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Não se enganem de profissão!…

  J.-M. Nobre-Correia Dar diariamente tanto espaço à extremas direitas não é fazer jornalismo, mas sim canalizar os gestos e declarações delas, e servir-lhes de altifalante… Em maio do ano passado, no seguimento das eleições legislativas em Portugal,   Le Soir , o grande diário de referência de Bruxelas e o maior diário da Bélgica francófona, publicou um editorial de primeira página com o título “Au Portugal, l’extrême droite peut dire merci aux médias” (“Em Portugal, a extrema direita pode dizer obrigado aos média”). Uma análise que não era de espantar num país que nunca conheceu a censura desde a sua independência. E num país onde também é há anos naturalmente praticado nos média o chamado “cordão sanitário” em relação à extrema direita. Porque o Estado democrático tem que ser naturalmente defendido. Como tem que ser defendida a liberdade de informar. E a história da Europa nas suas diferentes componentes nacionais mostrou sobejamente que a extrema direita, uma vez no poder,...

Antes que o futuro nos sufoque…

  J.-M. Nobre-Correia Lentamente, a paisagem mediática portuguesa vai-se transformando num preocupante deserto em termos de informação jornalística. Há que reagir!… Um verdadeiro tsunami varreu o mundo dos média desde os anos 1960. Primeiro com as rádios e televisões livres. Depois com as redes de cabo e os satélites geoestacionários. E em seguida com a internet e a tecnologia digital. Pelo que a paisagem mediática atual pouco se assemelha à circunscrita paisagem de então. Enquanto a informação jornalística se foi afogando num vasto oceano de informações nada jornalísticas. Quando a informação jornalística constitui um pilar essencial da democracia parlamentar. Urge pois conceber uma nova paisagem mediática de informação e uma nova prática da informação jornalística. Até porque de pouco servirá querer manter em vida o que vai penosa e irreversivelmente soçobrando. Ora, o Portugal mediático e jornalístico é historicamente caracterizado por evidentes deficiências. A paisagem mediátic...

Uma prece ao novo Presidente

  J.-M. Nobre-Correia Anuncia-se um novo quinquénio constitucional. Esperemos que o seja também em termos de práticas de comunicação e de informação…  B oa parte dos portugueses, nomeadamente aqueles que tiveram a ocasião de viver noutros países  da União Europeia  e de ver a discrição como se comportam por lá os chefes de Estado   (presidentes ou monarcas) , ficaram fartos   do personagem egocêntrico exibicionista cujo mandato em Belém chega agora ao fim. Fartos deste personagem que mobilizava quase diariamente os média e que tudo fazia para que assim fosse, fazendo declarações sem conta a propósito de tudo e de nada. Declarações quantas vezes desprovidas da pertinência e da consistência que se espera de um chefe de Estado. E  tantas  vezes sobre matérias que não eram da sua competência   em termos constitucionais como de conhecimentos específicos . É verdade que ,  aquele cujo mandato chega por estes dias ao fim ,  tudo fazia para...

Opções de uma singularidade

J.-M. Nobre-Correia De súbito, ao romper da aurora, descobre-se no Facebook uma curta mensagem que parecia incompreensível. Depois, muito rapidamente, muitas outras se foram sucedendo e espevitando as réstias de sono. Era então verdade: o Fernando Paulouro Neves tinha falecido! De improviso. Brutalmente. Quando ainda na véspera apresentava a sua última criação literária… Lendo os imensos textinhos que foram aparecendo depois ao longo do dia, experimenta-se o sentimento de que tudo foi dito e redito. Que mais nada se poderá acrescentar de realmente novo. Mesmo se, com os nossos seis meses de diferença de idade, eu até poderia recordar os anos de juventude passados juntos na redação do jornal do seu tio António Paulouro. Porém, a grande maioria dos anos em que Fernando Paulouro Neves assumiu responsabilidades de chefe de redação e de direção do  Jornal do Fundão , vivi-os à distância. Longe do Fundão. Noutro país e, de certo modo, numa área conexa. E é desta área conexa que quero aqu...

