatamente 320 semanas. Pontualmente, aos sábados, sem exceção alguma, a não ser as quatro semanas de férias de verão previstas por contrato. E pontualmente com os dois mil carateres da crónica e os mil partilhados em três breves, apertadamente impostos pela direção precedente do Diário de Notícias . Três grandes princípios nortearam a conceção da rubrica. Em primeiro lugar, uma abordagem dos média e do jornalismo numa perspetiva europeia, procurando escapar ao “provincianismo” nacional. Abordagem autorizada por mais de 45 anos de vida no centro da Europa e mais precisamente na “capital” da União Euro...

As inesperadas surpresas

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J.-M. Nobre-Correia Edições digitais : Há uns dez anos, estava assente que os jornais em papel iriam desaparecer. Só que a tecnologia deu uma nova juventude às antigas marcas fortes… A revolução dos médias está a desenrolar-se sob os nossos olhos. Tomando contornos inesperados. Sem que os cidadãos tenham verdadeiramente consciência do que se está a passar. E sem que os editores se apercebam sempre das especificidades desses contornos e tomem as necessárias disposições para afrontarem a nova situação. Assim, no início dos anos 2000, os diários impressos pareciam condenados. As vendas baixavam aceleradamente. E as camadas jovens arredavam-se estrondosamente da leitura dos jornais em papel. O “leitorado” não se renovava e era cada vez mais constituído por gente de idade madura, dotada, é certo, de um nível de instrução e de um poder de compra geralmente elevados. Enquanto que os jovens liam sobretudo jornais gratuitos. Ora, nos fins da primeira década de 2000, assis...

Os riscos de uma ilusão

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J.-M. Nobre-Correia GMCS – CCDR : O governo toma decisões que, à primeira vista, poderão parecer positivas. Mas, na realidade, trata-se de pura aparência. E a “captura política” será ainda mais acentuada… O Gabinete para os Meios de Comunicação Social vai desaparecer : boa decisão, provavelmente. Teria o GMCS uma produção interessante e uma atividade eficiente para justificar uma equipa de umas 30 pessoas ? Que se saiba, não. Liquide-se pois o que é de uma utilidade duvidosa, em todo o caso residual, quando a ERC já tinha sido criada em 2005. As competências em matéria de atribuição dos incentivos aos média regionais e locais passarão para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais. E ministro e secretário de Estado aproveitam a ocasião para fazer belos discursos. Sobre a eliminação do “risco de captura política” que o GMCS representava. A indispensável garantia de “independência, coerência e transparência dos apoios”. A necessária “descentralização da...

Revolução e vassalização

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J.-M. Nobre-Correia Netflix : De média que reunia vastos públicos e contribuía para uma certa coesão social, a televisão passa a ser um sério fator de fragmentação… Estes primeiros anos do terceiro milenário ficarão na história como os de uma gigantesca revolução no sector do média. Os de uma imprensa diária gratuita que desabrochou, floriu e largamente murchou em poucos anos. De jornais a pagamento que perderam vertiginosamente compradores nas edições em papel e alargaram consideravelmente as audiências nas edições digitais. De uma rádio cujos suportes de difusão e condições de escuta mudaram profundamente. E de uma televisão que está a dar passos largos na transformação radical da sua própria sociologia. Esta semana, precisamente, o início de atividade de Netflix em seis novos países europeus marca uma etapa importante na paisagem audiovisual. Empresa estado-unidense que, em 1997, expedia DVDs aos assinantes e que passou a pô-los à disposição em fluxo contínuo ...