Mensagens

Em fase de grandes manobras…

J.-M. Nobre-Correia Média : a Global Média decidiu separar-se do Jornal do Fundão . Personagens mais ou menos encobertos agitam-se há já algum tempo nos bastidores, perante a espantosa indiferença de quem não deveria sê-lo… O texto sobre o Jornal do Fundão aqui publicado há duas semanas [ 1 ] , estava escrito em termos tão feutrés , tão feutrés (como diriam os francófonos) que pareceu de facto hermético para boa parte dos leitores. Ou, pelo menos, muitos não perceberam o que estava por detrás da análise proposta. Vamos então mais longe… Como seria de esperar desde que o Jornal do Fundão passou a fazer parte de grupos de média nacionais que não tinham qualquer outra atividade na imprensa regional que se antevia um desfecho assim, uma inevitável separação. Até porque a informação regional nunca fez parte do “coração do negócio” desses grupos (Lusomundo, Portugal Telecom, Controlinveste e Global Média), sendo o Jornal de Notícias de facto um “diário nacional” publicado na segu...

Em vésperas de vida nova…

J.-M. Nobre-Correia Média : ano após ano, o Jornal do Fundão tem vindo irremediavelmente a perder vendas. Há pois que esperar que no dealbar de nova etapa possa voltar a afirmar-se como ator de primeira linha… Os números que acabam de ser publicados pela APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação) mostram que as coisas não estão a correr lá muito bem ao Jornal do Fundão . É verdade que a situação da imprensa em papel é bastante negativa um pouco por toda a Europa. E que o é particularmente em Portugal, onde há diários, por exemplo, que com as vendas que têm já teriam desaparecido há muito em países onde a imprensa não está prioritariamente ao serviço de interesses exteriores ao mundo da informação. Em janeiro-dezembro de 2017, o Jornal do Fundão teve em média uma “circulação impressa paga” de 7 586 exemplares, quando em idêntico período do ano anterior ainda tinha 8 006. O que significa uma perda de 420 exemplares. Só que, há dez anos atrás, a “circul...

Os critérios jornalísticos da RTP…

J.-M. Nobre-Correia Média : ingenuamente, estamos sempre à espera que o serviço público nos proponha um telejornal com um pouco de qualidade. Com a morte do João Varela Gomes, ela ilustrou uma vez mais a sua mediocridade… Viram no telejornal das 20h00 da RTP 1 de terça-feira 27 de fevereiro, o tempo consagrado à morte de João Varela Gomes (militar que foi um ator da história da resistência ao salazarismo e da construção do Portugal do após 25 de Abril) e a forma de tratamento adotada para esta sequência ? E logo imediatamente a seguir, viram também o tempo consagrado à vitória do Sporting sobre o Moreirense e forma como foi tratada esta sequência, com a inevitável entrevista do omnipresente quotidiano treinador do dito clube ? Assim vai esta lamentável televisão dita de "serviço público". E assim vai tristemente o lamentável jornalismo televisivo praticado em Portugal… É esta a tristeza da "informação" que é proposta diariamente aos cidadãos portugueses…...

Dos pequenos potentados locais…

J.-M. Nobre-Correia Política : Consideram-se donos-disto-tudo e acham que podem viver em total impunidade, praticando à ligeira uma singular arbitrariedade sem deverem prestar contas a ninguém… Viver no Portugal “do interior” é de certo modo uma punição. É viver num país de segunda ou mesmo de terceira ordem. Longe dos grandes estabelecimentos públicos e privados de assistência médica do Porto, de Coimbra ou de Lisboa. Longe das escolas secundárias, superiores e universitárias de prestígio da faixa litoral Norte-Centro. Longe da generosa oferta em matéria de cultura e de lazeres largamente centrada em Lisboa. Viver no Portugal “de baixa densidade” é pois sentir-se marginalizado. É ver-se automaticamente considerado pelas gentes do Portugal “de alta densidade” (ou da anti-“baixa densidade”) como cidadãos de segunda categoria. Como indivíduos que pouco ou nada contam nas decisões sobre os destinos do país (e as vagas de incêndios do verão e do outono passados puseram em evidência...

Era uma vez o 'Jornal do Fundão'…

J.-M. Nobre-Correia Média : Quando um semanário de tradição republicana se põe repetidamente a “cobrir” factos de nula importância referentes a um regente agrícola que pretende ser “herdeiro da coroa portuguesa” (sic)… Setenta e dois anos depois, a história do Jornal do Fundão está ainda por escrever. Esperando que, se algum dia o vier a ser, o seja por alguém competente em matéria de história e de imprensa. E, esperemos, que o seja então de maneira multifacetada, à imagem daquilo que foi a história do jornal. E não, de preferência, de maneira unidimensional como tem sido o caso desde há largos anos, por conveniência (no caso de conhecedores no Fundão e arredores) ou por ignorância (daqueles que pensam tudo saber, sobretudo dos lados de Lisboa). Mas se há uma caraterística que parece ter atravessado a história do Jornal do Fundão (salvo análise mais aprofundada sobre o assunto) é o do seu republicanismo. Ora, eis o Jornal do Fundão em três números recentes a cobrir visitas d...

Viver fora do tempo

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J.-M. Nobre-Correia Média : Os critérios de seleção e de hierarquização da informação de atualidade na imprensa diária portuguesa são por vezes surpreendentes, espantosos : a Catalunha é um triste exemplo disso… Muitas vezes, a imprensa portuguesa dá o sentimento de viver fora do tempo. Demasiadas vezes. E demasiado fora do tempo… Assim, por exemplo, os dois diários ditos “de referência”. No Público , as eleições de ontem na Catalunha merecem na primeira página de hoje um título bastante secundário, a uma única coluna num total de cinco (1/5) : “Cidadãos não evitam maioria favorável à separação de Espanha”. Enquanto que o Diário de Notícias põe o acento numa ilustração em baixo de página, a 4/5 colunas, com um título pouco visível : “Vitória histórica do Ciudadanos, mas Catalunha continua dividida ao meio”. É verdade e bem sabido : a Espanha é um Estado situado bastante longe das fronteiras portuguesas. Enquanto que a Catalunha fica mesmo no outro extremo do mundo. Pelo que ...

Os catalães, os média e a Bélgica

J.-M. Nobre-Correia Política : O debate em torno da atualidade catalã tem sido objeto de uma informação pouco cuidada e bastante instrumentalizada. Quando o que está em questão é o direito de um povo escolher o seu destino… Três razões me levaram a aceitar a proposta de intervir nesta sessão consagrada à Catalunha. Quando especificidade e identidade são incontestáveis A primeira : a perceção que eu guardei dos meus primeiros contactos há vinte-trinta anos com colegas professores e investigadores de diferentes autonomias de Espanha, assim como das minhas estadias em diversas autonomias desta mesma Espanha. Duas situações me impressionaram. Nos meios universitários, todos os meus colegas falavam entre si em basco, em catalão e em galego, o castelhano só sendo utilizado no diálogo entre universitários de autonomias diferentes. Mas na rua, e contrariamente ao que pensava antes, tanto em Bilbao como em Pontevedra, a maior parte das pessoas falavam castelhano. Enquanto que na rua...