quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um pedido de boicote absurdo

J.-M. Nobre-Correia
Média : Um grande nome da literatura portuguesa propõe que se deixe “de comprar o Público”. Sugestão tanto mais estranha que os escritores se queixam dos baixos índices de leitura. Ou será que os jornais são assim tão lidos ?…

Um dos romancistas portugueses mais em vista, fez esta madrugada uma estranha proposta aos seus “5000 amigos” no Facebook : “Por favor, deixem de comprar o Público”. Com a seguinte argumentação : “O jornal foi abastardado, transformou-se numa tarjeta panfletária de interesses muito localizados, muito desmascarados, muito à mostra. Todo um fingimento descaradamente foleiro. Não há, a nenhum respeito, a menor confiança naquilo. Um cartaz ou uma pichagem («Vivam os nossos amados patrõezinhos, mai-las suas opiniões !») resolvia-lhes o servilismo, escusavam de tanto aparato de letras e bonecos. Menos 5000 leitores, eu sei, significa pouco. Basta que o engenheiro beneficiário suba o preço de alguns iogurtes e estará compensado. Mas o sentimento de deixarmos de andar enrolados numa farsa, encenada por gentalha menor, também compensa não ?”.
Pouco importa aqui saber se se está de acordo ou não com a argumentação do autor. Um facto é incontestável : há uma evolução percetível no posicionamento editorial do Público desde que a nova direção entrou em funções. Mas não terá havido outras evoluções percetíveis (e num dos casos até politicamente muito percetível) depois das precedentes direções terem assumido o poder editorial no jornal ?
Uma das acusações mais habituais nestes últimos meses é a do Público ter iniciado uma viragem para a direita. Nestes últimos dias insistiu-se nomeadamente no facto de ter dispensado três colaboradores exteriores jornalistas, (auto-)designados como sendo “de esquerda”. O que não impede que se encontrem nas páginas de hoje do jornal nomes como Joana Mortágua, Francisco Louçã, Domingos Lopes e Rui Tavares que, como toda a gente sabe, não se situam exatamente à direita e até têm ou tiveram responsabilidades em formações políticas da esquerda radical. Mesmo que haja quem possa pensar que as quatro publicações de hoje obedecem a uma pura “tática” de diversão da direção no contexto atual…
De qualquer modo, o boicote de um jornal só se pode justificar quando este passa subitamente a tomar atitudes totalmente inadmissíveis e em radical desacordo com as que sempre foram as suas opções sociopolíticas essenciais ou com os mais elementares princípios da ética. Será o caso no que diz respeito ao Público ? Com os quatro precedentes diretores, terá o jornal sempre mantido opções idênticas ou pelo menos próximas das que foram as de Vicente Jorge Silva, seu primeiro diretor ?
Numa perspetiva mais mediática : terá o mínimo sentido fazer um convite ao boicote da compra, e por conseguinte da leitura, de um jornal num país que conta miseravelmente apenas cinco diários generalistas ditos “nacionais” ? Num país que tem, e de longe, as mais baixas taxas de leitura da imprensa diária da Europa ocidental (e o romancista provavelmente sabe-o bem, até porque viveu num país onde a imprensa tem um índice de penetração quase dez vezes superior) ? E pensa seriamente o autor do convite ao boicote que os leitores do Público vão passar a comprar outro diário (quando toda a história da imprensa europeia mostra que o desaparecimento de um jornal ou o seu boicote provoca uma inevitável e muito substancial redução do “leitorado” global da imprensa) ? E se de facto parte dos leitores do Público passarem a comprar (imagina-se) o Diário de Notícias (o jornal que se situa numa categoria similar), não tem sido este também acusado pelos mesmo meios socioculturais de ter igualmente “virado à direita” ? Em que ficamos ?…
A triste constatação que tem de ser feita é que, ao convidar os leitores a deixarem “de comprar o Público”, o romancista que toma tal iniciativa está incautamente a serrar o ramo da árvore da leitura em que está sentado. É porém possível que ele esteja pronto a assumir as consequências da sua iniciativa. Mas quem deseja que haja cada vez mais e mais leitores de jornais em Portugal só pode lamentar a iniciativa absurda do escritor em questão. Mais valia que tivesse proposto aos jornalistas vítimas de sucessivos despedimentos nestes últimos tempos que ousassem lançar novas publicações impressas ou digitais : ficaríamos então culturalmente mais ricos [1]



[1] Ver também J.-M. Nobre-Correia, « Amálgamas que impedem de ver claro », in Notas de Circunstância 2, 17 de janeiro de 2017.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Amálgamas que impedem de ver claro

J.-M. Nobre-Correia
Média : Quando os defensores daquilo que consideram ser um jornalismo de qualidade manifestam solidariedades estimáveis, mas fazem processos de intenção que são teoricamente inadequados…

Anda por aí uma grande agitação nas chamadas redes sociais ! E isto porque vários cronistas (“colunistas” como se diz em português traduzido do inglês) têm sido dispensados, uns atrás dos outros, por novas direções de jornais. Como já acontecera antes por ocasião da entrada em funções de outros novos diretores.
É sempre desolador quando jornalistas do quadro ou jornalistas permanentes avençados são despedidos pelos média. Que mais não seja porque é esse o ganha pão deles. E a extremamente circunscrita paisagem mediática portuguesa não lhes garante que consigam arranjar de novo emprego na mesma área. Ainda menos quando a situação financeira dos média é globalmente bastante crítica, como é o caso atualmente.
Por outro lado, é trágico ver profissionais arredados de uma profissão em que muitas vezes se lançaram persuadidos de irem cumprir uma missão. Convencidos que a sociedade iria funcionar um pouco melhor graças à contribuição deles como jornalistas. Enquanto que do outro lado, leitores, ouvintes, espectadores ou internautas ficam geralmente confrontados a jornais mais ligeiros, menos consistentes, os jornalistas despedidos não sendo na maior parte do casos substituídos por novos contratados.
Este sentimento de sincera comiseração para com os jornalistas despedidos não toma caraterísticas idênticas quando se trata de despedimentos de cronistas. Que mais não seja porque um cronista vive rarissimamente da sua colaboração pontual nos média : os dedos de uma mão deverão ser suficientes para contar o número dos cronistas de luxo que, em Portugal, poderiam viver unicamente das receitas provenientes de um jornal. Porque a principal ocupação de um cronista exterior à redação não é essa, mas sim a ligada ao seu verdadeiro estatuto profissional, de onde provem aliás a maior parte das suas receitas. Possam embora a supressão das provenientes dos média provocar uma diferença substancial no orçamento pessoal.
Não é porém esta nova situação financeira desfavorável que suscita a atual agitação nas chamadas redes sociais. Mas sim o facto de recentes como anteriores despedimentos levarem vítimas deles, assim como amigos, leitores, ouvintes ou espectadores, a evocarem muitas vezes atos de “censura”, de “caça às bruxas” ou de “insuportável” viragem política do média. Quando boa parte das vezes nem sequer é disso que se trata…
A realidade dos factos é que os jornais (impressos, radiofónicos, televisivos ou digitais) têm proprietários. E em Portugal, como nos outros países europeus, quem manda num jornal são os seus proprietários, com aquelas exceções em que rádios, televisões e sítios de serviço público de que o Estado é in fine o proprietário, não podendo este geralmente agir soberanamente, a seu belo prazer. São eles pois que designam diretores de redação, como diretores de administração, possa embora haver processos de consulta e voto dos jornalistas e dos outros membros do pessoal.
Ora, todo e qualquer novo diretor de uma redação tem o direito de impor a sua marca ao jornal que passou a dirigir. De maneira mais ou menos suave e progressiva (como é estrategicamente aconselhável) ou de maneira mais brusca e radical (o que é na maioria dos casos pouco desejável, até porque suscetível de provocar reações de desconcerto do público). E uma das iniciativas mais habituais é a de restruturar os serviços e as chefias da redação, assim como a de redistribuir os “pelouros” que cada redator deverá doravante assumir.
Outra das iniciativas habituais, e que intervêm geralmente num segundo tempo, é a de recompor a equipa de colaboradores exteriores. Convidando novos colaboradores de que se aprecia a produção pela originalidade temática, a elegância da escrita, o posicionamento social, político ou cultural, considerando-os uma mais valia para o jornal. Afastando outros habituais colaboradores pouco ao gosto da nova direção, porque os temas geralmente propostos não lhe dão satisfação, porque a qualidade da escrita lhe parece deficiente, ou porque orientação ideológica dos textos não lhe agrada, estimando mesmo que entram em conflito direto com o novo projeto de jornal.
De modo algum se trata aqui de avaliar as qualidades da produção dos colaboradores dispensados nas últimas vagas no Diário de Notícias ou no Público, até porque todos eles contavam com admiradores e fiéis leitores. Mas estes dois jornais têm desde há poucos meses novos diretores escolhidos pelas sociedades editoras e eles próprios constituíram novas equipas de direção. Que estas repensem os conteúdos (o que é perfeitamente visível nos dois casos) e reformulem as equipas de colaboradores, são decisões que fazem parte das prerrogativas normais de uma direção. Que haja leitores descontentes é também perfeitamente normal e isso acontece sempre quando um jornal dispensa um cronista, seja ele qual for. E é naturalmente compreensível e perfeitamente humano que os que foram dispensados experimentem momentos de decepção, de tristeza e de raiva.
Por regra, na maior parte dos casos, o reposicionamento editorial de um jornal traduz uma reorientação da sua sensibilidade sociocultural e política. E isso até parece ser sensível no caso do Diário de Notícias e é-o de maneira mais notória no caso do Público. Mas não se abuse da noção de censura que tem em Portugal uma história particularmente sinistra e que, à primeira vista, nem parece ser claramente pertinente nas recentes ocorrências [1]



