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E se o telejornal mudasse de nome?…

J.-M. Nobre-Correia Hoje vi corajosamente o telejornal das 20h00 da RTP1 até à primeira interrupção publicitária (publicidade que é legalmente proibida noutros países europeus, nos jornais das televisões públicas como das televisões privadas). Reparei que nos primeiros 20 minutos, o residente de Belém apareceu três vezes a falar em três assuntos diferentes. E, sonhador, lembro-me uma vez mais daquelas democracias europeias onde os chefes de Estado não falam aos média durante semanas e mesmo meses a fio, só o fazendo em circunstâncias raras e verdadeiramente excecionais… Tenho pois uma proposta a fazer: e se o telejornal da RTP passasse a chamar-se o “Pequeno Marcelo Ilustrado”? Não seria mais adequado à triste realidade?…  

Não brinquemos nem esqueçamos!

J.-M. Nobre-Correia Não brinquemos com as declarações de hoje do facho (como andam alguns por aí a fazer no Facebook). E sobretudo não as tomemos à ligeira! Um facho é um facho! E a violência física faz parte da história do fascismo, nomeadamente do fascismo italiano que foi fisicamente violento. Não nos esqueçamos, se não quisermos ser vítimas dele!… Os nossos média e os nossos jornalistas deveriam ser mais comedidos na importância que dão à gesticulação permanente do pretenso “duce” cá da terra. E mais corajosos na condenação que a defesa da Democracia e do Estado de direito exige…  

Há ditadores e ditadores: os mauzões e os bonzinhos!

J.-M. Nobre-Correia Então é assim. Ou melhor: o avaliómetro das nossas democracias funciona assim: • há os países que são umas horríveis ditaduras, onde só acontecem coisas insuportáveis: são aqueles que não têm vergonha nenhuma em ser aliados da Rússia ou da China ou de regimes desse género, • depois há aqueles países que têm a pretensão de ser aquilo a que chamavam outrora “’não alinhados”, onde acontecem também umas coisas perfeitamente criticáveis e mesmo detestáveis, e que é preciso denunciar regularmente, • por fim há aqueles países nossos aliados onde não acontece nada ou pouca coisa. E se acontece alguma coisa (repressão omnipresente, condenações à morte em série, esquartejamentos de condenados,…), os nossos interesses estratégicos convidam-nos a fazer que não vemos. E mesmo, se preciso for, os ditadores sanguinários destes países são recebidos pelas nossas belas democracias com as devidas honras… Ainda há poucos dias, aquele que, estado-unidense, se pretende líder do “mundo li...

Um jornalista põe os pontos nos ii

J.-M. Nobre-Correia Leio muito raramente as “opiniões” e demais textos de “comentadores” na imprensa portuguesa. Hoje porém fui naturalmente levado a ler o artigo de António Marujo, diretor do jornal digital  7 Margens , publicado na edição desta manhã do  Público . Duas razões explicam a minha reação. Primeiro, o título do artigo: “O fascismo anticristão do Chega, a Igreja e os jornalistas”. Depois, tive com António Marujo um agradável debate organizado pelo Instituto Politécnico de Beja em maio. Apesar da minha irreligiosidade, li com muito interesse a primeira parte do artigo. E li com especial interesse a parte final consagrada à atitude dos jornalistas perante a vociferação dos fachos cá da terra. Em 15 de novembro do ano passado (há apenas oito meses) publiquei eu mesmo um artigo intitulado “Os limites do pluralismo” no mesmo jornal  Público . Mas eu sei que os jornalistas dão pouca ou nenhuma importância ao que possam escrever académicos sobre as práticas jornalíst...

Quando a extrema direita avança

J.-M. Nobre-Correia Contabilizando apenas os votos das suas três grandes formações políticas, a direita radical e a extrema direita italianas somam 48,6% das intenções de votos (23,4 + 14,6 + 10,6%), liderando a extrema direita com 23,4% (resultados anunciados hoje em “La Repubblica”)! Depois dos avanços da extrema direta em Espanha e em França, a extrema direita italiana é anunciada como novo principal partido do país… Um vento nauseabundo inquietante vai soprando cada vez mais forte por esta nossa Europa fora…    

À intenção dos jornalistas portugueses

J.-M. Nobre-Correia Que os jornalistas portugueses me perdoem se insisto em dizer-lhes (como escrevi no Facebook anteontem e ontem) que o falecido Eugenio Scalfari não era um jornalista qualquer e ainda menos um diretor de semanário e de diário qualquer, embora tenha sido tão (quase) ignorado pelos média portugueses… Deixo aqui esta referência do papa Francisco a Scalfari, defensor da laicidade e ateu convicto… Fica também a homenagem do presidente francês Emmanuel Macron, representado pelo jornalista Bernard Guetta…    

Em que mundo vivem eles?

J.-M. Nobre-Correia Vimos e lemos aqui e além nos jornais portugueses ditos “nacionais” que faleceu a primeira mulher de Donald Trump. Reparem que ela já não era a esposa do ex-presidente. E que, no fim de conta, só existia jornalisticamente porque se fazia ou fizera chamar Trump (neste horrível hábito de fazer as mulheres substituir o seu próprio apelido pelo do marido, menorizando-as. Mas não o contrário, reparem!). Ora, em princípio, o desaparecimento da dita senhora “Trump” não tem consequência nenhuma no plano internacional, nem mesmo, supõe-se, no plano interno estado-unidense. E claro, não tem incidência absolutamente nenhuma sobre a vida quotidiana dos portugueses. O que não impediu os nossos jornais “nacionais” de acharem por bem de anunciarem o acontecimento. Agora, entre nós, faleceu anteontem a esposa de Mário Centeno. Quer dizer do ex-ministro das Finanças e do atual governador do Banco de Portugal, uma figura pública nem conhecida. Procuro nos jornais de referência portug...