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Uma obsessão suicidária

Nos países por onde andei, estudei e trabalhei, e de continuo a seguir diariamente os média, há uma constante que nunca fui capaz de compreender. Ou melhor: apesar de uma das minhas formações ser nessa área académica, nunca fui capaz de compreender tal tática ou estratégia política. De facto, nunca fui sobretudo capaz de compreender politicamente que formações de esquerda radical ou de extrema esquerda, nas declarações dos seus dirigentes, nas entrevistas e nas análises nos média, nas intervenções nos parlamentos (quando lá têm representantes), tenham como preocupação obsessiva permanente atacar antes do mais as outras componentes da esquerda. E sobretudo atacar aquela que, em termos eleitorais e também, quase sempre, em termos sociais e sindicais, é a principal componente da esquerda. A razão desta preocupação obsessiva? Porque, segundo essas formações minoritárias, esta principal componente era ou é “revisionista” (termo que passou de moda há já bastante tempo!), ou “social-democrata...

Uma investigação jornalística indispensável

    Na atualidade agitada e omnipresente destes últimos dias (em todos os géneros de média), há um ponto que é por vezes rapidamente evocado aqui e ali, mas que continua por esclarecer com o devido rigor : • qual é a natureza das relações antigas e atuais do homem do computador com o Bloco de Esquerda ? • qual tem sido a atitude do Bloco de Esquerda nesta atualidade, quer em intervenções dos seus parlamentares na Assembleia da República, quer em declarações dos seus líderes aos média, assim como em comunicações e demais textos eventualmente publicados a este propósito ? Vivemos um momento histórico extremamente problemático e preocupante no que diz respeito ao futuro do Estado de direito e da democracia portuguesa. E, claro está, um momento igualmente determinante no que se refere à posteridade da esquerda em Portugal. Seria pois particularmente importante que um jornal (de preferência um jornal escrito) realizasse uma investigação serena, aprofundada e rigorosa, sem a priori,...

Deixem-me fazer uma confissão

Não tenho por hábito falar de mim, nem nos textos nem as fotos que ponho com bastante regularidade no Facebook. Deixem-me porém fazer hoje uma exceção… Desde os meus 10-11 anos de idade que a informação de atualidade me seduz. A informação na rádio e nos jornais primeiro, e depois mais tarde em televisão. Miúdo, fazia jornais em casa e comecei a escrever em verdadeiros jornais aos 15 anos. No exílio, a minha primeira das duas formações académicas foi na área da informação e da comunicação. Foi nesta área que depois fui investigador e docente durante 41 anos em três países europeus diferentes. E é nessa área que tenho publicado centenas de artigos e uma dezena de livros (em francês e em português) como autor único. Desde que resido em Portugal, já lá vão 11 anos, tenho tido momentos de curta duração em que, em matéria de televisão, me tenho limitado a ver os títulos inicias dos telejornais (…quando há títulos !), tão escabroso me parece em geral o tratamento da atualidade que é o deles....

Une révolution dans le brouillard

J.-M. Nobre-Correia Professeur émérite d’Information et Communication à l’Université libre de Bruxelles   L’entrée en scène d’internet, à la toute fin du XXe siècle, a provoqué une explosion du système médiatique et entraîné un bouleversement des pratiques de l’information. Éditeurs et journalistes ont été obligés de devenir plus créatifs et d’assumer de nouvelles fonctions. Tandis que les simples citoyens étaient submergés par un torrent d’« infos » pas toujours fiables…   En matière d’information, nos ancêtres ont vécu un temps de certitudes ou de quasi-certitudes. Avec des journaux qui leur annonçaient les nouvelles avec le ton idéologique qui leur convenait, à eux, les ancêtres. Après, quand, déjà au XXe siècle, la radio, d’abord, et la télévision, ensuite, ont commencé à annoncer l’actualité dans le monde, ces ancêtres-là se sont rendu compte que, à bien y regarder de près, presse, radio et télévision ne parlaient pas des mêmes sujets d’actualité et ne les traitaient...

Uma intolerável canhonada

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J.-M. Nobre-Correia Dia após dia após dia, as televisões praticam uma informação que pouco tem a ver com um desejável jornalismo de qualidade e de cidadania… Nos anos 1970, uma convergência de acontecimentos abala a história portuguesa contemporânea. Dá-se, primeiro que tudo, claro, o 25 de Abril e a eclosão imediata ou progressiva da Democracia e do Estado de direito. Paralelamente, opera-se um mais largo acesso aos diversos níveis de ensino, assim como a uma sensível melhoria das condições de vida económica dos chamados meios populares. E como consequência deste último aspeto, assiste-se também a uma vasta expansão dos recetores de televisão, o que traduz uma certa ascensão social de boa parte da população. As emissões de televisão invadem os lares e, lentamente, vão tendo repercussões na vida social, transformando-a percetivelmente. Com os cidadãos passando a frequentar cada vez menos os tradicionais lugares de sociabilidade (cinemas, cafés, associações…), ficando em casa para assis...

A desejável circunspeção

O recente movimento internacional de denúncia de assédio de caráter sexual nas empresas e instituições tem evidentemente um aspeto altamente salutar em termos de ética social, até porque fortalece a posição das mulheres na vida profissional e social. Porém , a menos de se espreitar pela fechadura da porta, nunca se pode dizer o que se passa  realmente  entre duas pessoas fora de olhares dos outros.   E quem respeita a sua própria imagem social não se dá publicamente em espetáculo com atitudes de assédio erótico-sexual. Por outro lado, uma certa reserva se impõe   perante  acusações feitas ,   não  na própria altura  dos anunciados acontecimentos , mas sim anos depois, quando a fatualidade dessas acusações é  em boa parte dos casos já  inverificável… Entre nós há no entanto  média que estão  manifestamente a  ser utilizados  n uma campanha concertada contra  um académico ,  campanha  iniciada ontem ...

A tentação de Ícaro

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J.-M. Nobre-Correia Numa larga ausência de sentido crítico, os média dão-lhe uma tal guarida que o levam provavelmente a sonhar com outros altos voos… Vivemos em Portugal tempos espantosos. De grande originalidade. Mas bastante estranhos também. Em termos políticos como mediáticos. Ou melhor: tempos que são fruto precisamente da conjunção de uma singularidade política com uma não menor singularidade mediático-jornalística. De um lado, temos um personagem que há cinquenta anos instrumentaliza compulsivamente os média. Com a “criação de factos”. Com pseudoanálises da atualidade política, mas de facto sobre toda a espécie de assuntos. Com constantes declarações a propósito de tudo e de nada. Por uma obsessiva necessidade de fazer falar de si, de levar os média a citá-lo a propósito dos mais inverosímeis temas. Nunca esquecendo a dimensão manobreira do que diz ou escreve. Mantendo porém relações de extrema cordialidade com os meios jornalísticos, guardando embora a distância que convém ent...