[1] Ver a este propósito J.-M. Nobre-Correia, « Uma indesejável confusão », in Notas de Circunstância 2, 30 de julho de 2015.
J.-M. Nobre-Correia, “O outro pilar da repressão”, in JL Jornal de Letras, Lisboa, 17 de agosto de 2016, republicado in Notas de Circunstância 2, 17 de agosto de 2016.

domingo, 8 de janeiro de 2017

A triste demonstração…

J.-M. Nobre-Correia
Média : Sabíamos que vivíamos num país onde a informação de qualidade é escassa e até bastante ligeira. Mas o falecimento hoje de Mário Soares trouxe a prova de uma situação ainda mais desoladora…

Há um princípio de base aplicado em todas as redações dos grandes jornais (impresso, radiofónicos ou televisivos) e sobretudo nos jornais de referência : preparar  o mais cedo possível a necrologia de um(a) grande homem (ou mulher). A partir do momento em que ele (ela) ocupa altas funções. Quando passa a ter uma idade avançada. Quando adoece com séria gravidade. Pela simples razão que ele (ela) pode vir a desparecer de um momento para o outro.
É preciso ter então os textos e ilustrações, os documentos sonoros ou vídeo, devidamente preparados para dar resposta à procura dos leitores, ouvintes ou espectadores. E ter a lista cuidadosamente preparada dos especialistas que convirá convidar para escrever ou entrevistar. Para procurar ser editorialmente melhores e mais rápidos do que os concorrentes. Para ter a oportunidade de afirmar as qualidades performantes de uma redação.
Mário Soares foi um dos grandes líderes da resistência ao salazarismo. Um dos maiores e mais duradoiros políticos do Portugal democrático. Ministro, primeiro ministro e presidente da República, isto é : ocupou as mais altas funções do Estado. Tinha 92 anos : uma idade bastante avançada. Tinha tido um grave acidente de saúde há três anos, em 2013, e estava agora hospitalizado há mais de três semanas. Razões sobejas, mais que sobejas, para que pelo menos as redações dos médias de informação geral deste país tivessem feito há muito tempo o trabalho preparatório de documentação, de escrita, de maquetagem e de montagem para estar pronto quando o desenlace viesse a ter lugar.
O desenlace teve lugar esta tarde. E, consultando as edições em linhas dos diários “nacionais” na internet, a impressão que fica, num primeiro tempo, a meio da tarde, é que apenas o Diário de Notícias tinha feito um enorme trabalho para estar preparado no dia fatal. Esperando que as edições em papel de amanhã dos mesmos diários “nacionais” sejam mais bem satisfatórias e convincentes…
Quanto às televisões, assiste-se ao vazio e à tristeza habituais ! O que é particularmente chocante na pública RTP 1 : antes das 20h00, tivemos apenas direito aos eternos “diretos” (com a habitual dose em menor ou maior grau de temas absurdos) e aos não menos eternos “comentadores” (poucos : a maioria deles devia estar em fim de semana longe de Lisboa). Com as mesmas sequências repetidas indefinidamente. E nada de grandes documentários ! Nada de grandes perspetivações históricas e politológicas ! Enquanto na SIC e na TVI, antes da hora do jantar, a programação habitual nem sequer tinha sido alterada !…
Que tínhamos uma informação pobre, pouco abundante, pouco sólida, pouco diversificada, era uma evidência para quem está há longos decénios habituado a outras formas de tratamento da atualidade. Que diferença abissal, por exemplo, com os média franceses por ocasião da morte igualmente previsível do ex-presidente François Mitterrand em 1996 ! Enquanto por cá, no tal “jardim à beira-mar plantado”, é sobretudo um quase deserto que domina a paisagem jornalística !…


Texto publicado no blogue A Vaca Voadora, Lisboa, 7 de janeiro de 2017.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Le 'coup' du 13 décembre / A disneylandização triunfante

J.-M. Nobre-Correia
Médias : Voici dix ans, le 13 décembre 2006, la télévision publique belge francophone interrompait soudainement ses émissions pour faire une annonce qui est restée dans les annales…
J’ai publié à l’époque un texte dans le quotidien de Bruxelles Le Soir du 21 décembre 2006. Et un mois et demi plus tard, une version quelque peu adaptée en portugais dans l’hebdomadaire de Lisbonne Expresso, du 9 février 2007. Deux textes qui gardent à mes yeux toute leur actualité : les voici…

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J.-M. Nobre-Correia
Médiologue, professeur en information et communication à l’ULB

