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A informação a que temos direito...

J.-M. Nobre-Correia Média : De uma falsa notícia mais um desmentido resultam duas notícias, dizia o diretor do maior diário francês do após Segunda Guerra Mundial. É preciso vender audiência e não credibilidade ! E estamos cada vez mais assim… A crise do jornalismo português é manifesta. E sucedem-se os sinais de uma grave crise no que diz respeito à credibilidade da informação proposta aos leitores, ouvintes ou espectadores. É a entrevista do líder da oposição que é corrigida duas semanas depois pelo jornal que a publicou. É o desmentido das declarações que teriam sido feitas pelo antigo presidente da República em reunião do Conselho de Estado. E é agora, ao nível do “fait divers”, as sucessivas morte, morte cerebral apenas, situação médica muito grave e morte finalmente de um jovem !… Para quem observa o mundo dos média e da informação, a constatação é clara : o jornalismo português vive largamente à base de comunicados que emanam de meios “produtores de informação”. Mas ta...

O outro pilar da repressão

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J.-M. Nobre-Correia * Como a Pide, a Censura zelava pela imagem do salazarismo e pelo cariz ordeiro dos portugueses … Há ideias de livros interessantes. E há ideias de reedições que também o são. Só que, depois, lido o livro, descobrem-se lados insatisfatórios da primeira edição. Como se constatam aspetos muitos criticáveis da reedição… Vir a lume em 1979 com um livro sobre a censura era uma ideia interessante e até mesmo essencial. Tanto mais quanto é certo que o dito livro era largamente constituído pela retranscrição de “telegramas telefonados da Comissão de Exame Prévio do Porto” (selecionados entre 5/1/1967 e 24/4/1974) e de “circulares dos Correios e Telecomunicações de Portugal sobre livros e revistas proibidos de circular”. E nada melhor para pôr em evidência o lado autoritário, inacreditável e por vezes até ridículo das decisões que provocavam um verdadeiro sufocamento da prática jornalística durante o salazarismo. Quase quarenta anos depois, reeditar Os Segredos ...

Esta cruel valsa fúnebre...

J.-M. Nobre-Correia Média : Uma ininterrupta sucessão de demissões e nomeações nas direções de importantes jornais de informação (impressos, radiofónicos, televisivos e digitais) deixa recear mais um acelerar da crise do que a sua ultrapassagem… Para quem viveu quase toda a vida de adulto no estrangeiro e frequentou logo de início os média do país de residência como dos países limítrofes, Portugal constitui um caso espantoso. Um caso cuja especificidade é nomeadamente ilustrada pela “valsa” atual nas direções de diversos média. “Valsa” cujos primeiros passos começaram a ser dados há meses atrás e dizem respeito à maioria dos diários, dos semanários, dos radiojornais e dos telejornais que contam. A primeira caraterística que espanta nesta “valsa” é o facto de se tratar largamente de permutas entre membros de um pequeno microcosmos. Entre gente que se conhece, que se frequenta, que muitas vezes mantem relações de amizade …que não impedem um omnipresente e acutilante sentimento ...

Insuficiências muito incapacitantes

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J.-M. Nobre-Correia Professor emérito de Informação e Comunicação da Université Libre de Bruxelles Quando a apregoada “qualidade de vida” é de facto de “baixa densidade”… Andam por aí umas teorias que afirmam que é “no interior” que, em Portugal, há “qualidade de vida”. E, com esta noção, os seus apregoadores entendem qualidade do ar que se respira, proximidade dos locais frequentados no dia-a-dia, menor tensão no ritmo de vida, contactos familiares assíduos, relacionamento fácil, sociabilidade mais concreta, baixo custo de vida,… Uma série de frases feitas que nem sempre correspondem à realidade. Não impede que em congressos, colóquios e demais conferências se discorra repetidamente sobre esta “qualidade de vida”, considerando os oradores que só o fraco desenvolvimento económico impede que se viva em situação quase ideal. Embora alguns, um pouco mais lúcidos, acrescentem também a falta de natalidade capaz de assegurar o futuro demográfico e até, melhor ainda, de inverter ...

Os riscos do híper-ativismo

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Política e média J.-M. Nobre-Correia A nova conceção da Presidência abre portas a derrapagens inquietantes… Os cidadãos têm motivos de regozijo. A um presidente da República obtuso, cinzento e distante sucedeu outro capaz de fulgurância, entusiasmo e sociabilidade. O anterior era incapaz de se assumir como homem de Estado e ultrapassar clivagens políticas, de dar valor a quem reconhecidamente o tinha e não cair no enaltecimento de gente civicamente pouco recomendável. O atual é manifestamente mais aberto, culto e intuitivamente capaz de perceber o que é conforme a um Estado de direito democrático. Mas os cidadãos têm também motivos para se inquietarem. Porque há no comportamento do novo presidente duas opções constantes e preocupantes. Há antes do mais um ativismo em nada comparável à atitude dos seus quatro predecessores e que dá sinais de transbordar a área habitual, constitucional, da ação presidencial. Um ativismo que o leva a imiscuir-se notoriamente na área de ação gover...