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Entrevista no semanário "O Interior"

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J.-M. Nobre-Correia   “Os média portugueses estão num ponto em que têm que ser tomadas medidas de fundo urgentes” O seu novo livro, "M é dia e Jornalismo em Portugal"   (Edições Almedina) , traça um cenário negro para a comunicação social portuguesa.  Qual é o estado atual dos m é dia em Portugal? Eu faço fundamentalmente algumas constatações: há em Portugal pouquíssimos diários e semanários de informação geral de âmbito nacional; a imprensa, a rádio e a televisão “nacionais” estão todas localizadas em Lisboa e um pouco no Porto, os diários sendo publicados quase unicamente na faixa costeira entre Braga e Lisboa (para além da Madeira e dos Açores); a informação jornalística está centrada antes do mais no microcosmo lisboeta, pondo o acento na partidarice política, nos “faits divers” e no futebol, sendo a informação sobre “a província” rara; esta informação sobre “a província”, assim como sobre o estrangeiro, é aliás largamente desprovida de pluralismo, tendo antes do mais...

Chegou o meu novo livro !…

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 O  meu novo livro, Média e Jornalismo em Portugal , chega esta quinta-feira 7 às livrarias. Trata-se de uma abordagem dos média e da informação em Portugal pelo cidadão estrangeirado-retornado que sou, que não posso nem quero deixar de ter, regressado ao país de origem mais de 45 anos depois de ter partido para o exílio e de lá ter feito carreira na área precisamente dos média e da informação… Trata-se do meu quinto livro em português  como autor único,  que se vem juntar aos nove em francês …e aos 28 como co-autor em diversas línguas. Estou convencido que este livro terá dois destinos prováveis : ou, como dizem os francófonos, será "posto no cemitério" (ignorando voluntariamente os média o livro que acaba de ser publicado) ou será objeto de ferozes críticas (os jornalistas não suportando que a prática profissional deles seja criticada, eles que tudo e todos se autorizam naturalmente criticar, sobretudo se as críticas vierem de um académico)… No entanto, todos os re...

Enquanto vamos esperando…"

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Um livro em que a história da imprensa, da rádio e da televisão portuguesas é devidamente inserida na das suas congéneres dos países europeus mais próximos geográfica e culturalmente…

O meu novo livro

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Como já tinha dito em intervenções minhas no Facebook, o meu novo livro vem finalmente a lume e chega por estes dias às livrarias. Trata-se de uma abordagem dos média e da informação em Portugal pelo cidadão estrangeirado-retornado que sou, que não posso nem quero deixar de ter, regressado ao país de origem mais de 45 anos depois de ter partido para o exílio e de lá ter feito carreira na área precisamente dos média e da informação… Trata-se do meu quinto livro em português  como autor único,  que se vem juntar aos nove em francês …e aos 28 como co-autor em diversas línguas. Estou convencido que este livro terá dois destinos prováveis : ou, como dizem os francófonos, será "posto no cemitério" (ignorando voluntariamente os média o livro que acaba de ser publicado) ou será objeto de ferozes críticas (os jornalistas não suportando que a prática profissional deles seja criticada, eles que tudo e todos se autorizam criticar, sobretudo se as críticas vierem de um académico)...

Inquietante desertificação acelerada

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J.-M. Nobre-Correia Lentamente, a imprensa escrita vai perdendo leitores e desaparecendo. Perante uma espantosa indiferença dos meios dirigentes… Fala-se muito de política quando se evoca a situação da imprensa em Portugal: a erosão das tiragens seria consequência de opções ideológicas das publicações. Raramente se evocam as condições económicas de exercício desta indústria singular. Pouco se diz dos meios humanos de que dispõem as empresas para a produção e a gestão das publicações. E a digitalização como a internet são citadas sobretudo pelos aspetos negativos que tiveram na crise atual. Ora, a primeira constatação que salta aos olhos no que se refere à imprensa em Portugal é que ela tem índices de consumo baixíssimos, os mais baixos mesmo de toda a Europa ocidental. Consequência de uma situação histórica decorrente de altos e duradouros níveis de analfabetismo; de comunicações difíceis das duas principais cidades onde se editavam jornais com o resto do país; da totalmente insatisfat...

Saber cantar o seu país…

J.-M. Nobre-Correia O falecimento de Toto Cutugno surpreende-me e entristece-me. Pura coincidência: ainda ontem ouvi algumas das suas célebres canções, ignorando porém que ele se encontrava hospitalizado e nos seus últimos momentos de vida. Cutugno foi um formidável cantautor, compositor, autor de textos de canções e até um animador de programas de divertimento televisivo (lembro-me bem dele quando dirigia “Domenica in” nas tardes de domingo da RAI Uno). Compôs e escreveu para vários cantores franceses e italianos de primeiro plano (gente desconhecida, é certo, num país chamado Portugal que passou tristemente a ser no plano musical uma colónia quase exclusiva do imperialismo anglo-estado-unidense!). A canção mais célebre de Cutugno é certamente “L’Italiano”. Uma melodia que convida ao canto e à dança, e um maravilhoso texto descritivo da sociedade italiana, do seu funcionamento, dos seus hábitos e de …un partigiano come presidente. E até mesmo, para além da Península, da própria socied...

Que d’étranges sentiments…

J.-M. Nobre-Correia Me voilà éprouvant des sentiments étranges et singulièrement contradictoires probablement… Je viens d’apprendre le décès du général responsable de la reconstruction de la cathédrale de Notre-Dame, à Paris, après son incendie de 2019. Et j’éprouve très étrangement un sentiment d’émotion. Alors que je ne connaissais pas l’homme. Que je suis clairement antimilitariste et tout aussi clairement agnostique et anti-calotin. Pourtant, je dois avouer que, quand je passais par Paris (ce qui m’est arrivé des dizaines de fois, y ayant même donné cours pendant dix ans), je visitais souvent Notre-Dame. Par la beauté de son architecture et de ses vitraux. Par le silence et le sentiment de paix qu’on y respire, alors même que c’est l’ébullition qui règne tout autour dans Île de la Cité. Que l’homme qui dirigeait sa reconstruction de main de maître disparaisse à 74 ans, lors d’une randonnée en solitaire dans les Pyrénées, m’émeut. Car, tragiquement, il ne verra pas la conclusion de ...