Le « coup » du 13 décembre

Pour un coup, ce fut un coup : tous les quotidiens, radios et télévisions en ont parlé. Et pas que les belges : les grands médias européens l’ont aussi évoqué. Si la RTBF était une entreprise de communication événementielle, il faudrait l’en féliciter chaleureusement. Même si son opération n’a pas spécialement brillé par l’originalité ni par la qualité du produit fini.
Mais il se fait qu’elle est une « entreprise publique autonome à ca­ractère culturel » dont une des « responsabilités » est l’information, qui constitue même sa « base essentielle ». Et, à cet égard, le 13 décembre 2006 restera dans les annales de l’histoire comme le jour où la dérive de notre radio-télévision de service public est devenue particulièrement criante.
Il faut dire que la RTBF a toujours vécu corsetée par un « pacte culturel » dévoyé qui permet aux divers « piliers » d’une société étriquée de la cadenasser dans son traitement de l’information. Car le partage du pouvoir leur interdit de comprendre qu’une société démocratique a un besoin vital d’information autonome et de qualité, préférant placer des créatures de leurs sérails aux postes clé de la direction et de la rédaction.
La situation s’est encore dégradée quand, voici trente ans, l’administrateur général de l’époque a commencé à plaider pour l’accès à la publicité. En 1984, la « publicité non commerciale » faisait son entrée à la RTBF. Et en 1991 c’était le tour de la « publicité commerciale ». Plutôt que de redéfinir la fonction sociale de la radio-télévision publique face à la démonopolisation de l’audiovisuel qui s’opérait et concevoir une stratégie de redéploiement adaptée aux moyens financiers, on a préféré entrer dans la logique de la concurrence et des impératifs commerciaux.
Parallèlement, les responsables politiques s’avéraient incapables de concevoir un cadre légal pour l’audiovisuel privé naissant et maîtriser son développement. Ce qui a eu pour résultat une « jungle des ondes » où la création de nouvelles stations, les reprises en termes purement financiers et les concentrations parfois démesurées s’opèrent à l’écart des plus élémentaires exigences de pluralisme démocratique. Et comme tant d’indigence ne suffisait pas, on a créé un Conseil supérieur de l’Audiovisuel où des acteurs du milieu médiatique se retrouvent juges et parties (avec d’inévitables petits arrangements de mauvais aloi).
Les retombées de cette incurie sautent aux yeux : une surenchère dépourvue des plus élémentaires considérations éthiques et déontologiques règne sur le paysage audiovisuel belge francophone. Et la RTBF y a été entraînée d’autant plus aisément que ceux qui ont la haute main sur sa direction ignoraient bien souvent tout des métiers d’un média de service public. Et quand d’aventure ils en sont issus, ils sont souvent passés par des cabinets ministériels ou des bureaux d’études de partis avant d’accéder aux hautes fonctions qui sont désormais les leurs. Aussi, leur premier souci n’est pas précisément la qualité du service rendu aux citoyens payeurs de la redevance (ou de ce qui en fait fonction) mais bien le dévouement à ceux auxquels ils sont redevables.
Faut-il s’étonner dès lors si, à la RTBF, les émissions culturelles et les magazines d’information ont largement disparu, si le divertissement envahit tout et atteint souvent un niveau de débilité affligeant, si quelquefois la différence avec les stations privées n’est plus évidente, si le journal télévisé court après ceux de la concurrence en jouant à fond dans le fait divers, le voyeurisme et l’émotion ? À tel point que les principaux responsables de l’information ne savent plus distinguer docu-fiction et canular (à moins que les correspondants des grands quotidiens de référence européens n’aient décidément rien compris au talent subtilement éblouissant de nos orson-welleskes).
Le coup du 13 décembre a jeté le discrédit sur tous ceux qui en ont été à l’origine ou qui se sont prêtés à la mascarade d’ « émission spéciale » du journal télévisé. Plus grave encore : il a jeté un discrédit durable sur la raison d’être même d’un service public de l’audiovisuel. À quoi bon payer une redevance et maintenir un audiovisuel public, si celui-ci confond allègrement information et pitrerie, si la quête d’émotions devient sa principale raison d’être ?
Depuis un quart de siècle, l’audiovisuel public en Europe traverse une grave crise d’identité. Il ne perdra pas sa raison d’être si le pouvoir politique sait légiférer judicieusement et encadrer dûment les différents acteurs du paysage audiovisuel ; si les autorités de régulation sont compétentes, indépendantes et dotées d’un réel pouvoir de décision ; si l’audiovisuel public ne cherche plus à multiplier le nombre de ses stations et à élargir de façon inconsidérée le périmètre de ses activités ; s’il renonce à la publicité (en acceptant tout au plus la publicité institutionnelle) ; s’il choisit nettement de faire écouter et voir son niveau d’exigence par rapport aux stations commerciales. Autrement, les citoyens ne croiront plus à la nécessité d’un audiovisuel public. Et ce sera justice…

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A disneylandização triunfante

J.-M. Nobre-Correia *

Provavelmente, todos os média europeus de informação geral diária se referiram à “emissão especial” da televisão pública belga francófona de 13 de Dezembro. Raros foram porém os que tiveram a preocupação de situar o acontecimento numa perspectiva histórica e politica. E mais raros ainda os que se debruçaram sobre os seus aspectos mediáticos. Quando a dita “emissão especial” até propõe pelos menos duas reflexões essenciais.
A primeira reflexão diz respeito à incapacidade da grande maioria do espectadores em detectarem o logro. Um magazine de reportagens programado semanalmente logo após o telejornal é interrompido por uma “emissão especial” do dito telejornal. Só que o pivô habitual é apanhado em plena caracterização, perfeitamente tranquilo. E esta cena é seguida por um brevíssimo “isto não é talvez uma ficção” que terá escapado a muitos espectadores.
Depois, o telejornal especial começa com o pivô a desculpar-se pela interrupção e a anunciar pausadamente que o Parlamento flamengo vai declarar a independência da Flandres. Passa depois a palavra a outros jornalistas que, como por encanto, se encontram lá onde se previu que estivessem. As ligações com o exterior realizam-se imediatamente e sem contratempos. As personalidades entrevistadas não dão sinais de espanto ou de perturbação. Os “manifestantes” são mostrados em planos próximos e não são mais do que meia dúzia. Enquanto que as sequências finais são incrivelmente caricaturais : fecho das “novas fronteiras” para eléctricos, comboios e aviões, aplicação de preços diferentes para as comunicações telefónicas, pedido de passaportes pela polícia…
Manifestamente, 53 anos de televisão não permitiram aos Belgas fazer uma leitura crítica do telejornal. Nem a ausência de sinais percursores de agitação politica. Nem o ordenamento sem atritos da “emissão especial”. Nem a ausência de perplexidade, abalo e hesitação dos jornalistas. Nem a carência de espanto por parte das personalidades entrevistadas. Nem a aplicação imediata de medidas que levariam normalmente dias ou semanas a ser tomadas.
A segunda reflexão concerne a evolução da televisão e mais particularmente da televisão pública. É certo que o divertimento esteve sempre presente num média que recorreu logo de início às artes do espectáculo. Mas a lógica da concorrência desencadeada pela desmonopolização do sector, nos anos 1970-80, fez das televisões pequenas disneylândias prioritariamente preocupadas com a distracção e a oferta permanente de emoções. Evolução que não deixou incólume a concepção dos telejornais e o tratamento da informação pelos jornalistas.
Esta disneylização é evidente em países submetidos a uma concorrência de televisões da mesma bacia linguística (como a Bélgica francófona em relação às estações francesas). E em países onde o poder politico não soube antecipar no plano regulamentar a chegada de televisões puramente comerciais (como na Bélgica francófona). O que leva a televisão pública a alinhar cada vez mais nos critérios de programação das televisões privadas. Suscitando uma interrogação de fundo : que razão de ser tem hoje uma televisão pública se não souber fazer ver a sua diferença ?...

* Mediólogo, professor de informação e comunicação na Universidade de Bruxelas (ULB).


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A desoladora anarquia televisiva

J.-M. Nobre-Correia
Média : Uma primeira impressão deixa o sentimento de um considerável pluralismo. Impressão perfeitamente ilusória : é a multiplicação de mais do mesmo que a carateriza, numa singular e trágica monotonia…