Da nova razão de ser

Nestes tempos de internet, a informação parece cair do céu como maná. Terá um periódico regional ainda espaço próprio para se afirmar?… Na era da internet e da chamada globalização, terá ainda sentido publicar um semanário regional? Quando hoje em dia, desde os anos 1970-80, com a desmonopolização do audiovisual, temos rádios e televisões de informação que funcionam 24 horas por dia, durante sete dias da semana? E agora que a internet, no dealbar do novo milénio, permitiu o lançamento de um sem número de rádios e de televisões regionais e locais, para não falar já de blogues e demais podcasts?… Não confundamos tudo e procuremos distinguir situações fruto de momentos diferentes da História. Antes da informação escrita impressa, os homens (…e as mulheres, claro está!) eram sobretudo informados oralmente. Depois, quando um célebre Gutenberg inventou em meados do século XV os carateres móveis e o prelo para compor e imprimir textos (a não ser que tenha sido antes Coster ou Waldvogel, e que...

Habituámo-nos a isto tudo ?…

Da parte de quem instrumentaliza permanentemente os média e a informação, o encontro, o grande abraço e os sorrisos do Golpista Incontinente de Belém com o chefinho facho perante as câmaras da RTP para o telejornal das 20h00, é um verdadeiro escândalo ! Que o tivesse feito com outro líder partidário seria absolutamente intolerável, sobretudo agora em plena campanha eleitoral. Mas esta irresponsabilidade do Golpista Incontinente para com o « duce » caseiro é absolutamente escandalosa e de lesa-Constituição ! Como é que os portugueses se habituaram a isto tudo sem se indignarem ?!…  

Assim vai o país e o mundo

Os meus Leitores já perceberam que os telejornais da RTP obedecem a cinco caraterísticas   principais : • dar a preferência a um tema dominante que possa ocupar pelo menos uns 20-30 minutos do telejornal e melhor até se for mais do que isso, • escolher um tema que possa dar lugar a uma folhetinização durante vários dias, • privilegiar a partidarice política, o futebol e os faits divers, • construir o telejornal à base de declarações deste, daquele e de aqueloutro (chamando depois a isto "reportagens"), • quando se tratar de um tema político, estender o micro e a câmara aos representantes de cada um dos partidos políticos presentes na Assembleia da República (chamando a isto "informação pluralista"). Assim, o que estava atualmente a dar na alta conceção da não mesmo alta direção da informação da RTP Televisão desde segunda-feira de Páscoa era a morte de Jorge Mario Bergoglio (o papa Francisco). E a RTP mandou para Roma nada menos de 9 pessoas, das quais 4 jornalistas...

Uma vez mais a indigência habitual !

Pois é : aqueles "enviados especiais" da RTP a Roma continuam a propor-nos sequências antes do mais de diversão com a indispensável dose de emoção e de futilidades, num todo que sabe enfastiadamente a cozinha requentada. Com imagens repetidas um sem número de vezes, de modo a poderem preencher hoje uns 14 minutos na abertura do chouriço das 20h00… Os pobre franceses, eles, no telejornal das 20h00 (19h00 em Portugal) da France 2, tiveram direito à atualidade vaticana só já a meio da primeira parte do jornal (a segunda parte sendo num estilo magazine, hoje sobre as origens e a história de um ator de cinema), durante apenas exatamente 4 minutos e 50 segundos, com um primeira sequência de 2m30s sobre a atualidade do dia e uma segunda de 2m20s de vaticanologia com um especialista da matéria. Vemos e ouvimos a diferença entre duas televisões públicas. E há que ficar profundamente arrepiado com a indigência jornalística (se assim se pode chamar) da "nossa" RTP 1…  

Jornalismo e diversão

Tenho-me abstido voluntariamente de escrever sobre a maneira como o telejornal da "RTP", estação pública de um Estado laico, tem tratado o falecimento de Jorge Mario Bergoglio (dito Francisco). Hoje porém, deixem-me dizer o seguinte : no telejornal da pública "France 2" o tema só apareceu por volta das 20h18 (19h18 em Portugal) e ocupou 2 minutos. No telejornal da RTP 1 o tema foi uma vez mais a abertura do jornal e ocupou uns 18 minutos, com imensos bordados de futilidades e de nada, absolutamente nada de fundo sobre o personagem e sobre a atualidade e o futuro da Igreja católica. Para encher o chouriço quotidiano, a "RTP" mandou para lá (…para uma agradáveis férias em Roma !) nada menos de três jornalistas que manifestamente nenhuma competência têm em matéria de vaticanologia e de religião. Um trio que grosso modo até poderia dizer o que diz tendo ficado em Lisboa, a partir dos despachos da agências e do que dizem diários, rádios e televisões sobretudo i...

