Esta estranha singularidade
J.-M. Nobre-Correia As nossas especificidades em matéria de informação como de vida política em nada engrandecem o país europeu que somos… Viver no extremo oeste da Europa tem as suas vantagens. Mas tem também inconvenientes. Limitemo-nos a evocar uma vantagem: a de termos escapado, dentro das fronteiras nacionais, aos horrores da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. Mas os inconvenientes são também notórios. Um deles é o de vivermos longe do que se passa no resto da Europa. Demasiado alheios a práticas democraticamente consolidadas ao longo de decénios e mesmo de séculos. Fora também dos olhares dos outros europeus para a vida neste cantinho da Europa. A maneira como funciona a vida política e como é concebida a prática jornalística ficam assim confinadas à pequenez do “jardim à beira-mar plantado”. E é pena que os nossos parceiros na União Europeia não se deem conta e não nos chamem à atenção para o lado extravagante de tais situações. Pena sobretudo que a maioria da população, e ...