Para quem viveu longuíssimos anos como espectador e observador de outras paisagens televisivas, o que há de espantoso na portuguesa é a manifesta a-regulação e a não menos notória a-regulamentação. Pouco ou nada na paisagem nacional terá sido antevisto, planificado, programado. E pouco ou nada foi convenientemente enquadrado por uma legislação apropriada, para além mesmo do que estipula a União Europeia nesta matéria.
Portugal teve, no sector televisivo, um desenvolvimento tardio mas super-rápido e tecnologicamente ultramoderno. O que provocou uma híper-abundância de canais, sobretudo de proveniência estrangeira. O que é particularmente evidente nos canais destinados a crianças ou consagrados a documentários, a filmes ou a música, por exemplo. Canais com dobragem sonora e vagas adaptações ao público português, no primeiro e segundo casos. Canais em versão original e legendados (com traduções por vezes inacreditavelmente horríveis !), no terceiro e quarto.
Uma real ausência de escolha
Estes canais de proveniência estrangeira apropriam-se assim de uma parte do público anteriormente espectador de canais nacionais, ao mesmo tempo que, o que é de certo modo mais importante, privam estes de parte dos investimentos publicitários globais. Acrescente-se ainda que, contrariamente ao que é legalmente estipulado noutros países da União Europeia, os canais para crianças têm acesso à publicidade ...iniciando-as assim no consumismo e na prescrição de produtos que os leva insistentemente a solicitar os pais para os adquirirem ! Sem esquecer o conteúdo largamente marcado pela cultura estado-unidense ou no mínimo anglo-saxónica…
Outra particularidade da paisagem televisiva é o facto de o sistema de portagem (de assinatura) para canais codificados ser apenas utilizado por canais desportivos nacionais, a Sportv dominando largamente a situação. Outros canais propõem esta modalidade de acesso, mas são quase sempre, no que lhes diz respeito, e na melhor das hipóteses, meras declinações portuguesas de canais estrangeiros.
No que se refere aos canais generalistas, a situação traduz manifestamente aquilo a que se poderia chamar uma autogestão “espontaneísta” caótica. A começar pelo facto que, contrariamente ao que se passa na Bélgica, na França ou na Grã-Bretanha, por exemplo, os grandes telejornais têm lugar à mesmíssima hora nos três canais RTP 1, SIC e TVI. Nos discursos de palavreado inconsistente que tiveram vida duradoira em vésperas de criação das televisões privadas, falou-se muito de pluralismo da informação. Mas onde está o pluralismo quando os jornais têm lugar à mesma hora e, em princípio, o espectador só pode ver um ?
Na Bélgica francófona, a privada RTL-TVI emite o seu principal jornal do fim da tarde às 19h00 e a pública RTBF 1 às 19h30. Em França, a pública France 3 às 19h30, a privada M6 às 19h45 [1], a privada TF1 e a pública France 2 às 20h00 [2]. E quando, há anos atrás, a privada britânica ITV quis pôr o seu principal jornal da noite em concorrência direta com a BBC 1, a alta autoridade (que na Grã-Bretanha tem mesmo autoridade e faz aplicar as suas decisões !) obrigou-a a voltar ao horário de origem.
Como se esta manifesta ausência de escolha possível e de um impossível acesso a um real pluralismo não bastasse, vêm juntar-se aos três canais generalistas portugueses os canais de informação contínua. Não sendo nada raro que se assista ao mesmo “direto” (esta pseudorreportagem não gravada nem montada, que é apenas a torneira aberta que dá livre acesso a todas as manipulações dos meios dirigentes) em todos os canais generalistas e de informação !
Mais e mais do(s) mesmo(s)
Estes canais de informação não foram manifestamente planificados pela administração pública, cada um tendo nascido pela simples vontade dos seus promotores que quase sempre foram as televisões generalistas já existentes. Sem que verdadeiros cadernos de encargos lhes tenham sido impostos. O que faz que estas pseudo-televisões de informação pouco mais são do que meras redifusoras de sequências preparadas para os jornais das generalistas. Às quais se acrescentam numerosas emissões de paleio, quase sempre com os mesmos “comentadores” que falam de tudo e de nada, e de muitos aspetos da atualidade sobre os quais são claramente incompetentes. Passando alegremente da política nacional para a internacional, da economia para o desporto, quando não da cultura para a gastronomia !…
Nestas televisões de informação, as grandes reportagens e os documentários são quase totalmente inexistentes. Ou melhor : são praticamente ausentes as emissões que supõem documentação, preparação, contactos, entrevistas, arquivos, reportagem, filmagem e montagem. Vejam-se as francesas privadas LCI, ITélé, BFM TV e sobretudo a novíssima pública France Info (lançada em setembro) e compreender-se-á a diferença e tomar-se-á consciência do deserto de conteúdo em que vivem as pretensas televisões de informação em Portugal.
É certo que a televisão em Portugal nasceu torta : com o estatuto de sociedade privada (contrariamente à quase totalidade das primeiras televisões no resto da Europa, nascidas no sector público), com publicidade e emissões patrocinadas (duas características inconcebíveis na grande maioria das televisões nascidas nos primórdios da história da televisão), e pouca produção criativa. E os maus hábitos foram-se reforçando ao longo dos anos…
Será pois bem difícil redesenhar uma nova paisagem televisiva. E para que tal seja concebível é indispensável que governo e partidos presentes na Assembleia da República tomem seriamente consciência do papel capital que o média televisão assume em termos socioculturais. De como o conteúdo das suas emissões servem de modelo a conceções de vida privada e de vida social, a projetos de vida profissional. De como, depois da família e da escola (e até em certos aspetos : antes delas) a televisão é desde há decénios a grande (de)formadora da cultura popular.
O indispensável reenquadramento
Há porém que legislar serena e ponderadamente sobre a paisagem televisiva, sobre as suas estruturas de propriedade, funcionamento e conteúdo. E dotar o sector de uma verdadeira alta autoridade dotada de poderes importantes. Uma alta autoridade composta por gente de real competência, para quem o facto de fazer parte não constitua nem uma agradável situação de prestígio e conforto material, nem um trampolim para novas ambições na carreira socioprofissional ou até mesmo no mundo da política.
É urgente que a paisagem televisiva em Portugal venha a ser realmente pluralista em termos de propriedade, de programação, de conteúdos. Com televisões que produzam ou façam produzir por empresas exteriores sediadas em Portugal verdadeiras emissões de divertimento, nomeadamente de filmes, e verdadeiras emissões de informação em que autênticas reportagens e sérios documentários constituam uma parte importante da programação proposta aos cidadãos.
Como as empresas públicas ou privadas que exploram a televisão em Portugal não souberam ser comedidas e propor conteúdos de qualidade, terão que ser os poderes públicos a assumir responsabilidades, impondo-lhes nomeadamente cadernos de encargos pluralistas e diversificados. Responsabilidades que deveriam ter assumido logo nos anos 1970, quando a conjunção da descoberta da democracia e da evolução da tecnologia supunha que assim tivesse sido…



[1] À mesma hora, 19h45, começa igualmente o telejornal do canal cultural franco-alemão Arte.
[2] Os belgas francófonos, depois de verem os telejornais de RTL-TVI e da RTBF 1, poderão ver ainda o telejornal de TF 1 ou de France 2. Uma formidável sucessão de jornais que, num total de 1h30-1h40, permite ao espectador atento tomar consciência de hierarquias de informação diferentes e modos diferentes de tratar jornalisticamente a atualidade.


Texto resultante de uma série de três textos publicada no blogue A Vaca Voadora, Lisboa, 6, 7 e 8 de dezembro de 2016.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Uma entrevista desperdiçada…

J.-M. Nobre-Correia
Média : Poderia ter sido um grande momento de informação dos cidadãos. Mas isso supunha que as regras elementares do género jornalístico fossem observadas de modo a permitirem uma abordagem séria da atualidade…

Não é todos os dias que um primeiro ministro dá uma longa entrevista a uma televisão, seja qual for o país da Europa ocidental. E quando isso acontece o(s) jornalista(s) encarregado(s) da entrevista procura(m) fazer que ela marque seriamente a agenda jornalística e política. Nada disso aconteceu porém com a entrevista dada esta noite por António Costa à televisão pública.
Confrontado durante 50 minutos a dois diretores adjuntos da informação, assistimos a uma entrevista dececionante. Uma entrevista largamente desperdiçada em que um diretor adjunto, debutante em matéria de audiovisual, pretendeu mostrar que conhecia muito bem os assuntos e as respostas a dar às perguntas que fazia. Dito de outro modo : um debutante de idade madura armado em sabichão, interrompendo constantemente o entrevistado, incapaz de uma qualidade indispensável para um entrevistador : saber ouvir o que o entrevistado tem para dizer…
Ao lado do debutante manifestamente incompetente em matéria audiovisual, outro diretor adjunto mais ponderado, menos intempestivo, mas a quem só os possíveis conflitos interessavam. Conflitos possíveis entre o governo e os seus aliados parlamentares da esquerda. Conflitos provavelmente camuflados com o líder do maior partido de oposição. Conflito potencial enfim com o presidente da República. Tradução de uma certa conceção do jornalismo em que os seus profissionais procuram absolutamente trazer à luz do dia rivalidades, confrontações, se possível desencadeando-as…
Cinquenta minutos depois, nada de bem substancial ficou da entrevista com o primeiro ministro. Porque não era essa a preocupação dos diretores adjuntos. E muito menos era preocupação deles procurar fazer melhor compreender aos cidadãos como vai o governo da Nação : seria aliás pedir de mais a entrevistadores  que procuravam “show” e “scoops”…


 Texto publicado no blogue A Vaca Voadora, Lisboa, 5 de dezembro de 2016.

domingo, 27 de novembro de 2016

Des révolutions dans la continuité… [nouvelle version]

J.-M. Nobre-Correia

Original de la nouvelle version revue et augmentée.
Une première version a été publiée par la revue Politique, Bruxelles. n° 95 (16 992 caractères).
Cette deuxième version a été publiée par la revue Telos, Madrid, n° 105 (32 069 caractères).

