quinta-feira, 28 de abril de 2022

Cova da Beira tão linda !

J.-M. Nobre-Correia

“Cova da Beira tão linda / nem rosa num roseiral” (Adolfo Portela)

Um pouco abaixo do Monte de São Braz, na encosta norte da Serra da Gardunha, quase mesmo à beira do Fundão, a Pedra d’Hera (com um “H”, senhores do Google Map !), representa para os fundanenses um sítio de certo modo mítico.

Um sítio em todo o caso com uma visão inigualável da Cova da Beira, do Fundão, do Tortosendo, da Covilhã e de diversas outras localidades, assim como da majestosa Serra da Estrela, das suas Penhas da Saúde e da sua Torre.

Um sítio que deveria merecer muito mais atenção da parte dos responsáveis do turismo local/regional, da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal do Fundão… Começando por instalarem uma sinalética elementar, quando apenas uma única indicação existe perto da estação de tratamento da água. Quando, por aí acima, por caminhos muitas vezes bastante íngremes, as bifurcações são numerosas e as oportunidades para um caminhante/turista se perder são também manifestamente numerosas…

Depois, os caminhos estão pouco cuidados, muitas vezes escorregadios, popr vezes cheios de água ou de lama… E faltam manifestamente uns elementares pontos de apoio, uns bancos a permitirem pausas de descanso, devidamente adaptados e inseridos neste ambiente de floresta, de pinheiros e de cerejeiras…

Como promover a beleza natural desta Serra da Gardunha e desta Pedra d’Hera, nomeadamente junto dos turistas do Parque de campismo e do Hotel do Convento do Seixo, um e outro ai mesmo ao lado, na base da Gardunha, quando as estruturas mais elementares são praticamente inexistentes ? Isto parra não falar de outros caminhantes/turistas vindos de propósito para admirar a natureza e o panorama da Cova da Beira…

Pensem nisso, senhores da Administração Pública ! Deixem-nos usufruir agradavelmente das belezas da Gardunha e da Cova da Beira !…

 



 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Decididamente, nada muda nesta RTP

J.-M. Nobre-Correia

Uma vez mais, como há já dois meses, o telejornal das 13h00 de hoje na RTP 1 abriu com a Ucrânia, hoje durante 25 minutos !  Mais do que a duração do telejornal da pública alemã ARD e quase tanta como a dos telejornais da pública belga RTBF (que só abordou a Ucrânia muito rapidamente a meio do jornal) e da pública francesa France 2…

E eu a pensar que os critérios de seleção dos factos de atualidade e de alinhamento destes factos num jornal davam a prioridade aos que têm uma incidência na vida quotidiana imediata dos cidadãos a que se endereça !…

  

terça-feira, 26 de abril de 2022

Que jornalismo é este ?!

J.-M. Nobre-Correia

Veem-se coisas nos média portugueses absolutamente inacreditáveis em termos editoriais !…

O texto publicado hoje pela deputada Mariana Mortágua no Jornal de Notícias é absolutamente inqualificável. E eu teria perfeitamente compreendido que o Jornal de Notícias tivesse muito simplesmente decidido não o publicar : não se devem impor aos leitores querelas pessoais de alguém que se acolheu ou convidou como cronista.

Se a deputada Mariana Mortágua tinha problemas de princípio com a entrada de Marco Galinha no capital do jornal em que colaborava (o que seria perfeitamente compreensível), deveria pura e simplesmente ter deixado de escrever no dito jornal.

Este texto lembra-me o de Baptista-Bastos quando, se não me engano, os seus serviços como cronista foram dispensados pelo Diário de Notícias e passou a escrever no Correio da Manhã (ou no Jornal de Negócios do mesmo grupo deste ?) e resolveu atacar sordidamente o diretor do precedente jornal. O que achei perfeitamente inqualificável em termos editoriais e jornalísticos.

Fui cronista mensal, quinzenal ou semanal em pelo menos quatro magazines belgas de língua francesa. Como o fui em pelo menos dois semanários e em seis diários portugueses. As minhas crónicas tiveram fim por vezes por iniciativa dos diretores das publicações, outras vezes por minha própria iniciativa. Mas nunca, nunca por nunca ser a minha conceção da prática jornalística e da deontologia jornalística me levou a dar um tal remate final às minhas colaborações : os leitores esperavam de mim perspetivação e análise da atualidade, e não estados de alma e querelas pessoais…

  

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Qual 25 de Abril, qual quê ?!

J.-M. Nobre-Correia

Viram o telejornal das 20h00 da RTP 1 ? Abriu com a cerimónia na Assembleia da República largamente consagrada ao inquilino de Belém (porque, como é sabido, para os média, é ele que decide de tudo), mais uma passagem rápida pela residência do primeiro-ministro, mais umas declarações de líderes partidários. O que, no total, durou exatamente seis minutos.

