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Uma urgência a não ignorar

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J.-M. Nobre-Correia Globalmente, a paisagem mediática portuguesa é pobre e pratica um jornalismo que não está à altura das necessidades da democracia…   Há como que um mistério na chamada “Contemporaneidade” portuguesa: como é que um povo pôde viver mais de dois séculos sem uma informação de qualidade? E sobretudo sem uma informação suficientemente difundida por entre a população? Três primeiras explicações saltam aos olhos: a alta e duradoira taxa de analfabetismo, alargada a uma instrução reduzida e manifestamente deficiente; um poder de compra que também ele foi durante longos decénios reduzido, fazendo desde logo dos jornais e dos recetores de rádio e de televisão produtos de luxo; um clima político repressivo em diversas fases da história, impedindo a afirmação de uma prática jornalística livre e de uma informação de qualidade. Mas estas explicações liminares não respondem a outra interrogação: como é que, globalmente, ao longo destes mais de dois séculos, os meios dirigentes ...

A tentação do sexo pelas bandas da Beira Raiana…

J.-M. Nobre-Correia Dizem jornais de hoje que Manuel Felício, bispo da Guarda, encobriu atos de pedofilia da parte de padre(s) da Diocese: imaginem!… “Graças” a esta pedofilia reinante, o Seminário Menor do Fundão deixou de existir: só o gigantesco edifício e a quinta em torno continuam de pé. Mas nem tudo está perdido: a Câmara Municipal do Fundão paga uma soma importante à dita Diocese para poder dispor deste edifício e desta quinta. Pode assim o Município assumir atualmente uma admirável função humanitária que aparentemente não interessou a Diocese… Dizem os mesmos jornais que Felício vai pedir a passagem à reforma: bon débarras! E, não duvidemos que, chegado o momento, embarcará para as profundas do inferno: é pelo menos isso que a Igreja dele apregoa!!!    

A função do intelectual

J.-M. Nobre-Correia Nos primeiros dias da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, partilhei no  Facebook  um texto de Edgar Morin e outro de Boaventura de Sousa Santos. Dois artigos que achei particularmente interessantes em termos de argumentação, mas que deram lugar a insultos e acusações de uma violência inesperada e absolutamente inacreditável. Percebi assim que tínhamos entrado num tempo em que toda e qualquer argumentação razoável e serena era impossível. Pelo que decidi não intervir mais sobre este tema… Mas, como se diz na minha outra língua, …il y a des choses qu’il ne faut pas dire, mais cela ira mieux en les disant!…  E é isso que me leva a partilhar aqui o texto publicado hoje pelo Professor Sousa Santos no  Público . Pouco importa saber se concordo ou não com os artigos dele e é evidente que nem sempre concordo, mas penso que, no fim de contas, isso até é secundário. Considero no entanto que os textos de Sousa Santos (aqueles que li e é evidente que nã...

Um dia ver-se-á mais claro…

J.-M. Nobre-Correia Artigo extremamente importante do Professor André Lamas Leite, da Universidade do Porto, ontem no  Público . Um dia, historiadores, politólogos e constitucionalistas dirão quão nefasta foi a presidência do atual residente em Belém, em termos de imagem da presidência da República como em termos de solidez da nossa carta constitucional, fragilizando claramente a Democracia portuguesa e o Estado de direito. Sabendo como funcionam as chefias de Estado dos países da União Europeia que nos são mais próximos, geográfica e culturalmente, estou absolutamente convencido disso…

E se o telejornal mudasse de nome?…

J.-M. Nobre-Correia Hoje vi corajosamente o telejornal das 20h00 da RTP1 até à primeira interrupção publicitária (publicidade que é legalmente proibida noutros países europeus, nos jornais das televisões públicas como das televisões privadas). Reparei que nos primeiros 20 minutos, o residente de Belém apareceu três vezes a falar em três assuntos diferentes. E, sonhador, lembro-me uma vez mais daquelas democracias europeias onde os chefes de Estado não falam aos média durante semanas e mesmo meses a fio, só o fazendo em circunstâncias raras e verdadeiramente excecionais… Tenho pois uma proposta a fazer: e se o telejornal da RTP passasse a chamar-se o “Pequeno Marcelo Ilustrado”? Não seria mais adequado à triste realidade?…  

Não brinquemos nem esqueçamos!

J.-M. Nobre-Correia Não brinquemos com as declarações de hoje do facho (como andam alguns por aí a fazer no Facebook). E sobretudo não as tomemos à ligeira! Um facho é um facho! E a violência física faz parte da história do fascismo, nomeadamente do fascismo italiano que foi fisicamente violento. Não nos esqueçamos, se não quisermos ser vítimas dele!… Os nossos média e os nossos jornalistas deveriam ser mais comedidos na importância que dão à gesticulação permanente do pretenso “duce” cá da terra. E mais corajosos na condenação que a defesa da Democracia e do Estado de direito exige…  

Há ditadores e ditadores: os mauzões e os bonzinhos!

J.-M. Nobre-Correia Então é assim. Ou melhor: o avaliómetro das nossas democracias funciona assim: • há os países que são umas horríveis ditaduras, onde só acontecem coisas insuportáveis: são aqueles que não têm vergonha nenhuma em ser aliados da Rússia ou da China ou de regimes desse género, • depois há aqueles países que têm a pretensão de ser aquilo a que chamavam outrora “’não alinhados”, onde acontecem também umas coisas perfeitamente criticáveis e mesmo detestáveis, e que é preciso denunciar regularmente, • por fim há aqueles países nossos aliados onde não acontece nada ou pouca coisa. E se acontece alguma coisa (repressão omnipresente, condenações à morte em série, esquartejamentos de condenados,…), os nossos interesses estratégicos convidam-nos a fazer que não vemos. E mesmo, se preciso for, os ditadores sanguinários destes países são recebidos pelas nossas belas democracias com as devidas honras… Ainda há poucos dias, aquele que, estado-unidense, se pretende líder do “mundo li...