Les mouvements qui traversent depuis quelques années le monde des médias et du journalisme ont peut-être besoin d’être situés dans une perspective historique pour pouvoir être relativisés…

Manifestement, depuis quelques longues années déjà, les médias et le journalisme traversent une zone de fortes turbulences. Ce sont tous les repères traditionnels de ces deux mondes qui se sont effondrés ou, tout au moins, ont été sérieusement ébranlés.
Dans un tel contexte, des considérations contradictoires ont surgi d’ici de là. Les unes, pessimistes, voire catastrophistes, décèlent dans la situation actuelle l’écroulement des médias d’information, et en tout cas celui de l’information de qualité, quand ce n’est pas la disparition progressive du journalisme tel qu’il a été conçu fin du XIXe siècle, début du XXe [1]. D’autres, euphoriques, voient dans la flopée de nouveautés technologiques qui la traversent l’aube d’une nouvelle ère et la naissance annoncée d’un nouveau monde, d’une nouvelle manière de vivre en société…
Pourtant, à la lumière de l’histoire des médias dits « traditionnels » (presse, radio et télévision), peut-être conviendrait-il de relativiser beaucoup des arguments péremptoires qui font florès ces temps-ci dans des conversations de café du commerce comme dans des aréopages plus savants. Notamment ceux qui établissent des comparaisons entre la qualité de l’information proposée de nos jours et celle à laquelle les citoyens avaient accès autrefois. Mais aussi ceux qui évoquent une ancienne pratique journalistique érigée en référence technique, déontologique et éthique. Alors que beaucoup de critiques qui ont cours aujourd’hui remontent parfois à la naissance de la grande presse d’information, voire à l’apparition de la presse imprimée elle-même : à peine un peu plus d’un siècle plus tard, en 1626 déjà, « se representò en Londres la obra [de Ben Jonson] The Staple of News (La tienda de noticias). Se trata de una sátira durísima contra los professionales de la información, acusados de tratar los hechos de la realidad como mercancías y a no ser escrupulosos en su información. Así uno de los protagonistas llega a informar de que el rey de España ha sido elegido papa » [2].
Vendre du papier pour tous les goûts
Apparue en Europe entre 1435 et 1450, l’imprimerie [3], « sous l’impulsion d’une poignée de bourgeois capitalistes affamés de bénéfices », couvrait d’ateliers tout le continent en une trentaine d’années, « tissant un réseau de communications culturelles calqué sur celui des échanges marchands ». L’Europe « se constituait ainsi en un marché où la pensée se vendait et s’échangeait » [4].
Or, si l’imprimerie est utilisée tout d’abord pour tirer bibles, placards, indulgences, calendriers, almanachs, grammaires, dès la fin du XVe siècle apparaissent des publications à caractère journalistique (ou parajournalistique) à l’occasion d’un événement important (et d’un seul) : bataille, funérailles princières, fête, vie à la cour,… dont elles font le récit. On les appelle occasionnels. Mais, un peu plus tard, on assiste aussi à la naissance des canards, adressés à un public plus populaire, qui font le récit de faits surnaturels, miracles, crimes, catastrophes naturelles et tout ce qui relève du monstrueux, du merveilleux, de l’extraordinaire, souvent illustrés et écrits dans un langage simple. C’est-à-dire : le fait divers et le sensationnel, fruits volontiers d’une imagination plus ou moins fertile. Plus tard encore, au début de XVIe siècle, paraissent les libelles axés sur la polémique religieuse, d’abord, et sur la polémique politique, ensuite. Ils sont donc axés sur l’expression d’opinions et le combat idéologique, l’agressivité et l’exaltation en étant des condiments fort prisés [5].
Autant dire que le souci des éditeurs-imprimeurs de « vendre du papier » (de « faire de l’audience », pourrait-on dire en termes plus larges et plus de nos jours) remonte aux origines. Informer n’est pas nécessairement leur premier souci. Et ils ne sont d’ailleurs pas très regardants sur la qualité des contenus proposés aux lecteurs, ayant volontiers recours à l’affabulation, voire à la pure imagination, à la spéculation et à l’anathème afin de faire mousser l’intérêt du public pour les feuilles qu’on lui propose d’acheter. Stimuler et approfondir le marché était une préoccupation présente chez les éditeurs-imprimeurs, qui cherchaient ainsi à diversifier leur production.
À leur début, ces différents types de publications paraissent de manière ponctuelle, occasionnelle. Quand la question de la périodicité se pose, les imprimés sont d’abord annuels ou semestriels. Ces derniers apparaissent presque un siècle et demi après la découverte de l’imprimerie, et il faut attendre la fin du XVIe siècle pour les premiers mensuels. En mettant en place des courriers [6] qui partent des villes importantes une fois par semaine, la poste favorise la création d’hebdomadaires au début de XVIIe siècle. Mais ce n’est qu’en 1650, deux siècles après la découverte de l’imprimerie typographique, que paraît le premier quotidien [7].
Du fait même de la lenteur des circuits empruntés par l’information, d’une composition manuelle et d’une impression à force de bras, le contenu des feuilles proposées aux lecteurs ne brille pas par sa fraîcheur. Le premier numéro de La Gazette, premier hebdo français lancé par Théophraste Renaudot, daté du 30 mai 1631, publie des informations en provenance de Constantinople (datant du 2 avril), « de Rome (26 avril), de Haute-Allemagne (30 avril), de Silésie (1er mai), de Venise (2 mai), de Vienne (3 mai), de Stettin (4 mai), de Prague (5 mai), de Francfort-sur-le-Main (14), d'Amsterdam (17), d'Anvers (24 mai) » [8]
Des censures à la liberté avant la massification
En outre, à partir de 1478-79, la presse subit les affres de la censure ecclésiastique (épiscopale ou papale [9]) et celle du pouvoir civil (impérial, royal ou territorial), tous les textes destinés à impression devant leur être soumis au préalable. Bien souvent, le nombre d’imprimeries sera officiellement limité (en 1586, la Star Chamber décide ainsi que le droit d’imprimer sera limité aux seules villes de Londres, Oxford et Cambridge [10]) et il faudra disposer d’un privilège pour pouvoir s’établir en tant qu’imprimeur. Car l’information est clairement perçue comme un outil indispensable aux gens du pouvoir pour qu’ils puissent exercer ce pouvoir. Bien souvent, les premiers périodiques sont d’ailleurs lancés à l’initiative de l’entourage même des souverains : ce fut le cas de La Gazette, en France, hebdomadaire paru en 1631 à l’initiative de Théophraste Renaudot, protégé du cardinal duc de Richelieu, Premier ministre de Louis XIII ; mais ce fut le cas également de la Gazeta Nueva, en Espagne, lancée en 1661 à l’initiative de Francisco Fabro Bremundan, secrétaire de Juan José d’Autriche, Premier ministre de Carlos II, son demi-frère.
Il faut attendre 1695 pour que la censure soit abolie en Angleterre, la Révolution française, un siècle plus tard, imposant le principe de la liberté de la presse : « la libre communication des pensées et des opinions est un des droits les plus précieux de l’homme ; tout citoyen peut donc parler, écrire, imprimer librement sauf à répondre de l’abus de cette liberté dans les cas déterminés par la loi ». Quitte à ce que, pendant deux siècles encore, la censure sévisse ici et là sur le continent européen, pendant des durées de temps parfois très longues, notamment lors de conflits armés, surtout si le propre pays y est impliqué, ou sous des régimes autoritaires, voire dictatoriaux, dont on connaît toujours des cas aujourd’hui en Europe.
Comme les mécanismes des censures n’étaient manifestement suffisants pour restreindre la circulation de l’information, on a établit de nouveaux mécanismes pour restreindre le public qui pouvait y avoir accès. Ainsi, le 1712, le parlement anglais a décidé d’imposer aux journaux un droit de timbre selon leur format, ainsi qu’un droit sur chaque annonce publiée. Dispositions renforcées à diverses reprises, rendant les journaux de plus en plus chers et, dès lors, à seule portée des bourses des milieux sociaux aisés. Dispositions qui n’ont été supprimées qu’en 1855 [11].
