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A informação que temos ou não…

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J.-M. Nobre-Correia Os governos deste país não podem continuar a alhear-se das condições em que operam os média em matéria de jornalismo… Em recente entrevista na  Visão , é perguntado ao primeiro-ministro o que conta fazer em matéria de ajuda pública à imprensa. Mas António Costa esquiva a questão. Comete assim um erro na avaliação que faz implicitamente do estado da democracia e da cidadania em Portugal. Porque, em termos gerais, os cidadãos são insuficientemente informados e globalmente mal informados. Como poderá desde logo o sistema democrático funcionar de maneira satisfatória, com uma participação ativa e responsável dos cidadãos? Portugal é o país de Europa ocidental onde se publicam menos jornais de informação geral de caráter nacional. Mas é também aquele em que as difusões são mais baixas, com uma taxa de penetração nove vezes inferior ao que é na Escandinávia, por exemplo. E a estes infortúnios vem acrescentar-se uma prática jornalística insatisfatória, vítima de...

No caminho para o abismo

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J.-M. Nobre-Correia Portugal sempre teve uma imprensa de informação geral fraca. E vai acumulando erros de estratégias editorial e comercial… Muitas são as razões que explicam que Portugal seja o país de Europa ocidental com a imprensa de informação geral mais pobre. Desde o preço de venda elevado até à distribuição totalmente insatisfatória. Do conteúdo quantitativamente pouco abundante e bem pouco variado. Da cobertura manifestamente insuficiente da atualidade do país e demasiado centrada na grande Lisboa. De uma atualidade internacional escassa e pouco original, baseada sobretudo em raras agências de informação e raros jornais estrangeiros (quase unicamente anglo-estado-unidenses ou espanhóis). É claro que há também razões históricas para explicar o subdesenvolvimento. A imprensa e nomeadamente a imprensa diária apareceram mais tarde em Portugal do que em boa parte dos países europeus. Durante o século de afirmação da imprensa de informação (1830-1930), Portugal balançou regu...

Uma obsessiva omnipresença

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J.-M. Nobre-Correia No pós-25 de Abril, o atual chefe de Estado concebeu informação em proveito próprio que em nada dignifica o jornalismo… É evidente que, depois da manifesta falta de dimensão de homem de Estado do seu predecessor, o novo titular da função teria um acolhimento positivo. E como o novo eleito é um personagem caloroso e sorridente, quando o outro era cinzentonamente crispado, grande parte dos cidadãos acolheu-o naturalmente com curiosidade, simpatia e até entusiasmo. No entanto, é notório que o atual presidente da República foi lentamente alargando o espaço da sua intervenção pública. Ultrapassando cada vez mais os limites da função e tomando repetidamente iniciativas que, nos termos da Constituição, não são da sua competência. Abuso que só a fragilidade parlamentar congénita do presente governo permite compreender que não suscite confrontações graves e seja tolerado. Mas há um domínio em que a conceção da presidência pelo atual locatário de Belém é absolutament...

Mon hommage à Michel Fromont

Personne qui a eu de très hautes responsabilités dans les médias belges me dit, de Bruxelles, que  Le Soir n’a pas consacré un seul mot au tout récent décès de Michel Fromont. Michel Fromont a été directeur général de  La Nouvelle Gazette , d’abord, de  La Meuse , ensuite, et du group Sud Presse qu’il a réé, finalement. Et c’esr en tant que directeur général de  La Nouvelle Gazette que, un des tout premiers, il z u le sentiment qu’il fallait que la presse quotidienne se diversifie vers les radios locales naissantes et a lancé  RFM Charleroi en 1983, si j’ai bon souvenir (n’ayant pas ma documentation sous la main). Avant ça, Michel Fromont a été secrétaire général de l’AGJPB, jouant le rôle que l’on imagine aisément au sein de cette association professionnelle forcément présente dans l’actualité des médias. Michel Fromont joua surtout un rôle important et déterminant dans l’opposition frontale à l’arrivée de Robert Hersant au sein du groupe Rossel et plus ...

Do grau zero da “análise”

J.-M. Nobre-Correia Miguel Sousa Tavares ou a indigência de um certo “colunismo” de “comentador” todo-o-terreno… Estamos assim: Miguel Sousa Tavares, grande especialista em todas as matérias (política nacional, política internacional, economia, finanças, ecologia, futebol…) propôs aos leitores do  Expresso de sábado passado um texto em que fala nomeadamente do Alqueva sob o título “A Catalunha e Espanha” ! Para além disto, Sousa Tavares não propõe a mínima informação inédita nem a mais ténue argumentação sobre o tema anunciado pelo título. Antes se limita a alinhar insultos a “intelectuais — alguns do tipo pronto-a-vestir e pronto-a-aderir”, muitos dos quais professores universitários reconhecidos internacionalmente, que ousaram publicar no  Público de 23 de abril um manifesto assinado por 63 individualidades : “Pela democracia e pelas liberdades na Catalunha”  [i] . Assim como ao “anterior chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, do PP, a quem, entre outras debil...

O descalabro anunciado

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J.-M. Nobre-Correia Sindicatos, ordens e ligas são geralmente fatores de reforço do Estado democrático. Não é isso que acontece em Portugal… Um vento nauseabundo sopra sobre a Europa. Um após outro, os pilares fundamentais das sociedades democráticas vão-se desmoronando. De maneira estrondosa na chamada “Outra Europa”. Aquela para a qual a União Europeia quis alargar-se por pura opção anti-russa, quando boa parte desses países não partilharam uma história comum com a Europa Ocidental. Para constatarmos agora que o compreensível anti-soviétismo deles era fruto de considerações histórico-culturais e não exatamente de um real desejo de vida em democracia liberal. E os melhores exemplos de “democraturas” autoritárias são agora a Hungria e a Polónia. Para cá da antiga “cortina de ferro”, os pilares da democracia pluralista desde o século XIX e sobretudo desde após a Segunda Guerra Mundial vacilam fortemente. Com o fim das grandes famílias políticas (e não apenas dos partidos) na Itál...

Sinal dos tempos em que vivemos

J.-M. Nobre-Correia Homenagem, ontem, a José Afonso, por ocasião da passagem do 32° aniversário do seu falecimento. Estavam presentes umas 150 pessoas. Mas nem uma com menos de uns 50-60 anos ! Todas com uns 60, 70 ou mesmo mais de 80 anos… As novas gerações deste país desconhecem o que José Afonso representou nos tempos do salazarismo. O que as letras de muitos dos seus cantos manifestavam como resistência à ditadura, à miséria, à repressão. O que as músicas de muitos dos seus cantos representavam como redescoberta de um formidável cancioneiro popular lamentavelmente esquecido. Esta ausência dos jovens traduz de facto um triste sinal dos tempos em que vivemos. E um triste reflexo dos programas de média audiovisuais nacionais em que impera a música anglófona, mais umas brasileirices e as musiquinhas dos amigalhaços/as com quem se partilham copos, comezainas, festas e namoradas/os. Média audiovisuais que soberanamente ignoram as músicas espanhola, francesa, italiana,… Músicas d...