Isto não é jornalismo !…

Criaram-se hábitos em Portugal absolutamente inimaginável noutro país da Europa ocidental : em pleno telejornal das 13h00 da RTP 1 (absolutamente miserável hoje em termos técnicos), o primeiro-ministro decide fazer uma longa declaração de pura propaganda pessoal e partidária. E os chamados jornalistas servem-lhe a sopa fazendo interromper o curso do telejornal e transmitir a declaração em "direto"... Nada, absolutamente nada disto resulta de uma adequada prática jornalística ! Trata-se de simple canalização instrumentalizadora !...  

Há que fazer frente com coragem !

Aquele personagem jornalisticamente detestável que, com os seus tiques de todo género e a sua arte de enviesar politicamente os assuntos, nenhuma televisão local belga ou francesa ousaria pôr como apresentador de telejornal, voltou a poder entrevistar representantes de outros partidos. Prova que o diretor da informação da RTP Televisão não só não manda nada como não tem autoridade nenhuma na sua redação ou pelo menos neste indivíduo. Tentou este há instantes com a coordenadora do Bloco de Esquerda uma operação idêntica à que conduziu com o secretário geral do PCP. Só que aqui, a coordenadora do BE, já prevenida pela experiência de há dias (a que fez aliás referência), fez frente ao detestável indivíduo e ousou pô-lo na ordem : parabéns a ela ! Ficam a saber os futuros entrevistados pelo detestável apresentador que esta é a ÚNICA maneira de proceder com um indivíduo daquele espécie, desprovido da mais elementar deontologia jornalística e dos mais elementares escrúpulos. Há pois que have...

Da entrevista ao interrogatório

Há muitos, muitos anos que eu tenho o apresentador do telejornal de ontem das 20h00 da RTP por um militante de extrema direita. O que não quer dizer que ele seja militante de qualquer organização : não tenho elementos que me permitam afirmá-lo. Mas é incontestavelmente um militante que escolhe numa perspetiva de direita radical os seus temas, a maneira de os abordar, de construir as frases, de escolher os termos que emprega. Isto explica que eu procure evitar os muitas vezes escandalosos telejornais que ele apresenta. E foi o que fiz ontem… Ao ver porém hoje, aqui no Facebook, as numerosíssimas reações à rubrica "2025 eleições legislativas" na segunda parte do telejornal de ontem, senti-me obrigado a ir ao "RTP Play" para ver tal sequência… De facto, aquilo ultrapassa tudo o que poderia ser imaginável com tal indivíduo. Aquilo não foi uma entrevista sobre a temática das futuras eleições legislativas : nem uma só pergunta sobre o assunto foi formulada ! Foi sim um in...

Em suma : um "jornalismo" miserável !…

Até às 20h47, que mediocridade de entrevista (na RTP 1) ! Só tricas !, só tricas !, e nada com fundo, com consistência !… A condução da dita entrevista é de uma aflitiva indigência !… Finalmente, às 21h01, nem uma única pergunta consistente sobre um tema sério. Sem a preocupação de deixar o entrevistado expor o seu ponto de vista, interrompendo-o constantemente… O que apresentador do jornal queria não era de maneira nenhuma informar o espectador, levar os cidadãos a melhor conhecer os assuntos da atualidade. O que ele queria era passar rasteiras ao entrevistado e fazer uma "golpada" que levasse os outros média hoje à noite e amanhã durante dodo o dia a fazer referência à sua "genial golpada" sobre as despesas militares, sobre José Sócrates, sobre o almirante,… Sobre quais seriam os dossiês de fundo a que o governo socialista ou socialista alargado se atacaria em prioridade : nada !… Dito isto, o entrevistado deveria abster-se de tratar uma vez e outra o "entrev...

Mais uma originalidade das "nossas" televisões !

Portugal é decididamente um país formidável, singularmente original !… Assim o primeiro-ministro decide fazer uma "comunicação" ao país na hora do tradicional telejornal. E a dita "comunicação" é transmitida em direto por nada menos de oito canais de televisão públicos e privados ! E, durante quase 20 minutos, o dito primeiro ministro decide falar dele, da família dele, dos negócios da família dele. Mas aproveita para dizer também o que o seu governo tem, segundo ele, feito de bem…   Habitual espectador de programas de informação de televisões europeias desde há 58 anos, não me lembro de alguma "comunicação" decidida soberanamente por um primeiro-ministro para um monólogo sem entrevistador. Mas em Portugal, os média têm práticas espantosamente "originais" !… ADENDA : no telejornal das 20h00 (19h00 em Portugal) da televisão pública "France 2" vi um extrato da entrevista de ontem de Paulo Dentinho com Emmanuel Macron…  

