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Uma verdadeira indignidade

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  J.-M. Nobre-Correia Nos anos 1920-1960, o audiovisual europeu foi sendo posto ao serviço dos cidadãos. Em Portugal, as agremiações tomaram conta dele… É verdade que a maioria dos portugueses não vê diferenças. Mas há quem queira pensar ainda que a televisão pública tem algo de melhor do que as privadas. Embora a programação seja igualmente indigente. E, quando não o é, trata-se quase sempre de produções estrangeiras. Até porque a produção própria é rara. Em matéria de informação, a situação é mesmo calamitosa. Até o apregoado telejornal da RTP 2 (que parece ter entrado em deriva) é criticável: as “peças” são as mesmas do primeiro canal, sem montagem e “voz off” diferentes. Os “comentadores”, incapazes de síntese, ocupam boa parte do tempo. “Especialistas” há que botam faladura semanalmente em rubricas cujo interesse é nalguns casos risível. E estes convidados são tratados por “tu” e dizem-lhes saloiamente que “é sempre um gosto” ouvi-los!… Ao que parece, há uma “direção d...

Para uma cidadania participativa

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J.-M. Nobre-Correia A afirmação das democracias fez-se em paralelo com a da imprensa. O 25 de Abril destruiu-a. Urge favorecer o seu relançamento… Em 1787, em Paris, Thomas Jefferson, principal redator da declaração de independência dos Estados Unidos, é categórico: “se tivesse de decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda [situação]”. Mas foi precisamente o contrário que a nova classe dirigente portuguesa decidiu fazer após o 25 de Abril. Com a ajuda de políticos (ou de candidatos a sê-lo) que procuraram fazer dos jornais instrumentos de manobra. De militares que, tendo-se livrado das guerras, não sabiam muito bem para onde se voltar e brincavam aos novos chefes. E de jornalistas (sobretudo de jornalistas-novos) para quem as redações se confundiam alegremente com barricadas de guerrilha permanente. Uns e outros e outros foram assim destruindo os numerosos diários e semanários ditos “nacionais” que rest...

Do ativismo à prisão, à deserção e ao exílio

A evocação da guerra colonial, da chamada “guerra no Ultramar”, continua a ter aspetos raramente abordados e que são por vezes até mesmo apagados da memória coletiva. Pouco se fala deles nas conversas em sociedade. E jornais, revistas e livros pouca atenção prestam a tais temas. Há por aí, pelo país fora, monumentos e lápides que recordam aqueles que participaram na guerra colonial e os que, numerosos, faleceram vítimas desta mesma guerra. Mas quem recorda os que se sentiram forçados ao exílio, empurrados para fora do seu país?… Sabia-se desde o início que a guerra nas colónias estava irremediavelmente perdida e seria inevitavelmente inglória. Porque o movimento geral de reivindicação da independência por povos colonizados começara há largos anos. Porque grandes potências mundiais tinham já abandonado ou estavam a abandonar as suas antigas colónias. Não era pois Portugal, com os seus meios humanos, técnicos e económicos reduzidos que iria poder manter-se em territórios dispersos p...

Melhores dias terão que vir…

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J.-M. Nobre-Correia Com a recente “ajuda aos média” perdeu-se a oportunidade de abordar o fundo da questão da pobreza da imprensa… Estranho ballet a que assistimos há meia dúzia de meses em torno dos média! Ou é o presidente da República que, na sua obsessão de omnipresença, pede para que o Estado os ajude. Ou são o Sindicatos dos Jornalista e a Associação Portuguesa de Imprensa que vão a Belém mendicar ajudas (como se vivêssemos em regime presidencial). Ou são patrões dos média (com proprietários por vezes de países democraticamente pouco recomendáveis) que desfilam na Presidência da República a estender a mão ao Estado. Ou é o próprio governo que mete um pouco os pés pelas mãos, atribuindo ajudas sem previamente esclarecer os critérios adotados e corrigindo depois a grelha anunciada. Ou são até alguns que publicamente pedincharam e dizem agora que, não Senhor, como grandes liberais que são, visceralmente anti-Estado, não pediram nada, o dito Estado não tendo sido generoso com el...

As palavras como traição

J.-M. Nobre-Correia Há sempre qualquer coisa de estranho quando um média fala de um cidadão estado-unidense dizendo ou escrevendo “afro-americano”. Mas, claro — já repararam? —, nunca dizem ou escrevem um “euro-americano”!… No primeiro caso, trata-se de um “negro”: é isso que os média nos querem significar. No segundo caso, não o qualificam com um prefixo porque se trata de um estado-unidense “branco”, que faz parte do grupo étnico que globalmente detém o poder económico, político e militar. Depois, as raras vezes que os média têm que falar daqueles que são os verdadeiros americanos, que têm historicamente como origem a América, o continente americano, chamam-lhes “índios”… O que quer dizer que os termos que os média utilizam nunca são neutros. São muitas vezes fruto de uma mera inconsciente irresponsabilidade, atribuível até à pura ignorância. Porque os termos que os média empregam são de facto traiçoeiros e traduzem, com maior ou menor subtileza, uma maneira de nos propor um...

Aquelas coisas que se vão repetindo…

J.-M. Nobre-Correia Em matéria de imprensa, fazem-se para aí afirmações totalmente desprovidas de fundamento. Mas a gente do meio quer lá saber disso… Em reação a um texto intitulado “Grupo de cidadãos pede urgente classificação do arquivo do  DN ”, aparecido esta manhã no  Público , Pedro Tadeu publica esta tarde um interessante artigo no  Diário de Notícias  em linha. Tadeu ocupou postos de responsabilidade na direção do  Diário de Notícias  e assina o dito artigo como “diretor da Direção de Documentação e Informação da Global Media Group”, o grupo proprietário do jornal. No dito texto, Tadeu faz no entanto uma afirmação que é uma velha lengalenga a propósito do  Açoriano Oriental : “o mais antigo diário da Europa, fundado em 1835”. Afirmação que não tem fundamento algum. Há uma vintena de anos, o então diretor Gustavo Moura (falecido no ano passado) escreveu-me para Bruxelas, pedindo-me para eu lhe confirmar tal estatuto de “mais antigo d...

O culpado é bem conhecido!

J.-M. Nobre-Correia Estes telejornais, à hora do almoço ou do jantar em família, são uma provocação que suscita irritação …ou sorrisos amarelos! Ver um telejornal português às horas das principais refeições constitui um momento perigosamente favorável para uma suprema irritação …ou para provocar amargos sorrisos amarelos! Eu resumo: esta pandemia que por aí anda é manifestamente obra do governo. Não há dúvidas! Sabe-se lá até se não foi o próprio governo que fez importar esse tal coronavírus… Mas o que é claro é que o governo tem gerido muito mal esta pandemia (digam lá o que disserem os média de referência estrangeiros: nós é que cá vivemos!)! Quem sabe bem o que se passa e diz tudo claramente sobre o assunto são essas ordens e esses sindicatos todos que por aí há. Sobretudo os seus formidáveis bastonários, presidentes e demais secretários gerais. Tudo gente altamente competente em tudo e desta feita competente em virologia e infetologia. É verdade que nenhum deles tem a inte...