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A tentação do sexo pelas bandas da Beira Raiana…

J.-M. Nobre-Correia Dizem jornais de hoje que Manuel Felício, bispo da Guarda, encobriu atos de pedofilia da parte de padre(s) da Diocese: imaginem!… “Graças” a esta pedofilia reinante, o Seminário Menor do Fundão deixou de existir: só o gigantesco edifício e a quinta em torno continuam de pé. Mas nem tudo está perdido: a Câmara Municipal do Fundão paga uma soma importante à dita Diocese para poder dispor deste edifício e desta quinta. Pode assim o Município assumir atualmente uma admirável função humanitária que aparentemente não interessou a Diocese… Dizem os mesmos jornais que Felício vai pedir a passagem à reforma: bon débarras! E, não duvidemos que, chegado o momento, embarcará para as profundas do inferno: é pelo menos isso que a Igreja dele apregoa!!!    

A função do intelectual

J.-M. Nobre-Correia Nos primeiros dias da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, partilhei no  Facebook  um texto de Edgar Morin e outro de Boaventura de Sousa Santos. Dois artigos que achei particularmente interessantes em termos de argumentação, mas que deram lugar a insultos e acusações de uma violência inesperada e absolutamente inacreditável. Percebi assim que tínhamos entrado num tempo em que toda e qualquer argumentação razoável e serena era impossível. Pelo que decidi não intervir mais sobre este tema… Mas, como se diz na minha outra língua, …il y a des choses qu’il ne faut pas dire, mais cela ira mieux en les disant!…  E é isso que me leva a partilhar aqui o texto publicado hoje pelo Professor Sousa Santos no  Público . Pouco importa saber se concordo ou não com os artigos dele e é evidente que nem sempre concordo, mas penso que, no fim de contas, isso até é secundário. Considero no entanto que os textos de Sousa Santos (aqueles que li e é evidente que nã...

Um dia ver-se-á mais claro…

J.-M. Nobre-Correia Artigo extremamente importante do Professor André Lamas Leite, da Universidade do Porto, ontem no  Público . Um dia, historiadores, politólogos e constitucionalistas dirão quão nefasta foi a presidência do atual residente em Belém, em termos de imagem da presidência da República como em termos de solidez da nossa carta constitucional, fragilizando claramente a Democracia portuguesa e o Estado de direito. Sabendo como funcionam as chefias de Estado dos países da União Europeia que nos são mais próximos, geográfica e culturalmente, estou absolutamente convencido disso…

E se o telejornal mudasse de nome?…

J.-M. Nobre-Correia Hoje vi corajosamente o telejornal das 20h00 da RTP1 até à primeira interrupção publicitária (publicidade que é legalmente proibida noutros países europeus, nos jornais das televisões públicas como das televisões privadas). Reparei que nos primeiros 20 minutos, o residente de Belém apareceu três vezes a falar em três assuntos diferentes. E, sonhador, lembro-me uma vez mais daquelas democracias europeias onde os chefes de Estado não falam aos média durante semanas e mesmo meses a fio, só o fazendo em circunstâncias raras e verdadeiramente excecionais… Tenho pois uma proposta a fazer: e se o telejornal da RTP passasse a chamar-se o “Pequeno Marcelo Ilustrado”? Não seria mais adequado à triste realidade?…  

Não brinquemos nem esqueçamos!

J.-M. Nobre-Correia Não brinquemos com as declarações de hoje do facho (como andam alguns por aí a fazer no Facebook). E sobretudo não as tomemos à ligeira! Um facho é um facho! E a violência física faz parte da história do fascismo, nomeadamente do fascismo italiano que foi fisicamente violento. Não nos esqueçamos, se não quisermos ser vítimas dele!… Os nossos média e os nossos jornalistas deveriam ser mais comedidos na importância que dão à gesticulação permanente do pretenso “duce” cá da terra. E mais corajosos na condenação que a defesa da Democracia e do Estado de direito exige…  

Há ditadores e ditadores: os mauzões e os bonzinhos!

J.-M. Nobre-Correia Então é assim. Ou melhor: o avaliómetro das nossas democracias funciona assim: • há os países que são umas horríveis ditaduras, onde só acontecem coisas insuportáveis: são aqueles que não têm vergonha nenhuma em ser aliados da Rússia ou da China ou de regimes desse género, • depois há aqueles países que têm a pretensão de ser aquilo a que chamavam outrora “’não alinhados”, onde acontecem também umas coisas perfeitamente criticáveis e mesmo detestáveis, e que é preciso denunciar regularmente, • por fim há aqueles países nossos aliados onde não acontece nada ou pouca coisa. E se acontece alguma coisa (repressão omnipresente, condenações à morte em série, esquartejamentos de condenados,…), os nossos interesses estratégicos convidam-nos a fazer que não vemos. E mesmo, se preciso for, os ditadores sanguinários destes países são recebidos pelas nossas belas democracias com as devidas honras… Ainda há poucos dias, aquele que, estado-unidense, se pretende líder do “mundo li...

Um jornalista põe os pontos nos ii

J.-M. Nobre-Correia Leio muito raramente as “opiniões” e demais textos de “comentadores” na imprensa portuguesa. Hoje porém fui naturalmente levado a ler o artigo de António Marujo, diretor do jornal digital  7 Margens , publicado na edição desta manhã do  Público . Duas razões explicam a minha reação. Primeiro, o título do artigo: “O fascismo anticristão do Chega, a Igreja e os jornalistas”. Depois, tive com António Marujo um agradável debate organizado pelo Instituto Politécnico de Beja em maio. Apesar da minha irreligiosidade, li com muito interesse a primeira parte do artigo. E li com especial interesse a parte final consagrada à atitude dos jornalistas perante a vociferação dos fachos cá da terra. Em 15 de novembro do ano passado (há apenas oito meses) publiquei eu mesmo um artigo intitulado “Os limites do pluralismo” no mesmo jornal  Público . Mas eu sei que os jornalistas dão pouca ou nenhuma importância ao que possam escrever académicos sobre as práticas jornalíst...