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História dos Média na Europa

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O meu mais recente livro está à venda a partir de hoje nas livrarias Almedina, Bertrand e Fnac, assim como noutras. Quatro parágrafos extraídos do prefácio : " O conhecimento das tendências que marcaram a história dos média europeus e dos países de que somos geográfica e culturalmente próximos, é absolutamente indispensável. Só assim poderemos compreender por que é que, quase seis séculos depois da “descoberta” da prensa tipográfica, a paisagem impressa é tão contrastada. E como é que, ao longo do século XX, a rádio e a televisão, os seus emissores e os seus conteúdos, evoluíram de maneira tão plurifacetada. A Europa Ocidental conheceu evoluções económicas, culturais, políticas e técnicas diferentes, tomando a paisagem mediática ares de  patchwork . Embora se assista a uma certa homogeneização desde a desmonopolização dos sectores radiofónico e televisivo, nos anos 1970-1980. Uma tendência reforçada a partir dos anos 1990, quando a União Europeia ia estendendo os seus contornos ex...

Os limites do pluralismo

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J.-M. Nobre-Correia Procurando repercussões na concorrência e nas redes sociais, média há que tentam a provocação, abrindo portas ao inaceitável… Num país onde a reportagem, a investigação e até mesmo a correspondência são pouco praticadas, reina nos média uma estranha conceção do pluralismo. Até porque as redações são reduzidas e por vezes mal estruturadas, o conteúdo propriamente jornalístico (no sentido forte da palavra) sendo desde logo escasso. Para tentar superar esta pobreza, a solução encontrada é recorrer a “colunistas” e “comentadores” muito diversos. Boa parte da colaboração destes não acarreta custos: serem publicados, passarem na rádio ou mostrarem-se na televisão é o pagamento de que usufruem socialmente. Embora haja outros que ganham muito bem a vida com tais prestações, pontificando em diversos média, imprensa diária e semanal, rádio e televisão. O que se traduz numa concentração da “opinião” que reflete uma estranha conceção do pluralismo. Esta conceção singular do plu...

As sensações de gozo e a democracia

J.-M. Nobre-Correia António Costa é um político hábil e consistente. Mas cometeu um enorme erro quando manifestou publicamente o seu apoio a uma ainda não anunciada candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa  a  um segundo mandato na Presidência da República. A o longo da vida,   a  personalidade de Rebelo de Sousa dera   suficientes provas daquilo que é realmente e do que é capaz. Francisco Pinto Balsemão, que foi seu patrão e superior hierárquico, ilustrou bem o caráter do personagem com a  metáfora  do escorpião… Desde há algum tempo, Costa está a pagar cada vez mais as consequências do seu erro.  H á que recear  agora  que Rebelo de Sousa não tenha escrúpulo algum em experimentar a sensação de gozo que certamente  lhe provocar ia  uma destabilização da democracia portuguesa … Já no seu primeiro mandato, Rebelo de Sousa deu sobejas provas de ultrapassar repetidamente os poderes que  são atribuídos   pela Constituição a...

Uma incompreensível suscetibilidade

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  J.-M. Nobre-Correia Poderão os telejornais da RTP ser objeto de crítica sem que o chavão da “censura” seja brandido para tentar intimidar os autores?… É claro que boa parte dos cidadãos não se dá conta. Até porque sempre conheceu esta maneira de funcionar. Mas há também quem frequente rádios e televisões de outros países europeus. Ou que tenha vivido longos anos longe, sem contactos durante muito tempo com as estações portuguesas. E que, por isso mesmo, saiba comparar com outras maneiras de produzir entretenimento como informação. O que leva naturalmente a uma atitude crítica para com o que rádios e televisões propõem em Portugal. Tal atitude manifesta-se sobretudo em relação à televisão. Até porque ela é, há longos anos, o ator dominante da paisagem mediática. E, claro está, a crítica endereça-se a maior parte das vezes à RTP. Porque é ela que faz parte há mais tempo do património cultural português. Porque é considerada como “serviço público” e, por isso mesmo, paga naturalment...

Era uma vez o pluralismo…

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J.-M. Nobre-Correia Há coisa de meio século a paisagem mediática europeia parecia libertar-se da inevitabilidade do declínio e do garrote que a sufocava… Nos anos 1960-1970 uma lufada de ar fresco percorre a Europa dos média. No entre-duas-guerras e depois da Segunda Guerra Mundial, muitos jornais e rádios desaparecem. Por razões sobretudo económicas no caso dos jornais. Por razões técnico-legais no que se refere às segundas. Mas agora, as novas tecnologias em matéria de imprensa, de som e de vídeo abrem as portas à criação de novas publicações e novos emissores. Seja embora necessário, no caso do audiovisual, emitir ainda a partir de fora das fronteiras nacionais ou em perfeita ilegalidade no próprio país. Quando, perante novas tecnologias que tornam inevitável a abertura do sector audiovisual ao pluralismo público-privado e à proliferação de estações privadas, a legalidade instituída passa nos anos 1970-1980 a reconhecer uma situação de facto. O sentimento geral é de entrarmos então ...

Como se faz jornalismo em Portugal?…

J.-M. Nobre-Correia Será interessante ver, hoje às 13h00 e 20h00 nas televisões generalistas e amanhã nos diários ditos “nacionais”, como as redações dos grandes média portugueses praticarão a seleção e a hierarquização dos factos de atualidade… O grande acontecimento do dia é a morte de Jorge Sampaio, personagem maior da história contemporânea nacional. O “acontecimento” de amanhã será a comemoração do “11 de Setembro” estado-unidense, que se transformou num assunto anual “obrigatório” para a grande maioria dos média europeus desde o primeiro aniversário em setembro de 2002 (Veremos se em 2013, pelo menos, os média europeus evocarão o 50° aniversário do “11 de Setembro” chileno de que raramente se lembram!). Sabia-se que Jorge Sampaio estava gravemente doente e hospitalizado. Pelo que as redações deveriam ter peças necrológicas (texto, foto, som, vídeo) devidamente preparadas há muito tempo, desde que ocupou as altas funções que foram as suas, depois dos graves acidentes de saúde que ...

Ainda se fala e escreve português neste país?

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J.-M. Nobre-Correia A autoproclamada intelectualidade continua a guerrear o acordo ortográfico, mas fica indiferente perante a acelerada perversão da língua… Estranho povo este! Ou melhor: extravagantes classes dirigentes as deste país! Fazem discursos patrioteiros sem fim, sobretudo quando conversam com estrangeiros. Portugal é o mais antigo Estado da Europa, com as fronteiras mais antigas, deu “novos mundo ao Mundo” e por aí adiante, por aí adiante, até chegarem à língua que é a terceira europeia mais falada no mundo!… Só que esta língua “mais falada no hemisfério sul” é desde há anos motivo de uma guerrilha largamente estéril. E isto porque fetichistas da precedente ortografia recusam aceitar a que foi aprovada oficialmente há 30 anos. Seja embora a ortografia o resultado de mera convenção, de uma espécie de código gráfico. Basta conhecer as diferentes línguas românicas para saber que os mesmos fonemas são ortografados de maneiras diferentes de uma língua para outra. E que a etimolo...