Neste
verão de São Martinho (l’été indien, como dizem os francófonos…) — cheio de céu
azul, sol e calor — no Parque Verde, à beira do Mondego, ao fim da manhã…
Nestes tempos de internet, a informação parece cair do céu como maná. Terá um periódico regional ainda espaço próprio para se afirmar?… Na era da internet e da chamada globalização, terá ainda sentido publicar um semanário regional? Quando hoje em dia, desde os anos 1970-80, com a desmonopolização do audiovisual, temos rádios e televisões de informação que funcionam 24 horas por dia, durante sete dias da semana? E agora que a internet, no dealbar do novo milénio, permitiu o lançamento de um sem número de rádios e de televisões regionais e locais, para não falar já de blogues e demais podcasts?… Não confundamos tudo e procuremos distinguir situações fruto de momentos diferentes da História. Antes da informação escrita impressa, os homens (…e as mulheres, claro está!) eram sobretudo informados oralmente. Depois, quando um célebre Gutenberg inventou em meados do século XV os carateres móveis e o prelo para compor e imprimir textos (a não ser que tenha sido antes Coster ou Waldvogel, e que...
J.-M. Nobre-Correia De súbito, ao romper da aurora, descobre-se no Facebook uma curta mensagem que parecia incompreensível. Depois, muito rapidamente, muitas outras se foram sucedendo e espevitando as réstias de sono. Era então verdade: o Fernando Paulouro Neves tinha falecido! De improviso. Brutalmente. Quando ainda na véspera apresentava a sua última criação literária… Lendo os imensos textinhos que foram aparecendo depois ao longo do dia, experimenta-se o sentimento de que tudo foi dito e redito. Que mais nada se poderá acrescentar de realmente novo. Mesmo se, com os nossos seis meses de diferença de idade, eu até poderia recordar os anos de juventude passados juntos na redação do jornal do seu tio António Paulouro. Porém, a grande maioria dos anos em que Fernando Paulouro Neves assumiu responsabilidades de chefe de redação e de direção do Jornal do Fundão , vivi-os à distância. Longe do Fundão. Noutro país e, de certo modo, numa área conexa. E é desta área conexa que quero aqu...
J.-M. Nobre-Correia Nos meus escritos (textos de imprensa grande público, artigos académicos ou livros), sempre tive a preocupação de não recorrer a chavões de natureza política. E isto quando existem termos específicos que caraterizam mais concretamente uma situação ou um personagem. Por isso preferi sempre salazarismo ou franquismo a fascismo , até porque cada um destes termos correspondente de facto a situações históricas, socioculturais e políticas particulares, específicas, não diretamente assimiláveis ao fascismo italiano. É no entanto verdade que, se procurarmos um termo genérico para globalizar estes diferentes regimes na Europa e até no mundo, é o termo fascismo que permite esta inclusão de todos nas suas variantes. A singularidade do nazismo nos anos 1930-40 fez que tal terminologia seja praticamente reservada ao regime nascido na Alemanha. E raramente seja utilizado para, desde então, definir outras situações políticas. Si...
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