Um anacronismo absurdo
J.-M. Nobre-Correia Os monárquicos em geral, e os monárquicos portugueses em particular, adoram contos de embalar com reis, rainhas, príncipes e princesas. E recusam ver o que há de escandaloso e absurdo em tais narrativas… A demissão de Juan Carlos de Borbón tem posto em êxtase essas relíquias de “Ancien Régime” que são os monárquicos portugueses. Gente, por vezes inteligente e culta, que se põe a fazer considerações totalmente desprovidas de bom senso. Dizendo por exemplo que as monarquias são um modelo de estabilidade e moralidade, e as repúblicas se caraterizam pela instabilidade e a corrupção. Limitando por vezes tais afirmações às monarquias do norte e às repúblicas do sul da Europa. Demonstrando assim, no primeiro como no segundo casos, cegueira ou desonestidade. Começando pela distinção enganadora entre o norte e o sul da Europa, esses monárquicos pseudo-subtis esquecem voluntariamente a diferença histórica entre ética protestante e ética católica. E, que se s...