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Uma obsessiva omnipresença

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J.-M. Nobre-Correia No pós-25 de Abril, o atual chefe de Estado concebeu informação em proveito próprio que em nada dignifica o jornalismo… É evidente que, depois da manifesta falta de dimensão de homem de Estado do seu predecessor, o novo titular da função teria um acolhimento positivo. E como o novo eleito é um personagem caloroso e sorridente, quando o outro era cinzentonamente crispado, grande parte dos cidadãos acolheu-o naturalmente com curiosidade, simpatia e até entusiasmo. No entanto, é notório que o atual presidente da República foi lentamente alargando o espaço da sua intervenção pública. Ultrapassando cada vez mais os limites da função e tomando repetidamente iniciativas que, nos termos da Constituição, não são da sua competência. Abuso que só a fragilidade parlamentar congénita do presente governo permite compreender que não suscite confrontações graves e seja tolerado. Mas há um domínio em que a conceção da presidência pelo atual locatário de Belém é absolutament...

Mon hommage à Michel Fromont

Personne qui a eu de très hautes responsabilités dans les médias belges me dit, de Bruxelles, que  Le Soir n’a pas consacré un seul mot au tout récent décès de Michel Fromont. Michel Fromont a été directeur général de  La Nouvelle Gazette , d’abord, de  La Meuse , ensuite, et du group Sud Presse qu’il a réé, finalement. Et c’esr en tant que directeur général de  La Nouvelle Gazette que, un des tout premiers, il z u le sentiment qu’il fallait que la presse quotidienne se diversifie vers les radios locales naissantes et a lancé  RFM Charleroi en 1983, si j’ai bon souvenir (n’ayant pas ma documentation sous la main). Avant ça, Michel Fromont a été secrétaire général de l’AGJPB, jouant le rôle que l’on imagine aisément au sein de cette association professionnelle forcément présente dans l’actualité des médias. Michel Fromont joua surtout un rôle important et déterminant dans l’opposition frontale à l’arrivée de Robert Hersant au sein du groupe Rossel et plus ...

Do grau zero da “análise”

J.-M. Nobre-Correia Miguel Sousa Tavares ou a indigência de um certo “colunismo” de “comentador” todo-o-terreno… Estamos assim: Miguel Sousa Tavares, grande especialista em todas as matérias (política nacional, política internacional, economia, finanças, ecologia, futebol…) propôs aos leitores do  Expresso de sábado passado um texto em que fala nomeadamente do Alqueva sob o título “A Catalunha e Espanha” ! Para além disto, Sousa Tavares não propõe a mínima informação inédita nem a mais ténue argumentação sobre o tema anunciado pelo título. Antes se limita a alinhar insultos a “intelectuais — alguns do tipo pronto-a-vestir e pronto-a-aderir”, muitos dos quais professores universitários reconhecidos internacionalmente, que ousaram publicar no  Público de 23 de abril um manifesto assinado por 63 individualidades : “Pela democracia e pelas liberdades na Catalunha”  [i] . Assim como ao “anterior chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, do PP, a quem, entre outras debil...

O descalabro anunciado

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J.-M. Nobre-Correia Sindicatos, ordens e ligas são geralmente fatores de reforço do Estado democrático. Não é isso que acontece em Portugal… Um vento nauseabundo sopra sobre a Europa. Um após outro, os pilares fundamentais das sociedades democráticas vão-se desmoronando. De maneira estrondosa na chamada “Outra Europa”. Aquela para a qual a União Europeia quis alargar-se por pura opção anti-russa, quando boa parte desses países não partilharam uma história comum com a Europa Ocidental. Para constatarmos agora que o compreensível anti-soviétismo deles era fruto de considerações histórico-culturais e não exatamente de um real desejo de vida em democracia liberal. E os melhores exemplos de “democraturas” autoritárias são agora a Hungria e a Polónia. Para cá da antiga “cortina de ferro”, os pilares da democracia pluralista desde o século XIX e sobretudo desde após a Segunda Guerra Mundial vacilam fortemente. Com o fim das grandes famílias políticas (e não apenas dos partidos) na Itál...

Sinal dos tempos em que vivemos

J.-M. Nobre-Correia Homenagem, ontem, a José Afonso, por ocasião da passagem do 32° aniversário do seu falecimento. Estavam presentes umas 150 pessoas. Mas nem uma com menos de uns 50-60 anos ! Todas com uns 60, 70 ou mesmo mais de 80 anos… As novas gerações deste país desconhecem o que José Afonso representou nos tempos do salazarismo. O que as letras de muitos dos seus cantos manifestavam como resistência à ditadura, à miséria, à repressão. O que as músicas de muitos dos seus cantos representavam como redescoberta de um formidável cancioneiro popular lamentavelmente esquecido. Esta ausência dos jovens traduz de facto um triste sinal dos tempos em que vivemos. E um triste reflexo dos programas de média audiovisuais nacionais em que impera a música anglófona, mais umas brasileirices e as musiquinhas dos amigalhaços/as com quem se partilham copos, comezainas, festas e namoradas/os. Média audiovisuais que soberanamente ignoram as músicas espanhola, francesa, italiana,… Músicas d...

Do jornalismo bota-fogo

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J.-M. Nobre-Correia Quando os média esquecem que o seu futuro e até a sua sobrevivência estão intimamente ligados aos da democracia plural… Historicamente, a função de emoção sempre coexistiu com a de razão. Os “ocasionais” parajornalísticos, aparecidos em finais do século XV por essa Europa fora, relatavam factos de atualidade com incidência na vida dos meios dirigentes. Mas, um pouco mais tarde, os “canards”, para um público mais popular, falavam de sobrenatural, de milagres, de crimes, de catástrofes naturais mais ou menos excitantes. Com a industrialização da imprensa no século XIX eclodiu também a prática jornalística propriamente dita. E, progressivamente, foram-se decantando dois tipos de imprensa de informação geral. A que dava a prioridade à exposição e interpretação serenas dos factos, a que se dedicará a chamada imprensa de referência. E a que privilegiaria o que era de natureza sensacional, mais preocupada com ingredientes bem condimentados e que se chamará imprensa ...

Um “comentador” do antigamente…

J.-M. Nobre-Correia O  Público  de terça-feira 27 de novembro publicou nada menos de dois « comentários » de Augusto M. Seabra : um sobre um realizador de cinema e outro sobre um cantor de ópera. Confesso nunca tal ter visto num diário de referência europeu, onde os comentários de cinema e de ópera são assumidos por especialistas diferentes e claramente confirmados em cada uma destas áreas culturais. Ora, o dito Seabra procede no caso do cinema como no caso da ópera com uma incrível ligeireza, inadmissível num diário de referência. No primeiro texto, Seabra afirma a certa altura, a propósito do filme  Antes da Revolução  « que Bertolucci fez na sua cidade — também a cidade de Verdi —, Parma ». Ora Verdi nasceu em Roncole (que se chama hoje Roncole Verdi !) na província de Parma, o que não é a mesma coisa que a cidade de Parma. Por outro lado, Seabra despacha em grande velocidade o filme  Novecento  de Bernardo Bertolucci : «...