A desejável contribuição do jornalismo português

Terei eu prestado suficientemente atenção ao telejornal de France 2 que acabo de ver em direto ?! É que não vi nada, nada, sobre a vinda do presidente Emmanuel Macron a Lisboa ! Considerou naturalmente a redação de France 2 que nada no acontecimento justificava que fosse evocado no telejornal ! Imaginem o escândalo que seria se o Golpista Incontinente tivesse ido em viagem até um país qualquer e os telejornais portugueses, profundamente respeitadores do fornecedor diário de matéria diversificada, não tivessem tratado longamente de tão importante matéria !!! Têm que se mandar jornalistas portugueses para a televisão pública francesa para lhes ensinar o que é um jornalismo ao serviço dos líderes políticos e das suas sempre importantíssimas declarações sensacionais ! O que explica que haja políticos que passem todos, todos os dias nos telejornais …suscitando a natural exasperação dos cidadãos !…  

Mais de 50 anos depois !…

Que o diário que se quer de referência tenha hoje como manchete de primeira página, seguida de quatro páginas de abertura, o falecimento ontem de um antigo presidente de um clube de futebol, e que o telejornal da hora de jantar da televisão pública abra durante 20 minutos com o mesmo tema, é extremamente significativo do estado cultural em que encontra o país, assim como do jornalismo que se pratica após mais de 50 anos de democracia !…  

Da informação "insuspeita" sobre a Palestina e Israel

Um militante incondicional da "causa israelita" (foi pelo menos a impressão com que fiquei as poucas vezes que li textos dele aqui no Facebook), evoca hoje aqui o "insuspeito Libération" para confortar a sua própria opinião sobre a atualidade palestino-israelita… Ora, vejo-me obrigado a lembrar aqui o que o dito militante ignora ou quer ignorar : o diário parisiense "Libération" tem como principal acionista um israelita (que tem também a nacionalidade francesa) e tem como diretor da redação outro israelita (que tem também a nacionalidade francesa e exerceu até há meses a profissão de jornalista em Israel num diário israelita). Reconheço a qualidade jornalística de "Libération" …como conheço aspetos criticáveis da sua prática jornalística. De lá a dizer que "Libération" é perfeitamente "insuspeito" no tratamento da informação referente à Palestina e a Israel…  

Um país que destrói a sua própria identidade !

Vejo aqui no Facebook uma referência puramente urbanística à Rua d'O Século, em Lisboa… E penso como é possível que este país do pós 25 de Abril tenha destruído jornais históricos como O Século, o Diário de Lisboa e o Diário Popular, em Lisboa, e o Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro, no Porto ? Um povo que destrói jornais que fizeram parte da sua história, é um povo desprovido de cultura e que destrói a sua própria identidade. Eu que ensinei a História dos Média na Europa durante longos anos numa universidade pública da capital da Europa, não me lembro de outro país que tenha assim destruído a sua própria história e a sua própria identidade !… E não me venham evocar o caso da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, num processo bem mais radical, imediatamente radical, porque assim o exigiram os Aliados. …Acrescento que as televisões generalistas e de informação — que dominam a "informação" neste país — estão a encaminhar ferozmente Portugal para um fascismo trumpis...

A má avaliação do grande acontecimento

Leio por aqui pelo Facebook que os "quatro principais jornais" portugueses de hoje (sexta-feira 20) não falavam sequer na primeira página do gravíssimo acontecimento de ontem no Martim Moniz, em Lisboa. Eu limitei-me a ler os dois diários ditos de referência (de que sou assinante) e fiquei igualmente surpreendido com tal ausência. E mais particularmente com a ausência do tema em editorial, quer de um quer do outro, com as desejáveis tomadas de posição. Quer isto dizer que os mais elementares critérios de seleção dos factos de atualidade não foram devidamente avaliados e postos em aplicação nos alinhamentos escolhidos pelas direções editoriais. Admiremo-nos depois que os potenciais compradores e leitores de jornais não sintam verdadeiramente necessidade de os comprar e de os ler !… ADENDA : …e nas edições deste sábado 21 (do dia seguinte portanto), os esperados editoriais de tomada de posição perante o acontecimento são igualmente inexistentes !…   

Acertar sem mérito

Antes de começar o telejornal das 13h00 da RTP 1 digo à A., minha companheira de almoço : vais ver : INEM ou ministra da Saúde, Trump e Putin, e o inevitável futebol. Não sairemos dos clássicos três títulos. Acertei, mas não tenho mérito nenhum : é a clássica falta de originalidade do jornalismo que por cá se pratica !...