Avec l’industrialisation de la presse au XIXe siècle, les tirages augmentent et les journaux atteignent des publics beaucoup plus vastes. Les coûts de production par exemplaire diminuent considérablement et l’introduction de la publicité comme source de revenus (outre la vente) permet de baisser fortement le prix d’achat : quand il lance La Presse à Paris, le 1er juillet 1836, Émile de Girardin — s’inspirant de la presse anglaise, le précurseur en cette matière ayant été The Daily Advertiser, lancé en 1730 — décide d’avoir recours à la publicité, ce qui lui permet de fixer l’abonnement à son quotidien à exactement moitié de qu’il est habituellement [12]. D’où une diversification des publications comme des contenus proposés aux lecteurs, les faits divers faisant alors leur entrée à différents degrés dans des journaux autrefois consacrés prioritairement à l’information politique et culturelle.
Cette diversification des publications et des contenus s’accentue jusqu’aux années 1950-60. Les quotidiens dits « populaires » deviennent largement dominants en termes de diffusion, consacrant une place parfois démesurée aux titres et aux illustrations, aux affaires de sexe et de sang, aux spectacles et aux sports, cherchant à susciter l’intérêt des lecteurs et l’acte d’achat. Alors que les quotidiens dits « de référence », plus sobres et privilégiant la politique, l’économie et la culture, doivent se contenter de diffusions plus modestes, de loin inférieures à celles des « populaires » [13].
Ainsi donc, l’histoire se répète à une échelle différente. On parle de quelques dizaines à quelques maigres milliers d’exemplaires du XVIe au XVIIIe siècles. Mais dans les dernières décennies du XIXe siècle, on parle déjà de centaines de milliers, voire de millions d’exemplaires dès le tournant du XIXe au XXe siècle [14]. Et la logique financière s’impose [15], du fait d’équipements de plus en plus lourds et d’équipes de production de plus en plus nombreuses [16]. Ce qui implique une guerre commerciale entre journaux en quête de lecteurs, entraînant une logique d’ « exclusivités » et une multiplication d’éditions tout au long de la journée [17]. Car il s’agit d’annoncer des « coups », devancer les concurrents et proposer l’information la plus fraîche possible, provoquant une surenchère et des dérapages célèbres, comme quand le parisien La Presse daté du 10 mai 1927 annonce sur sept colonnes à la une l’arrivée des aviateurs français Charles Nungesser et François Coli à New York, où ils ont été accueillis par une foule enthousiaste, alors que leur avion s’est abîmé dans l’Atlantique !…
Le déclin de la presse et la montée des rivaux
La presse était alors un média tout puissant. Mais l’arrivée de la radio dans l’entre-deux-guerres va lui infliger des coups de boutoir, pouvant annoncer l’information plus vite qu’elle, les délais de production de la presse étant inévitablement plus longs. Dans des circonstances exceptionnelles, la radio va même couvrir l’actualité en temps réel : ce fut le cas en Belgique lors des funérailles du roi Albert 1er, le 20 février 1934.
Le déclin de presse en tant que média d’information dominant devient évident fin des années 1940, début des années 1950. Peu à peu, la radio s’impose comme un média d’information performant, suivant l’actualité tout au long de la journée : en 1947, la radio publique belge francophone [18] compte cinq éditions journalières, en 1952 huit, en 1960 quatorze [19]. Et la télévision fait ses premiers pas, devenant le média auquel les citoyens consacrent le plus de temps libre (la lecture presse perdant ainsi du terrain) et, dans les années 1960-70, le média d’information dominant. Parallèlement, radio et télévision vont recueillir de plus en plus de recettes publicitaires au détriment de la presse qui s’affaiblit, alors même que dans les années 1960-70 elle doit se reconvertir technologiquement dans la photocomposition et l’impression en offset, ainsi comme dans la quadrichromie.
Toutefois, pendant un demi-siècle, ce qui n’était plus concevable en termes de presse, l’est resté pour la radio, d’abord, et pour la télévision, ensuite : un contrôle plus au moins étroit de l’État, ce qui revenait à dire, à quelques nuances près, un contrôle du monopole public de l’audiovisuel par les forces politiques dominantes, détentrices du pouvoir dans chaque État. Les années 1970-80 sont cependant marquées par la démonopolisation du secteur audiovisuel [20]. Grâce à la modulation de fréquence, aux réseaux câblés, aux satellites géostationnaires et aux antennes paraboliques, on assiste à une énorme prolifération de stations de radio et de télévision : dans l’importe quel pays européen on peut aujourd’hui capter des dizaines voire des centaines de programme audiovisuels. Ce qui a trois conséquences fort importantes : l’instauration d’un féroce régime de concurrence entre médias, l’adoption de plus en plus fréquente d’une pratique de l’information en temps réel et une énorme fragmentation des investissements publicitaires entre médias chaque jour plus nombreux.
En fait, on a joyeusement confondu prolifération des émetteurs et pluralisme, alors que la multiplication des rédactions et la baisse des recettes publicitaires entraîne un effondrement des moyens humains et financiers dont ils peuvent disposer pour couvrir l’information [21]. Du coup, les médias recourent de plus en plus souvent à des fournisseurs de contenus extérieurs (agences d’informations, de photos, de reportages, d’analyses, de chroniques,…), dont les productions sont évidemment proposées à des nombreux abonnés ou clients ponctuels, provoquant une importante homogénéisation des contenus des médias. Tandis qu’une pratique grandissante de l’information en temps réel entraîne les rédactions dans des dérapages de plus en plus fréquents, faisant oublier régulièrement des principes élémentaires de la pratique journalistique, de sa déontologie et de son éthique.
Quand les récepteurs deviennent émetteurs
Ces tendances s’accentuent encore avec l’arrivée d’internet dans la deuxième moitié des années 1990. La prolifération des médias devient incommensurable. En outre, tout un chacun n’est plus seulement récepteur mais peut aussi devenir émetteur de messages écrits, sonores et/ou visuels. Tandis que l’aire de diffusion dépasse les frontières géographiques habituelles et s’étend désormais sur toute la planète : on peut ainsi avoir accès à des médias du bout du monde auxquels il était absolument impossible d’accéder il y a seulement deux décennies ; mais on peut aussi, au bout du monde, vivre par procuration dans une communauté lointaine dont on est issu ou dont on se sent intellectuellement proche, en ghettoïsant ainsi son propre statut à intérieur de la société où l’on vit.
Toutefois, internet offre aux annonceurs des formes d’interactivité qui facilitent grandement le contact avec les consommateurs. Dès lors, alors même que les annonceurs préfèrent désormais investir dans les hors-« médias classiques », la publicité échappe progressivement à ces derniers (presse, radio et télévision) au profit notamment des médias numériques [22]. À ce détail près que, individuellement, les recettes de ceux-ci sont largement inférieures en valeur à celles des médias classiques.
Ces dernières évolutions ont des conséquences tragiques sur l’information journalistique : beaucoup de quotidiens et d’hebdos en papier cessent de paraître (les français France Soir et La Tribune, le britannique The Independent, l’espagnol Público,…) ; les médias classiques, voyant leurs recettes publicitaires diminuer et leurs ventes fondre à vue d’œil, réduisent fortement leurs équipes de rédaction ; tandis que les nouveaux médias numériques disposent le plus souvent de recettes de la vente de leurs contenus très limitées (les lecteurs s’étant habitués à la gratuité de l’information sur internet), alors même que les recettes de la publicité sont fort maigres.
Autant dire que, un peu partout en Europe, il y a de plus en plus de journalistes dans des situations professionnelles précaires ou bien plus simplement au chômage. Du coup, les médias véhiculent davantage textes, sons et images proposés par des services de communication d’institutions, entreprises et individualités désireuses de les voir véhiculer des sujets qui les mettent en valeur et donnent une image positive d’elles. Une pratique développée à partir des années 1960 et fort répandue de nos jours, rappelant étrangement les contenus paraissant dans les périodiques nés au XVIIe siècle dans l’entourage des souverains…
