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Esta cruel valsa fúnebre...

J.-M. Nobre-Correia Média : Uma ininterrupta sucessão de demissões e nomeações nas direções de importantes jornais de informação (impressos, radiofónicos, televisivos e digitais) deixa recear mais um acelerar da crise do que a sua ultrapassagem… Para quem viveu quase toda a vida de adulto no estrangeiro e frequentou logo de início os média do país de residência como dos países limítrofes, Portugal constitui um caso espantoso. Um caso cuja especificidade é nomeadamente ilustrada pela “valsa” atual nas direções de diversos média. “Valsa” cujos primeiros passos começaram a ser dados há meses atrás e dizem respeito à maioria dos diários, dos semanários, dos radiojornais e dos telejornais que contam. A primeira caraterística que espanta nesta “valsa” é o facto de se tratar largamente de permutas entre membros de um pequeno microcosmos. Entre gente que se conhece, que se frequenta, que muitas vezes mantem relações de amizade …que não impedem um omnipresente e acutilante sentimento ...

Insuficiências muito incapacitantes

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J.-M. Nobre-Correia Professor emérito de Informação e Comunicação da Université Libre de Bruxelles Quando a apregoada “qualidade de vida” é de facto de “baixa densidade”… Andam por aí umas teorias que afirmam que é “no interior” que, em Portugal, há “qualidade de vida”. E, com esta noção, os seus apregoadores entendem qualidade do ar que se respira, proximidade dos locais frequentados no dia-a-dia, menor tensão no ritmo de vida, contactos familiares assíduos, relacionamento fácil, sociabilidade mais concreta, baixo custo de vida,… Uma série de frases feitas que nem sempre correspondem à realidade. Não impede que em congressos, colóquios e demais conferências se discorra repetidamente sobre esta “qualidade de vida”, considerando os oradores que só o fraco desenvolvimento económico impede que se viva em situação quase ideal. Embora alguns, um pouco mais lúcidos, acrescentem também a falta de natalidade capaz de assegurar o futuro demográfico e até, melhor ainda, de inverter ...

Os riscos do híper-ativismo

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Política e média J.-M. Nobre-Correia A nova conceção da Presidência abre portas a derrapagens inquietantes… Os cidadãos têm motivos de regozijo. A um presidente da República obtuso, cinzento e distante sucedeu outro capaz de fulgurância, entusiasmo e sociabilidade. O anterior era incapaz de se assumir como homem de Estado e ultrapassar clivagens políticas, de dar valor a quem reconhecidamente o tinha e não cair no enaltecimento de gente civicamente pouco recomendável. O atual é manifestamente mais aberto, culto e intuitivamente capaz de perceber o que é conforme a um Estado de direito democrático. Mas os cidadãos têm também motivos para se inquietarem. Porque há no comportamento do novo presidente duas opções constantes e preocupantes. Há antes do mais um ativismo em nada comparável à atitude dos seus quatro predecessores e que dá sinais de transbordar a área habitual, constitucional, da ação presidencial. Um ativismo que o leva a imiscuir-se notoriamente na área de ação gover...

Des révolutions dans la continuité…

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J.-M. Nobre-Correia Les mouvements qui traversent depuis quelques années le monde des médias et du journalisme ont peut-être besoin d’être situés dans une perspective historique pour pouvoir être relativisés… Manifestement, depuis quelques longues années déjà, les médias et le journalisme traversent une zone de fortes turbulences. Ce sont tous les repères traditionnels de ces deux mondes qui se sont effondrés ou, tout au moins, ont été sérieusement ébranlés. Dans un tel contexte, des considérations contradictoires ont surgi d’ici de là. Les unes, pessimistes, voire catastrophistes, décèlent dans la situation actuelle l’écroulement des médias d’information, et en tout cas celui de l’information de qualité, quand ce n’est pas la disparition progressive du journalisme tel qu’il a été conçu fin du XIXe siècle, début du XXe [ 1 ] . D’autres, euphoriques, voient dans la flopée de nouveautés technologiques qui la traversent l’aube d’une nouvelle ère et la naissance annoncée d’un nouv...