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As incertezas das novas eras

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J.-M. Nobre-Correia Jornais : O chamado “quarto poder” tem fragilidades geralmente desconhecidas e às quais não se presta suficientemente atenção. Com os riscos que isso pode comportar… É o que acontece a maior parte das vezes. Nem sempre. Mas a maior parte das vezes. Quando, numa empresa editora de médias, novos acionistas dão entrada no capital. Ou quando novas direções editoriais entram em funções. A tentação é grande, no primeiro caso, de querer nomear novos responsáveis para os lugares chave da empresa. E, no segundo, de proceder a mudanças nas diferentes chefias da redação e da programação, mas também no visual do média, na grelha da programação e na conceção da informação como do jornal. Para os novos chefes, trata-se de facto de afirmar o início de uma “nova era”. Porque, na cabeça deles é disso que se trata, com um antes e um depois. Só que, em matéria de média, as audiências perdem-se mais depressa do que se ganham. Porque o público é particularmente conser...

As piruetas dos "animais de poder"

J.-M. Nobre-Correia Média : Quando o antigo diretor do mais prestigioso diário francês evoca uma reviravolta de dois líderes políticos que deveria fazer refletir nas redações… Num livro recente, sob a forma de longa entrevista, Jean-Marie Colombani [ 1 ] , que foi diretor de Le Monde de 1994 a 2007, aborda temas interessantes : a entrada no jornal como simples redator (em 1977), a chefia do serviço político, a chefia de redação e a direção do jornal e do grupo constituído em torno deste. Procurando explicar a crise que levou a redação a votar contra a renovação do seu mandato de diretor. Analisando também a crise atual dos jornais impressos e as perspetivas futuras destes como dos digitais, até porque Colombani é agora diretor do magazine digital Slate.fr que fundou em 2009. O livro é interessante para quem queira saber como um antigo diretor analisa o jornal em que trabalhou e que dirigiu, que análise faz da evolução atual deste jornal e como vê o futuro do jorn...

O horizonte proposto

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J.-M. Nobre-Correia Televisão : As caraterísticas que dominam os programas dos operadores de telecomunicações são a mediocridade e a omnipresença da produção estado-unidense… Os portugueses admitem tudo. Suportam tudo. Habituam-se a tudo. Nomeadamente no que diz respeito aos operadores de telecomunicações. Operadores que praticam preços exageradamente elevados em comparação com os praticados em países europeus com poder de compra bastante mais elevado. Mas operadores que, em matéria de média tradicionais, propõem programas de televisão de uma inacreditável mediocridade. Evidentemente, não se trata aqui de evocar a mediocridade congenital das televisões portuguesas. Mediocridade de que os operadores de telecomunicações não são responsáveis. Mas sim da mediocridade global dos programas de origem estrangeira que são propostos aos assinantes. Com numerosas televisões que emitem em línguas que só meia dúzia de funcionários de embaixadas estrangeiras compreenderão. E umas...

As belas histórias do microcosmos…

J-M. Nobre-Correia Média : No Sol da semana passada, José António Saraiva relata três ou quatro episódios do meio mediático-jornalístico particularmente significativos da maneira como funciona e dececiona… Aparentemente, ninguém reagiu. Questão de hábito, de tradição, de cultura nacional, dirão alguns. É possível. Só que, para além da fronteira portuguesa, um texto desta natureza teria provocado um sério burburinho no meio mediático. E até mesmo para além deste meio. Vindo como vem de um jornalista no ativo. E que mais é : do diretor de um jornal que apesar de tudo conta na sociedade portuguesa… José António Saraiva, diretor do semanário Sol , publicou na sexta-feira 22 de agosto um texto (a que ele chama “crónica”) intitulado “Repouse em Paz”. Tratava-se de facto de duas páginas (do suplemento Tabu ) a propósito do falecimento de Emídio Rangel. Páginas nas quais Saraiva evocava uma história edificante sobre o funcionamento do meio mediático português. E a notíc...

A triste realidade...

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J.-M. Nobre-Correia Jornalismo : A atualidade recente provoca muitas críticas à prática da informação, quando a situação global dos média nacionais não permite de facto fazer muito mais… Uma vez mais as acusações chovem sobre o jornalismo praticado em Portugal. A propósito sobretudo da atualidade referente ao BES. E também, mas muito menos, sobre o desfecho judicial dos acontecimentos ligados às mortes em dezembro na praia do Meco. Pelo que conviria salientar certas evidências que, aparentemente, não o são suficientemente. A primeira destas evidências é a que leva a constatar que o “grande jornalismo” de investigação como de análise se pratica antes do mais nos grandes países. Isto é : nos países cuja demografia propõe uma audiência suficientemente larga aos média. Porque, ressalvadas algumas particularidades (nomeadamente em termos de informação regional), a estrutura de custos da produção editorial de um jornal é relativamente idêntica. Quando o potencial de renta...