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O jornalismo num tempo de promessas e incertezas

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J.-M. Nobre-Correia *   A entrada em cena de internet provocou uma explosão do sistema mediático. Mas há princípios de base do jornalismo que se mantêm…   Em matéria de informação, os nossos antepassados viveram um tempo de certezas ou de quase certezas. Com jornais que lhes anunciavam as notícias com o colorido ideológico que lhes convinha, a eles, antepassados. Depois, quando, já no século XX, a rádio, primeiro, e a televisão, depois, passaram a anunciar a atualidade no mundo, esses nossos antepassados deram-se conta que, afinal, imprensa, rádio e televisão não falavam dos mesmos assuntos de atualidade nem os tratavam da mesma maneira. No entanto, as divergências eram de certo modo relativas, até porque a rádio como a televisão, na quase totalidade dos países europeus viviam em regime de monopólio público, mais ou menos numa maior ou menor proximidade com o poder político do momento em cada um dos Estados do continente. Uma novidade importante era o facto de as populações qu...

Comment les médias reconfigurent la démocratie

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J.-M. Nobre-Correia Professeur émérite d’Information et Communication à l’Université Libre de Bruxelles Durant quelques longues décennies, ils ont joué un rôle d’insertion des individus dans la vie de la cité. Mais cela a bien changé… Le média est le message, disait Marshall McLuhan. Une affirmation que suppose diverses implications. Par exemple : quand le média change de nature, on assiste également à une redéfinition des contenus. Ainsi qu’à une redéfinition de la relation du média avec son public. Et encore à une redéfinition des liens que les citoyens établissent entre eux, ainsi qu’entre eux et les structures sociopolitiques dans lesquelles ils s’insèrent. En d’autres termes : l’évolution technologique, économique et sociologique des médias a inévitablement des répercussions sur la conception de l’information et des contenus des médias, et, par conséquent, sur le fonctionnement socioculturel et politique de la vie quotidienne et de la démocratie. Et les six grands moments...

Uma urgência a não ignorar

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J.-M. Nobre-Correia Globalmente, a paisagem mediática portuguesa é pobre e pratica um jornalismo que não está à altura das necessidades da democracia…   Há como que um mistério na chamada “Contemporaneidade” portuguesa: como é que um povo pôde viver mais de dois séculos sem uma informação de qualidade? E sobretudo sem uma informação suficientemente difundida por entre a população? Três primeiras explicações saltam aos olhos: a alta e duradoira taxa de analfabetismo, alargada a uma instrução reduzida e manifestamente deficiente; um poder de compra que também ele foi durante longos decénios reduzido, fazendo desde logo dos jornais e dos recetores de rádio e de televisão produtos de luxo; um clima político repressivo em diversas fases da história, impedindo a afirmação de uma prática jornalística livre e de uma informação de qualidade. Mas estas explicações liminares não respondem a outra interrogação: como é que, globalmente, ao longo destes mais de dois séculos, os meios dirigentes ...

A tentação do sexo pelas bandas da Beira Raiana…

J.-M. Nobre-Correia Dizem jornais de hoje que Manuel Felício, bispo da Guarda, encobriu atos de pedofilia da parte de padre(s) da Diocese: imaginem!… “Graças” a esta pedofilia reinante, o Seminário Menor do Fundão deixou de existir: só o gigantesco edifício e a quinta em torno continuam de pé. Mas nem tudo está perdido: a Câmara Municipal do Fundão paga uma soma importante à dita Diocese para poder dispor deste edifício e desta quinta. Pode assim o Município assumir atualmente uma admirável função humanitária que aparentemente não interessou a Diocese… Dizem os mesmos jornais que Felício vai pedir a passagem à reforma: bon débarras! E, não duvidemos que, chegado o momento, embarcará para as profundas do inferno: é pelo menos isso que a Igreja dele apregoa!!!    

A função do intelectual

J.-M. Nobre-Correia Nos primeiros dias da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, partilhei no  Facebook  um texto de Edgar Morin e outro de Boaventura de Sousa Santos. Dois artigos que achei particularmente interessantes em termos de argumentação, mas que deram lugar a insultos e acusações de uma violência inesperada e absolutamente inacreditável. Percebi assim que tínhamos entrado num tempo em que toda e qualquer argumentação razoável e serena era impossível. Pelo que decidi não intervir mais sobre este tema… Mas, como se diz na minha outra língua, …il y a des choses qu’il ne faut pas dire, mais cela ira mieux en les disant!…  E é isso que me leva a partilhar aqui o texto publicado hoje pelo Professor Sousa Santos no  Público . Pouco importa saber se concordo ou não com os artigos dele e é evidente que nem sempre concordo, mas penso que, no fim de contas, isso até é secundário. Considero no entanto que os textos de Sousa Santos (aqueles que li e é evidente que nã...

Um dia ver-se-á mais claro…

J.-M. Nobre-Correia Artigo extremamente importante do Professor André Lamas Leite, da Universidade do Porto, ontem no  Público . Um dia, historiadores, politólogos e constitucionalistas dirão quão nefasta foi a presidência do atual residente em Belém, em termos de imagem da presidência da República como em termos de solidez da nossa carta constitucional, fragilizando claramente a Democracia portuguesa e o Estado de direito. Sabendo como funcionam as chefias de Estado dos países da União Europeia que nos são mais próximos, geográfica e culturalmente, estou absolutamente convencido disso…

E se o telejornal mudasse de nome?…

J.-M. Nobre-Correia Hoje vi corajosamente o telejornal das 20h00 da RTP1 até à primeira interrupção publicitária (publicidade que é legalmente proibida noutros países europeus, nos jornais das televisões públicas como das televisões privadas). Reparei que nos primeiros 20 minutos, o residente de Belém apareceu três vezes a falar em três assuntos diferentes. E, sonhador, lembro-me uma vez mais daquelas democracias europeias onde os chefes de Estado não falam aos média durante semanas e mesmo meses a fio, só o fazendo em circunstâncias raras e verdadeiramente excecionais… Tenho pois uma proposta a fazer: e se o telejornal da RTP passasse a chamar-se o “Pequeno Marcelo Ilustrado”? Não seria mais adequado à triste realidade?…