Parallèlement se développe ce que l’on a pompeusement appelé le « journalisme citoyen ». Autrement dit : tout un chacun peut rendre compte, interpréter et prendre position face à des faits d’actualité. Et beaucoup d’éditeurs accueillent avec bienveillance ce « journalisme citoyen », question de remplir gratuitement des pages de journal, du temps d’antenne et de l’espace des médias en ligne. Mais s’agit-il encore-là de journalisme au sens propre du terme ? À l’évidence, la dose de militantisme, d’humeur et d’égocentrisme y est le plus souvent fort élevée, tandis que les notions de compte rendu factuel et de rigueur en sont bien souvent absentes, quand ce n’est pas la totale absence de compétence sur les sujets sur lesquels les « journalistes citoyens » se prononcent sans retenue qui devient manifeste…
L’accélération d’un processus
Au fond, les inquiétudes que l’on manifeste aujourd’hui au sujet de l’évolution du journalisme ne sont pas particulièrement originales. Insuffisances, dérapages et dérives ont marqué son histoire tout au long des cinq siècles de la presse et plus particulièrement le siècle et demi de la « grande presse ».
Les médias se trouvent à un tournant, comme chaque fois que les supports et les techniques de production ont changé : papier de tissu, caractères en plomb, presse à bras, papier de bois, presse à vapeur, composition mécanique, rotative, télégraphe, téléphone, ondes hertziennes, photocomposition, offset, réseaux câblés, satellites géostationnaires, numérisation des signes, internet… Une suite de tournants qui ont chaque fois accéléré le processus de l’information, de la prise de connaissance d’un fait à sa communication aux citoyens. Une accélération qui conduit, le moment venu, à une pratique de plus en plus large de l’information en temps réel, qui est, par bien des côtés, la négation même du journalisme. Car le métier de journaliste consiste avant tout dans la quête de faits, situations et opinions (suivie d’une rigoureuse vérification des données factuelles avancées), leur sélection et hiérarchisation selon des critères qui font la spécificité du média, leur contextualisation et interprétation, ainsi que l’éventuelle prise de position qu’ils supposent. Et tout cela en conformité avec des principes déontologiques progressivement affinés tout au long de ce dernier siècle et demi, mais aussi avec des principes éthiques qui caractérisent notre vie en société démocratique. Un ensemble de prérequis qui supposent du recul par rapport aux événements et du temps pour mener à bien la suite normale des opérations qu’il convient d’effectuer.
À cet égard, l’accélération du processus de l’information et l’avalanche de nouvelles qu’elle provoque était déjà mis en question en 1628, en Grande-Bretagne, par Robert Burton, professeur à l’Université d’Oxford, qui « deplora el flujo continuo de la noticias, tan rapidamente olvidadas como recibidas » [23].
Pourtant, malgré dérives et dérapages, le journalisme au sens fort du terme survivra. Car les milieux dirigeants de nos sociétés auront toujours besoin d’une information de qualité (en termes de factualité et de valeur ajoutée dans l’interprétation et l’analyse) et seront toujours prêts à payer pour pouvoir y accéder. D’ailleurs, c’était déjà le cas dans l’Antiquité comme au Moyen Âge : pour rendre possible la gestion de leurs domaines, les administrations publiques ont mis en place des réseaux de collecte et de diffusion d’information, les messagers, notamment, y jouant un rôle clé dans la transmission, orale ou écrite, des nouvelles. Mais, en marge des réseaux « officiels », les milieux dirigeants, notamment les milieux économiques, développaient des réseaux « privés », de manière à être en mesure de prendre des décisions pertinentes. Il s’agissait pour ces derniers de savoir quelles marchandise étaient arrivées à tel port ou telle foire ; quel étaient les prix de ces marchandises ; quelle était la situation politique dans tel pays et était-elle favorable aux affaires ; quelle était la situation financière de tel client ; quel était l’état des voies de communication ; quelle étaient les risques des voyages…
Les trois vrais changements
Ce besoin d’information est devenu particulièrement évident « avec l’épanouissement d’une économie monétaire, des foires commerciales et des villes » [24]. Autrement dit : « la mise sur pied de réseaux commerciaux permanents et florissants requiert l’apparition et la circulation d’informations sur les conditions de ce commerce » [25]. Dès lors, « pour faciliter leurs opérations spéculatives, les maisons de banque, italiennes ou allemandes, prirent l’habitude d’envoyer de filiales en filiales des sortes de bulletins relatifs à la situation des marchés, appelés avvisi ou zeytungen » [26]. On retrouve déjà des traces de l’existence de nouvelles manuscrites en Angleterre comme à Venise au XIIIe siècle. Et, « dès le XIVe siècle au moins, les nouvelles étaient devenues une véritable marchandise et des nouvellistes […] organisèrent pour des princes ou des marchands des services réguliers de correspondances manuscrites. Ces nouvelles à la main […] ont laissé des traces dans toute l’Europe. Elles prirent un essor considérable au XVIe siècle » [27] et, malgré la « découverte » de l’imprimerie, ont continué d’exister pendant quelques siècles encore, échappant aisément aux tracas des diverses censures [28]. « La difusión de las noticias manuscritas, copiadas por escribas profesionales, dirigidas a una red de suscriptores o bien vendidas en las tiendas de los libreros londinenses es un negocio rentable en la Inglaterra del siglo XVII » [29].
En revanche, la grande majorité des citoyens sont et seront dans l’avenir livrés à une information gratuite conçue dans une perspective de divertissement, de distraction : la question du coût mise à part, était-ce tellement différent un siècle auparavant ? En outre, cette information gratuite ou à très bon marché sera largement fournie par des entreprises, institutions et hauts dirigeants, l’intervention des médias se limitant le plus souvent à des opérations purement techniques : mais ces documents prêts à publier n’ont-ils pas envahi progressivement les rédactions depuis une cinquantaine d’années ?…
Les médias d’information de qualité ont toujours été, sont et seront probablement chaque fois plus des outils destinés prioritairement aux milieux dirigeants et, au fond, cela n’a pas tellement changé tout au long de l’histoire. Un vrai changement est aujourd’hui la disparition accélérée des « éditeurs purs » (ceux dont l’activité première était les médias et l’information journalistique) en faveur de financiers et industriels peu suspects d’un amour subit pour l’activité éditoriale ou journalistique, un changement qui est évident dans les cas de l’Italie, de la France ou du Portugal. Les médias d’information grand public deviendront-ils de simples organes de communication des activités et intérêts de ces mieux financiers et industriels ?…
Un autre changement qui n’est absolument pas négligeable : la renaissance de l’information avec une sensibilité « progressiste », alors qu’elle a largement disparu des médias classiques à large public. Grâce à la numérisation et à internet, de nouveaux médias d’information « de gauche », voire de « gauche radicale », sont apparus un peu partout en Europe, notamment en Espagne, en France et en Italie. Mais tiendront-ils face aux impératifs économiques d’un média d’information ? La disparition ou perte d’indépendance de médias numériques qui avaient conquis une audience importante (comme celle du français Rue89, par exemple) ont de quoi alimenter un certain scepticisme…
Troisième grand changement : celui qui consiste dans la possibilité que tout un chacun a désormais d’accéder à de sources d’information nombreuses et de chercher ainsi à confronter la qualité de l’information qu’on lui propose. Contrairement à ce qui se passait voici un siècle à peine, nul média ne s’impose plus aujourd’hui aux yeux d’un citoyen comme « bible » fiable, indiscutable, de l’information : le doute et la confrontation des sources ont gagné du terrain. Le journalisme des médias grand public pourra-t-il rester indifférent à une telle évolution comportementale des citoyens ?…
Un nouveau grand tournant de l’histoire des médias d’information s’annonce. Et, comme lors de tout grand tournant, on ignore quelle sera vraiment son issue. Mais tout porte à croire que l’information au sens fort du terme (en termes de factualité, interprétation, analyse et commentaire) restera un outil indispensable aux milieux dirigeants de nos sociétés qui tiendront dès lors, coûte que coûte, à préserver sa pertinence et sa qualité…