Viram os festejos que houve um pouco por toda a parte no país ? Ou viram mais alguma “peça” de caráter histórico e de análise sobre a data histórica ? Qual quê ?!…

Depois, claro, veio a inevitável e original Ucrânia. O que passou a ser o-pão-nosso-de-cada-dia que nos dão há mais de dois meses. E o que durou até às 20h25 : dezanove minutos !

As eleições presidenciais em França chegaram depois, com especial atenção dada às manifestações violentas… Interpretações sociológicas e políticas dos resultados ? Qual quê ?!…

Haja paciência ! E não esqueçamos que há sempre canais estrangeiros de informação para saber como vai a atualidade no mundo. Ou canais de cinema para esquecer a miséria do jornalismo na RTP…

  

domingo, 24 de abril de 2022

A democracia vai mal…

J.-M. Nobre-Correia

Que num país essencial no concerto europeu como a França — com o que ela representa em termos históricos e culturais, mas também em termos geopolíticos no plano internacional atual — haja, segundo as estimativas dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais de hoje,

• 28,20% de cidadãos que tenham decidido não ir sequer votar nesta segunda volta, quando se tratava no fim de contas de escolher realmente a forma de sistema político que dirigirá a França, entre uma democracia liberal (seja ela formal) e uma democratura iliberal,

• 41,20% de cidadãos que tenham decidido apesar de tudo votar por uma candidata néo-fascista, anunciadora de uma sociedade claramente autoritária e repressiva, ferozmente anti-União Europeia e velha aliada de personagens pouco recomendáveis como Viktor Orbán e Vladimir Putin,

• que a maior parte dos cidadãos dos departamentos e territórios do ultramar, maioritariamente não-“brancos”, de ascendência não-europeia, tenha votado maioritariamente por uma candidata xenófoba, racista, que obteve mesmo mais de 60% dos sufrágios na Guiana, na Martinica e na Guadalupe,

estes três dados factuais constituem provas suficientes de que a democracia francesa, e até mesmo a democracia “tout court”, vai mal, muito mal e até inquietantemente mal nesta nossa Europa…

Dias particularmente sombrios parecem pois anunciar-se: há por demais preocupantes indícios disso…

A inevitável recomposição das forças políticas francesas por ocasião das eleições legislativa de 12 e 19 de junho será determinante: os três grandes polos surgidos por ocasião destas presidenciais (extrema direita, centro direita e esquerda radical) sairão reforçados das legislativas? E de que estabilidade governamental poderá contar então a França após estas legislativas?…

No horizonte da cena democrática francesa, a probabilidade das incertezas parece ser bem maior do que a fragilidade das certezas…

  

sábado, 23 de abril de 2022

Conceções de telejornais…

J.-M. Nobre-Correia

Já não há paciência para ver um telejornal da RTP 1 ! Hoje, às 20h00, como há praticamente dois meses, o telejornal abriu durante 27 minutos com a Ucrânia !

Depois de ove minutos de publicidade ( ! ), chegaram enfim as eleições presidenciais de amanhã em França. Um país que vai ter que escolher entre um candidato de centro direita e uma candidata de extrema direita. Um país onde vivem largas de centenas de milhares de portugueses…

Não vou falar dos telejornais franceses dada a atualidade no país. Mas no telejornal das 13h00 de ontem da pública belga RTBF 1, que durou 29 minutos, a Ucrânia chegou aos 13 minutos e foi tratada em duas peças que duraram dois minutos no total !…

  

Quando os tudólogos escrevem sobre tudo…

J.-M. Nobre-Correia

Folheio o Expresso, que só agora comprei (com o velho hábito do antigo sábado), e vejo a página 3 de Miguel Sousa Tavares, que ainda não li.

Vejo no entanto que, para preencher a página, Sousa Tavares escreveu um texto “2”, um texto “3” e um texto “4”. E começa o texto “2” dizendo : “A linha da Beira Baixa vai para obras de beneficiação (findas as quais não se ganhará nem um minuto a menos nas viagens) e, em consequência disso, fecha durante nove meses — mais os inevitáveis atrasos”.

Ora, a linha que “vai para obras” e a da Beira Alta e não a da Beira Baixa, segundo li já há alguns dias noutros jornais. Mas, como não sou minimamente especialista em matéria ferroviária, é possível que alguma coisa me tenha escapado. Mas penso que Sousa Tavares, que também não é especialista na matéria, confundiu duas das três Beiras ! O que não o impediu de escrever sobre o assunto, como reconhecido tudólogo todo-o-terreno que é !

Há no entanto que lamentar também que o secretariado de redação do Expresso não tenha assinalado o erro ao autor e corrigido devidamente tal erro…

Consequências de um tudologia demasiadamente praticada pelos média portugueses…