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Conceber uma ambição para a Lusa

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Portugal não pode contentar-se em dispor de uma agência de informação tão limitada no seu perímetro de ação…   J.-M. Nobre-Correia No último dia de julho, o Estado compra participações de acionistas privados na agência  Lusa  e passa a deter 95,86% do seu capital. Notícia que cai na indiferença geral de um país em férias. E até mesmo numa relativa distração dos média, quando  Lusa  dispõe em Portugal de um estatuto de monopólio de facto como agência de informação geral. Quando em boa parte dos países vizinhos, a grande agência nacional de informação conta com uma ou mais concorrentes que lhe disputam clientes, propondo abordagens diferentes da atualidade. Que esta alteração de fundo não tenha “provocado ondas”, traduz bem a inconsistência de um meio político que, na sua maioria, prefere média canalizadores de comunicação oficiosa e não vigilantes atentos e críticos da atualidade. Mas é também o reflexo de um panorama mediático nacional particularmente pobre. Com...

Cegueira e imobilismo

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J.-M. Nobre-Correia Média :  No caso da ERC, a atitude dos partidos (do governo, da maioria parlamentar e da oposição) é perfeitamente confrangedora… Para quem fez toda a carreira profissional no estrangeiro e viveu toda a vida de adulto lá fora (com um regresso recente ao país) há em Portugal coisas de espantar. Assim a apatia mais ou menos geral da sociedade civil a acontecimentos e decisões que marcarão o destino dos portugueses. Ou a indiferença com que os partidos políticos preferem fazer que não veem flagrantes anomalias no funcionamento da democracia… Mesmo quando a arquitetura parlamentar e governamental muda de maneira marcante, nada de substancial muda em certas matérias. É o caso da paisagem mediática : Portugal tem a imprensa mais frágil de toda a Europa ocidental. Tanto no que diz respeito ao reduzido número de diários e semanários de informação geral como às tiragens diminutas destes. E no entanto, neste “tempo novo” da vida política, nada, absolut...

Le 'coup' du 13 décembre / A disneylandização triunfante

J.-M. Nobre-Correia Médias : Voici dix ans, le 13 décembre 2006, la télévision publique belge francophone interrompait soudainement ses émissions pour faire une annonce qui est restée dans les annales… J’ai publié à l’époque un texte dans le quotidien de Bruxelles Le Soir du 21 décembre 2006. Et un mois et demi plus tard, une version quelque peu adaptée en portugais dans l’hebdomadaire de Lisbonne Expresso , du 9 février 2007. Deux textes qui gardent à mes yeux toute leur actualité : les voici… ••••• J.-M. Nobre-Correia Médiologue, professeur en information et communication à l’ULB Le « coup » du 13 décembre Pour un coup, ce fut un coup : tous les quotidiens, radios et télévisions en ont parlé. Et pas que les belges : les grands médias européens l’ont aussi évoqué. Si la RTBF était une entreprise de communication événementielle, il faudrait l’en féliciter chaleureusement. Même si son opération n’a pas spécialement brillé par l’originalit...

Ousar estratégias que se impõem…

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J.-M. Nobre-Correia Para o mediólogo, professor emérito da Université Libre de Bruxelles, há que dar à agência Lusa uma nova e desejável ambição Depois ter vivido quatro anos em Lisboa, onde casou, Charles-Louis Havas, regressou a França e anos depois, em 1835, fundou a primeira agência de informação da história : a atual Agence France Presse . Outras apareceram depois ao longo do século XIX na Europa e nos Estados Unidos. E hoje a grande maioria dos países dispõem no mínimo de uma agência nacional. O universo das agências de informação é extremamente diversificado : entre a agência mundial e a local, entre a de informação geral e a especializada, entre a plurimédia e a monomédia. No caso das agências nacionais de informação geral, há países demograficamente comparáveis que fazem opções diferentes : o caso de Belga que, com apenas 100 jornalistas, produz um serviço em francês e outro em neerlandês, e não conta nenhuma delegação no estrangeiro ; e o caso de Lusa , com 280 jor...