Professeur émérite de l’Université libre de Bruxelles, J.-M. Nobre-Correia y a notamment enseigné la Théorie de l’Information Journalistique, l’Histoire des Médias en Europe et la Socio-économie des Médias en Europe (1970-2011). Parallèlement, il a été professeur invité à l’Université Paris II (1996-2006), professeur visiteur à l’Universidade de Coimbra (1996-2001) et membre du conseil scientifique de l'Europäisches Medieninstitut de Düsseldorf (1995-2004).



[1] Voir à ce propos J.-M. Nobre-Correia, « La crisis des periodismo : Cierta muerte anunciada », in Telos, Madrid, Fundación Telefónica, n° 66, janvier-mars 2006, pp. 14-21.
[2] Manuel Vázquez Montalbán, Historia y comunicación social, Barcelona, Mondadori, 2000, pp. 79-80.
[3] La technique de l’imprimerie consiste essentiellement dans l’emploi de caractères mobiles en métal, de l’encre grasse et de la presse à bras.
[4] Henri-Jean Martin, Histoire et pouvoirs de l’écrit, Paris, Albin Michel, 1996, pp. 216 et 252.
[5] « Dès 1517, le moine Martin Luther avait affiché, aux portes de la chapelle des Augustins de Wittenberg, ses propositions contre les Indulgences. Presque aussitôt, les premières campagnes de presse de caractère moderne, se déchaînaient à travers l’Allemagne, à grand concours d’affiches, de pamphlets et de caricatures » (Henri-Jean Martin, Histoire et pouvoirs de l’écrit, p. 240).
[6] Le courrier postal a été mis en place sur tout le territoire espagnol par les Rois catholiques, Fernando d’Aragon et Isabel de Castille, en 1492. V. aussi Asa Briggs et Peter Burke, A Social history of the media, Cambridge, Polity Press, 2007, p. 21.
[7] On considère généralement The Daily Courant, lancé en 1702 à Londres, comme le premier quotidien au monde. Pourtant, on sait aujourd’hui qu’il y a eu avant lui le Norwich Post, en 1701, dans le sud-est de l’Angleterre. En réalité c’est à Leipzig qu’un demi siècle auparavant, en 1650, l’imprimeur et libraire Timotheus Ritzsch lance les Einkommende Zeitungen, qui paraissent six jours sur sept, sur quatre pages de 135 x 170 mm, tiré à 200 exemplaires. Mais le privilège dont dispose Ritzsch arrive à expiration en 1652 et le quotidien cesse de paraître. En obtenant quelques années plus tard un autre privilège, Ritzsch lance le 1er janvier 1660 la Neu-einlauffende Nachricht von Kriegs-und Welt-Händeln, qui paraît six jours sur sept et même, quelque temps plus tard, sept jours sur sept, jusqu’en 1668 (V. à ce sujet Giovanni Gozzini, Storia del giornalismo, sl, Bruno Mondadori, 2000, p. 36 ; Pierre Albert et Ursula E. Koch, Les Médias en Allemagne, Paris, PUF, 2000, p. 7).
[8] Louis Trenard, "La Presse française des origines à 1788", in Claude Bellanger et al. (dir.), Histoire générale de la presse française, tome I, Paris, PUF, 1969, p. 87.
[9] Et en 1543, le pape « Paul III crée le principe de l’ « imprimatur », un visa préalable de la censure ecclésiastique pour toute œuvre imprimée.
[10] Giovanni Gozzini, Storia del giornalismo, p. 13.
[11] Henry Appia et Bernard Cassen, Presse, radio e télévision en Grande-Bretagne, Paris, Armand Colin, 1969, pp. 24 et 34.
[12] Émile de Girardin, Almanach de la France, cité par Claude Vielfaure (dir.), La Publicité de A à Z, Paris, Retz, 1975, p. 219. V. aussi Giovanni Gozzini, Storia del giornalismo, p. 30.
[13] Au Royaume Uni, si le Daily Mirror a une diffusion de 4 567 mille exemplaires en 1950 et de 4 649 mille en 1960, celle de The Times n’est que de 254 mille et de 260 mille respectivement (Colin Seymour-Ure, The British Press and Broadcasting since 1945, Oxford, Blackwell, 1991, pp. 28-29).
[14] Le tirage global des quotidiens parisiens passe de 2 millions d’exemplaires en 1880 à 5,5 millions en 1914 (Marc Martin, Médias et journalistes de la République, Paris, Odile Jacob, 1997, p. 83). Toujours à Paris, en 1910, Le Petit Parisien avait un tirage de 1,4 million d’exemplaires, Le Petit Journal de 835 mille, Le Journal de 810 mille et Le Matin de 670 mille (Pierre Albert, « La Presse française de 1871 à 1940 » in Claude Bellanger et al. [dir.], Histoire générale de la presse française, tome III, Paris, PUF, 1972, p. 296).
[15] La presse devient un secteur où l’on investit, en espérant devenir riche (V. à ce propos José Tengarrinha, Nova história da imprensa portuguesa, Lisbonne, Temas e Debates, 2013, p. 319. En France, par exemple, plusieurs hommes d’affaires, voire des banquiers, ont décidé d’investir dans la presse au XIXe siècle. On retrouvera cette situation au XXe siècle non seulement avec la presse mais aussi avec la radio et la télévision, en France (Jean Prouvost, Marcel Dassault, Jean-Luc Lagardère, Francis Bouygues, Vincent Bolloré,…) comme en Italie (Giovanni Agnelli, Adriano Olivetti, Carlo De Benedetti, Silvio Berlusconi,…), par exemple.
[16] En 1914, le quotidien parisien « Le Matin avait 150 rédacteurs, 550 employés, 200 ouvriers ; Le Petit Parisien, 75 rédacteurs seulement, mais 450 correspondants en province, 400 employés et 370 ouvriers » (Pierre Albert, « La Presse française de 1871 à 1940 », p. 297)
[17] Fin des années 1960, le bruxellois Le Soir publiait encore sept éditions tout au long de la journée…
[18] Elle s’appelle alors INR (Institut National Belge de Radiodiffusion), deviendra RTB (Radio-Télévision Belge) en 1960 et RTBF (Radio-Télévision Belge de la Communauté française) en 1977.
[19] J.-M. Nobre-Correia, Histoire des médias en Europe, volume 2, Bruxelles, PUB, 2010, p. 247.
[20] Depuis la fin de la Seconde Guerre mondiale, radio et télévision vivaient en Europe en régime de monopole public ou du moins de monopole public pour chacune des communautés linguistiques d’un État. Curieusement, seuls les régimes autoritaires du Portugal et de l’Espagne reconnaissaient l’existence de stations publiques et de stations privées en radio. Alors que la France, en plus de la radio publique, tolérait l’existence de quatre « radios périphériques » privées émettant depuis la périphérie du territoire français : RTL (Luxembourg), RMC (Monaco), Europe 1 (Sarre) et Sud Radio (Andorre)…
[21] Voir à ce propos J.-M. Nobre-Correia, « L’aube d’un nouveau monde », in Politique, Bruxelles, n° 91, septembre-octobre 2015, pp. 16-18.
[22] Une étude récente du cabinet d’études IHS affirmait qu’ « en 2015, la publicité en ligne en Europe est devenue le premier média en termes de revenus publicitaires, devançant pour la première fois la télévision » (Sarah Belouezzane, « La pub en ligne dans le viseur du gendarme de la concurrence », in Le Monde, Paris, 25 mai 2016, p. 8 du cahier « Éco & Entreprise »).
[23] Roger Chartier, « Introducción », in Roger Chartier y Carmen Espejo (dir.), La aparición del periodismo en Europa, Madrid, Marcial Pons, 2012, p. 22.
[24] Giovanni Gozzini, Storia del giornalismo, p. 4.
[25] Nicolas Will, Essai sur la presse et le capital, Paris, UGE, 1976, p. 14.
[26] Louis Trenard, "La Presse française des origines à 1788", in Claude Bellanger et al. (dir.), Histoire générale de la presse française, tome I, Paris, PUF, 1969, p. 28.
[27] Pierre Albert, Histoire de la presse, 8e éd, Paris, PUF, 1996, p. 7. V. aussi Manuel Vázquez Montalbán, Historia y comunicación social, pp. 54-55.
[28] Manuel Vázquez Montalbán, Historia y comunicación social, p. 55.
[29] Roger Chartier, « Introducción », p. 24.



Texto publicado na revista Telos, Madrid, n° 105, outubro 2016-janeiro 2017, pp. 13-22.