quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Em vésperas de vida nova…

J.-M. Nobre-Correia
Média : ano após ano, o Jornal do Fundão tem vindo irremediavelmente a perder vendas. Há pois que esperar que no dealbar de nova etapa possa voltar a afirmar-se como ator de primeira linha…
Os números que acabam de ser publicados pela APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação) mostram que as coisas não estão a correr lá muito bem ao Jornal do Fundão. É verdade que a situação da imprensa em papel é bastante negativa um pouco por toda a Europa. E que o é particularmente em Portugal, onde há diários, por exemplo, que com as vendas que têm já teriam desaparecido há muito em países onde a imprensa não está prioritariamente ao serviço de interesses exteriores ao mundo da informação.
Em janeiro-dezembro de 2017, o Jornal do Fundão teve em média uma “circulação impressa paga” de 7 586 exemplares, quando em idêntico período do ano anterior ainda tinha 8 006. O que significa uma perda de 420 exemplares. Só que, há dez anos atrás, a “circulação impressa paga” era de 14 025 em 2007 e de 14 440 em 2006. Isto para não falar de um documento endereçado pelo fundador António Paulouro ao autor destas linhas em 2 de abril de 1972 onde escrevia que a “tiragem média” do Jornal do Fundão era de 27 000 exemplares.
É verdade que, sem controle oficial de tiragens e difusões (“circulações” como se diz agora sob a influência do inglês…), todo e qualquer editor (…”publisher” !), em Portugal ou na Europa, declara números superiores à realidade, esperando assim seduzir mais facilmente os anunciantes. Mas talvez esses números fossem, na realidade, no início dos anos 1970, umas três vezes superiores aos de hoje.
É evidente que o Jornal do Fundão beneficiou antes do 25 de Abril do facto de ser desde os começos dos anos 1960 um dos raríssimos jornais situados na área de oposição ao salazarismo. Pelo que teve então vendas bem mais altas do que depois do desaparecimento da Censura, do regresso da liberdade de imprensa e do lançamento de numerosas novas publicações.
Sabemos também que a compra da maioria do capital do Jornal do Fundão pela Lusomundo não foi consequência de um verdadeiro interesse mediático, jornalístico ou publicitário do coronel Luís Silva. E é claro que os proprietários seguintes (a Portugal Telecom, a Controlinveste e atualmente a Global Média, maioritariamente angolana primeiro e agora chinesa 1) não manifestaram seriamente interesse pelo Jornal do Fundão. Os interesses de Joaquim Oliveira, da Controlinveste, na área do futebol explicam no entanto a designação de um diretor geral para o Jornal do Fundão que, na verdade, se encontrava há demasiado tempo desprovido de gestores nas áreas industrial e comercial.
Esta falta de interesse de proprietários maioritários sucessivos explica que tal situação não pudesse durar eternamente. Novos dias se anunciam pois para o Jornal do Fundão. Desejemos-lhe então que ventos generosamente favoráveis lhe permitam afirmar-se de novo na cena jornalística da Beira raiana e, porque não, na paisagem mediática nacional…

[1] Profundo conhecedor da realidade macaense, um leitor deste blogue explica-me por que é desejável dizer que a Global Média é maioritariamente macaense e não chinesa : aqui fica pois a nuance

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