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Entrevista no quinzenário "JL Jornal de Letras"

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J.-M. Nobre-Correia Após  os  seus vários livros sobre  a  informação  e a comunicação  na Europa, o que o levou a escrever este  Média e jornalismo em Portugal  e como o situa em relação às sua s  obras anteriores? Sem falar dos meus livros em francês, os meus quatro precedentes livros em português tinham antes do mais um caráter académico. Este quinto livro é sobretudo uma abordagem da situação dos média e da prática jornalística em Portugal pelo cidadão estrangeirado por mais de 45 anos de residência em Bruxelas e retornado ao país de origem. Um regresso que me tem deixado perplexo perante a pobreza da paisagem mediática portuguesa e as caraterísticas bastante insatisfatórias do jornalismo que por cá se pratica. Este novo livro é pois uma espécie de diagnóstico crítico da situação em Portugal, partindo nomeadamente do que escrevi sobretudo nas minhas  História dos média na Europa  e  Teoria da informação jornalística , edita...

O outro pilar da repressão

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J.-M. Nobre-Correia * Como a Pide, a Censura zelava pela imagem do salazarismo e pelo cariz ordeiro dos portugueses … Há ideias de livros interessantes. E há ideias de reedições que também o são. Só que, depois, lido o livro, descobrem-se lados insatisfatórios da primeira edição. Como se constatam aspetos muitos criticáveis da reedição… Vir a lume em 1979 com um livro sobre a censura era uma ideia interessante e até mesmo essencial. Tanto mais quanto é certo que o dito livro era largamente constituído pela retranscrição de “telegramas telefonados da Comissão de Exame Prévio do Porto” (selecionados entre 5/1/1967 e 24/4/1974) e de “circulares dos Correios e Telecomunicações de Portugal sobre livros e revistas proibidos de circular”. E nada melhor para pôr em evidência o lado autoritário, inacreditável e por vezes até ridículo das decisões que provocavam um verdadeiro sufocamento da prática jornalística durante o salazarismo. Quase quarenta anos depois, reeditar Os Segredos ...

Entrever um futuro mais risonho…

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J.-M. Nobre-Correia * Num livro publicado em fevereiro do ano passado em França e acabado de ser editado em Portugal, Julia Cagé faz uma análise da crise dos média de informação e avança propostas para procurar ultrapassá-la… Comecemos por uma interrogação que espíritos apressados não deixarão de acusar de sexismo : se Julia Cagé não fosse a jovem esposa de Thomas Piketty, o seu Salvar os média teria sido editado em tantas línguas estrangeiras ? É que, pelo menos no que diz respeito às mais próximas (francesa, a original, portuguesa, castelhana, italiana, inglesa), o livro de Cagé e O Capital no século XXI de Piketty, que obteve um enorme e justificado sucesso, são publicados pelos mesmo editores. Pura coincidência ? E será também pura coincidência se Piketty escreve o prefácio (sem dizer, é claro, que a autora é sua esposa) e isto figura na capa do livro ?… É que, para quem acompanha mediamente o universo dos média e sobretudo da imprensa, o livro de Cagé não traz grandes e...

Um projeto que ocultava outro…

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J.-M. Nobre-Correia * Entre maio de 1988 e julho de 1995, sob aparências de um jornal novo e de uma nova conceção do jornalismo, O Independente constituiu de facto e antes do mais uma máquina de guerra para elaborar uma política de direita radical… Desenganem-se os que esperam encontrar neste livro uma abordagem histórica, económica e sociológica de um jornal. De um semanário que fez data nos anais da imprensa nacional durante dezoito anos, ou pelo menos durante parte deles. Um semanário cuja ambição era vender “um exemplar mais” do que o Expresso , seu grande rival. Mas que nunca lá chegou e desapareceu ingloriamente. Até porque O Independente foi mais um instrumento de intervenção política e cultural do que um média com uma marca forte em matéria de jornalismo no sentido próprio da palavra. Nada ou quase nada há de elementos fatuais no livro no que diz respeito à empresa editora do jornal. Apenas uns vagos elementos sobre a preparação do seu lançamento. E mais nada. ...