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Bela ilustração do jornalismo "à portuguesa"!

As chamadas três televisões generalistas portuguesas, RTP 1, SIC e TVI, abriram todas os seus telejornais das 20h00 com aquilo que elas consideraram ser o principal acontecimento do dia : o destino do submersível em turismo de visita ao Titanic ! A RTP 1 foi a mais curta, mas com nada menos de dois "diretos" e a SIC foi a mais longa. A TVI bateu o recorde de originalidade com a entrevista do seu acionista maioritário, tratado uma vez e outra e outra muito modernaçamente por "Mário". Este tal "Mário", que poderia ter ido e não foi na viagem turística (…a duzentos e tal mil euros por pessoa !) disse coisas sem o mínimo interesse em termos de jornalismo de informação. Mas foi uma ocasião para o "patrão" se mostrar e exibir a sua importância em termos de relacionamento social internacional que ele se atribuiu… E eu a pensar que o jornalismo e os telejornais, como primeiro média de informação em Portugal, tinham como função informar os cidadãos sobre ...

Um arrogante e inaceitável alheamento

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Da interpretação ideológica dos cidadãos à recusa da “classe” em mostrar-se disponível para pôr em questão práticas jornalísticas intoleráveis… Manifestamente, a atualidade das últimas semanas tem suscitado mais reações do que é habitual. Sobretudo críticas mais ásperas no que diz respeito ao tratamento desta atualidade pelos média e particularmente pelas televisões, dominantes em matéria de informação. Basta ver o que se diz e escreve publicamente nas chamadas “redes sociais”, em prédicas pouco discretas de cafés e restaurantes, como em conversas mais íntimas entre amigos ou conhecidos. Os que formulam estas opiniões fazem globalmente duas afirmações: os anteriores governos de direita conseguiram pôr gente deles à frente das televisões; na sua grande maioria, os jornalistas estão à bota do atual presidente da República e querem absolutamente deitar abaixo este governo. Afirmações que muitos reforçam garantindo terem deixado de ler jornais, ouvir rádios e sobretudo de ver telejornais. ...

Uma mão cheia de mistérios

Até me jubilar, vivi toda a minha vida em meios d e  ensino, mesmo antes de entrar para escola primária, por razões de ordem familiar. Portanto, durante 65 anos e até mesmo um pouco mais, a escola, o liceu e a universidade foram o  centro quotidiano da minha vida de criança, de estudante e de docente … Quando vejo as  atuais  excursões escolares turísticas pelo país dos chamados professores que duram há longos, longos meses, e vejo o lamentável espetáculo que propõem às televisões (…e a que estas prestam sempre especial atenção),  fico perplexo.   Como é possível que gente encarregada da formação dos jovens, da preparação deles para a vida social,  se desconsider e a este ponto  e nos  ofereça tão  lamentável imagem dela própria ? Mas interrogo-me também sobre a questão de saber como é possível que profissionais que têm por missão transmitir saberes e levar os jovens a refletir e a adotar uma atitude crítica perante a vida, se entreguem ...

Jornalismo responsável: precisa-se!

Quando é que os média deste país deixarão de canalizar todas as "bocas" que manda ao longo dos dias o  mandatário político atualmente instalado em  Belém? E quando é que deixarão mesmo de solicitá-lo  constantemente , estendo-lhe micros e câmaras, para que ele se pronuncie sobre os assuntos mais diversos e mesmo mais inverosímeis? Quando é que os jornalistas deste país compreenderão que, na medida mesmo em que o dito  mandatário político  é manifestamente um desbocado (incapaz  de observar o  dever de reserva que a função que teoricamente ocupa  supõe ), boa parte do que diz não tem consistência absolutamente nenhuma e não deveria ,  desde logo ,  ser levado sequer ao conhecimento dos cidadãos? É verdade que isso permite aos jornalistas , sem grande esforço,  encher facilmente espaço e tempo de edição do seus média . Mas por onde anda então a função social do jornalismo numa sociedade democrática? Ou será que agora esta função consi...

Uma obsessão suicidária

Nos países por onde andei, estudei e trabalhei, e de continuo a seguir diariamente os média, há uma constante que nunca fui capaz de compreender. Ou melhor: apesar de uma das minhas formações ser nessa área académica, nunca fui capaz de compreender tal tática ou estratégia política. De facto, nunca fui sobretudo capaz de compreender politicamente que formações de esquerda radical ou de extrema esquerda, nas declarações dos seus dirigentes, nas entrevistas e nas análises nos média, nas intervenções nos parlamentos (quando lá têm representantes), tenham como preocupação obsessiva permanente atacar antes do mais as outras componentes da esquerda. E sobretudo atacar aquela que, em termos eleitorais e também, quase sempre, em termos sociais e sindicais, é a principal componente da esquerda. A razão desta preocupação obsessiva? Porque, segundo essas formações minoritárias, esta principal componente era ou é “revisionista” (termo que passou de moda há já bastante tempo!), ou “social-democrata...

Uma investigação jornalística indispensável

    Na atualidade agitada e omnipresente destes últimos dias (em todos os géneros de média), há um ponto que é por vezes rapidamente evocado aqui e ali, mas que continua por esclarecer com o devido rigor : • qual é a natureza das relações antigas e atuais do homem do computador com o Bloco de Esquerda ? • qual tem sido a atitude do Bloco de Esquerda nesta atualidade, quer em intervenções dos seus parlamentares na Assembleia da República, quer em declarações dos seus líderes aos média, assim como em comunicações e demais textos eventualmente publicados a este propósito ? Vivemos um momento histórico extremamente problemático e preocupante no que diz respeito ao futuro do Estado de direito e da democracia portuguesa. E, claro está, um momento igualmente determinante no que se refere à posteridade da esquerda em Portugal. Seria pois particularmente importante que um jornal (de preferência um jornal escrito) realizasse uma investigação serena, aprofundada e rigorosa, sem a priori,...

Deixem-me fazer uma confissão

Não tenho por hábito falar de mim, nem nos textos nem as fotos que ponho com bastante regularidade no Facebook. Deixem-me porém fazer hoje uma exceção… Desde os meus 10-11 anos de idade que a informação de atualidade me seduz. A informação na rádio e nos jornais primeiro, e depois mais tarde em televisão. Miúdo, fazia jornais em casa e comecei a escrever em verdadeiros jornais aos 15 anos. No exílio, a minha primeira das duas formações académicas foi na área da informação e da comunicação. Foi nesta área que depois fui investigador e docente durante 41 anos em três países europeus diferentes. E é nessa área que tenho publicado centenas de artigos e uma dezena de livros (em francês e em português) como autor único. Desde que resido em Portugal, já lá vão 11 anos, tenho tido momentos de curta duração em que, em matéria de televisão, me tenho limitado a ver os títulos inicias dos telejornais (…quando há títulos !), tão escabroso me parece em geral o tratamento da atualidade que é o deles....