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Antes que o futuro nos sufoque…

  J.-M. Nobre-Correia Lentamente, a paisagem mediática portuguesa vai-se transformando num preocupante deserto em termos de informação jornalística. Há que reagir!… Um verdadeiro tsunami varreu o mundo dos média desde os anos 1960. Primeiro com as rádios e televisões livres. Depois com as redes de cabo e os satélites geoestacionários. E em seguida com a internet e a tecnologia digital. Pelo que a paisagem mediática atual pouco se assemelha à circunscrita paisagem de então. Enquanto a informação jornalística se foi afogando num vasto oceano de informações nada jornalísticas. Quando a informação jornalística constitui um pilar essencial da democracia parlamentar. Urge pois conceber uma nova paisagem mediática de informação e uma nova prática da informação jornalística. Até porque de pouco servirá querer manter em vida o que vai penosa e irreversivelmente soçobrando. Ora, o Portugal mediático e jornalístico é historicamente caracterizado por evidentes deficiências. A paisagem mediátic...

Uma identidade forte renovada

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  J.-M. Nobre-Correia Uma Amiga propõe ir ao Convento de São Francisco, em Coimbra, a um espetáculo de “Canções do nosso tempo”. Tratava-se de facto, segundo o programa, do “XX Mês do fado”. E nós ficámos inocentemente à espera de uma sessão com boa parte daqueles clássicos fados de Coimbra que fazem parte do repertório musical nacional de cada um de nós… Nada disso! Demos com uma série de jovens estudantes compositores, instrumentistas (guitarristas, violistas e até um cavaquista) e cantores, em muitas interpretações inéditas de grande qualidade. Com uma novidade em relação àquilo que era a tradição: diversas raparigas cantoras punham assim em questão o machismo que lamentavelmente dominava a história do fado de Coimbra. Na “antiga capela” do Convento, onde se encontravam umas trezentas pessoas entusiastas, redescobri assim que o fado faz realmente parte da história e da identidade cultural de Coimbra e da sua antiquíssima universidade. E dei comigo a regozijar-me que esta identid...

Uma prece ao novo Presidente

  J.-M. Nobre-Correia Anuncia-se um novo quinquénio constitucional. Esperemos que o seja também em termos de práticas de comunicação e de informação…  B oa parte dos portugueses, nomeadamente aqueles que tiveram a ocasião de viver noutros países  da União Europeia  e de ver a discrição como se comportam por lá os chefes de Estado   (presidentes ou monarcas) , ficaram fartos   do personagem egocêntrico exibicionista cujo mandato em Belém chega agora ao fim. Fartos deste personagem que mobilizava quase diariamente os média e que tudo fazia para que assim fosse, fazendo declarações sem conta a propósito de tudo e de nada. Declarações quantas vezes desprovidas da pertinência e da consistência que se espera de um chefe de Estado. E  tantas  vezes sobre matérias que não eram da sua competência   em termos constitucionais como de conhecimentos específicos . É verdade que ,  aquele cujo mandato chega por estes dias ao fim ,  tudo fazia para...

Um dilema perfeitamente límpido

  J.-M. Nobre-Correia Assumir responsabilidades perante eleições que se aproximam num contexto singularmente sombrio… A situação não tem nada de original. Um pouco por toda a parte, nos países da União Europeia, é a mesma correria: partidos ultraminoritários consideram não ter suficientemente eco nos média dominantes e que é por isso que não têm mais militantes, simpatizantes e votantes. Pelo que as campanhas eleitorais são uma boa ocasião para poderem fazer chegar as posições desses partidos a largas audiências, usufruindo de legislações que garantem o pluralismo ou mais simplesmente de práticas jornalísticas habituais nesta matéria. Os ditos partidos minoritários apresentam assim candidatos a todos os níveis de poder: local, legislativo, presidencial. Tendo raramente a ilusão de, com as eleições, conseguirem sair das suas posições minoritárias. Com a agravante que, durante as campanhas eleitorais, põem boa parte das vezes em evidência mais os conflitos entre componentes da área d...

Opções de uma singularidade

J.-M. Nobre-Correia De súbito, ao romper da aurora, descobre-se no Facebook uma curta mensagem que parecia incompreensível. Depois, muito rapidamente, muitas outras se foram sucedendo e espevitando as réstias de sono. Era então verdade: o Fernando Paulouro Neves tinha falecido! De improviso. Brutalmente. Quando ainda na véspera apresentava a sua última criação literária… Lendo os imensos textinhos que foram aparecendo depois ao longo do dia, experimenta-se o sentimento de que tudo foi dito e redito. Que mais nada se poderá acrescentar de realmente novo. Mesmo se, com os nossos seis meses de diferença de idade, eu até poderia recordar os anos de juventude passados juntos na redação do jornal do seu tio António Paulouro. Porém, a grande maioria dos anos em que Fernando Paulouro Neves assumiu responsabilidades de chefe de redação e de direção do  Jornal do Fundão , vivi-os à distância. Longe do Fundão. Noutro país e, de certo modo, numa área conexa. E é desta área conexa que quero aqu...

Dos termos e das noções

J.-M. Nobre-Correia Nos meus escritos (textos de imprensa grande público, artigos académicos ou livros), sempre tive a preocupação de não recorrer a chavões de natureza política. E isto quando existem termos específicos que caraterizam mais concretamente uma situação ou um personagem. Por isso preferi sempre  salazarismo  ou  franquismo  a  fascismo , até porque cada um destes termos correspondente de facto a situações históricas, socioculturais e políticas particulares, específicas, não diretamente assimiláveis ao fascismo italiano. É no entanto verdade que, se procurarmos um termo genérico para globalizar estes diferentes regimes na Europa e até no mundo, é o termo  fascismo  que permite esta inclusão de todos nas suas variantes. A singularidade do  nazismo  nos anos 1930-40 fez que tal terminologia seja praticamente reservada ao regime nascido na Alemanha. E raramente seja utilizado para, desde então, definir outras situações políticas. Si...

Da nova razão de ser

Nestes tempos de internet, a informação parece cair do céu como maná. Terá um periódico regional ainda espaço próprio para se afirmar?… Na era da internet e da chamada globalização, terá ainda sentido publicar um semanário regional? Quando hoje em dia, desde os anos 1970-80, com a desmonopolização do audiovisual, temos rádios e televisões de informação que funcionam 24 horas por dia, durante sete dias da semana? E agora que a internet, no dealbar do novo milénio, permitiu o lançamento de um sem número de rádios e de televisões regionais e locais, para não falar já de blogues e demais podcasts?… Não confundamos tudo e procuremos distinguir situações fruto de momentos diferentes da História. Antes da informação escrita impressa, os homens (…e as mulheres, claro está!) eram sobretudo informados oralmente. Depois, quando um célebre Gutenberg inventou em meados do século XV os carateres móveis e o prelo para compor e imprimir textos (a não ser que tenha sido antes Coster ou Waldvogel, e que...