Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Jornal do Fundão

Opções de uma singularidade

J.-M. Nobre-Correia De súbito, ao romper da aurora, descobre-se no Facebook uma curta mensagem que parecia incompreensível. Depois, muito rapidamente, muitas outras se foram sucedendo e espevitando as réstias de sono. Era então verdade: o Fernando Paulouro Neves tinha falecido! De improviso. Brutalmente. Quando ainda na véspera apresentava a sua última criação literária… Lendo os imensos textinhos que foram aparecendo depois ao longo do dia, experimenta-se o sentimento de que tudo foi dito e redito. Que mais nada se poderá acrescentar de realmente novo. Mesmo se, com os nossos seis meses de diferença de idade, eu até poderia recordar os anos de juventude passados juntos na redação do jornal do seu tio António Paulouro. Porém, a grande maioria dos anos em que Fernando Paulouro Neves assumiu responsabilidades de chefe de redação e de direção do  Jornal do Fundão , vivi-os à distância. Longe do Fundão. Noutro país e, de certo modo, numa área conexa. E é desta área conexa que quero aqu...

Os discretos talentos de um homem

Imagem
nova versão ligeiramente ampliada J.-M. Nobre-Correia Na brutalidade clássica das chamadas redes sociais, surge a notícia: faleceu o Diamantino Gonçalves! Assim: de maneira totalmente imprevisível, como só a Morte tem a ousadia e a cobardia de fazer. Quando até ainda há poucos dias o sereno sorriso (quase) permanente do Diamantino iluminava sempre os nossos encontros programados ou imprevistos… Diamantino Gonçalves era um ser magnífico. Um apaixonado pela história local que o levava muito longe, bem para lá dos contornos naturais da Cova da Beira. Uma história sobre a qual pesquisava, dando-nos a conhecer documentos particularmente originais e de manifesto interesse, fazendo-nos descobrir lugares, personagens e momentos singulares. Mas era também e sobretudo um brilhante fotógrafo, pelos temas, os enquadramentos e a luminosidade que tinha o talento de escolher na sua captação das imagens, quantas vezes, de uma formidável e delicada beleza… Diamantino Gonçalves era também um homem de co...

Para não esquecer a História

Imagem
J.-M. Nobre-Correia Quando se volta ao Fundão, muitos anos depois, uma característica surpreende : a ausência de História. Ou melhor : a ausência de referências à sua história. As placas com os nomes das ruas não explicitam nada. E poucos saberão explicar quem era o ilustre personagem que deu nome a tal ou tal rua. Pior que isso : os monumentos ligados à sua história são perfeitamente inexistentes. Houve, é certo, essa iniciativa que fez de Martim Calvo o “povoador” do Fundão : estranha iniciativa e ainda mais estranho monumento que já teve de mudar de lugar e se encontra agora num sítio perdido. E está anunciada uma estátua de António Paulouro na Praça Velha, merecida homenagem a um homem que marcou a história do Fundão da segunda metade do século XX. A leitura tardia da obra da prof. Maria Antonieta Garcia, Inquisição e independência, um motim no Fundão – 1580 *, leva a considerar que é absolutamente inacreditável que a cidade não preste homenagem ao personagem c...