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Superar uma debilidade congénita

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J.-M. Nobre-Correia Seria um engodo resolver a crise atual de um grupo, sem adotar medidas de fundo capazes de relançar o pluralismo da imprensa… De repente, jornalistas e políticos dão-se conta que a imprensa em Portugal se encontra em crise! Como se os sinais de crise não datassem logo dos primeiros anos após o 25 de Abril. Para não ir mais longe e ver na situação da imprensa um subdesenvolvimento histórico que a autoestima corporativista dos jornalistas preferia não ver e que dava muito jeito a políticos que não tinham assim que dar satisfações aos cidadãos. E claro, descoberta agora a crise, aparecem logo, à boa maneira nacional, uma série de tudólogos espontaneamente competentes em matéria de média… Ora, a crise tem razões históricas longínquas que fizeram que a imprensa nunca tenha tido em Portugal um desenvolvimento à altura da dimensão demográfica e geográfica do país. Porque o analfabetismo foi sempre bastante elevado. Porque o poder de compra da maior parte dos cidadãos foi r...

Quinze anos de um combate inglório

J.-M. Nobre-Correia Como vejo pouco a televisão portuguesa, só ontem à noite fui alertado para o magazine "É ou não é" da RTP 1 sob o tema "A crise do jornalismo". Vi ontem à noite a primeira parte e esta manhã a segunda parte (depois da interrupção publicitária, o que é legalmente proibido fazer em diferentes países da Europa na s  emissões de informação). Embora tenham sido feitas algumas propostas concretas, que deveriam ser devidamente estudadas, foi pena que, boa parte das vezes, o debate tenha caído em intervenções sem conteúdo preciso e especializado… Deixem-me então recordar aqui que • em setembro de 2007 — vivia eu então em Bruxelas há 40 anos — tomei a iniciativa de redigir um longo relatório intitulado "Para uma informação regional em Portugal" que enderecei a diversas instituições e personalidades ligadas ao meio mediático português. Daí resultaram apenas dois encontros : um com a direção do Gabinete para os Meios de Comunicação Social e outro ...

Estes nossos telejornais tão invejados

J.-M. Nobre-Correia Estava a começar o jornal da televisão pública belga francófona (RTBF) quando vi que o assunto dos aviões no aeroporto de Tóquio era para aí o quinto título do sumário. Depois, a assunto apareceu só aos 17 minutos do jornal e foi tratado em breves segundos.  Disse eu à A.: queres apostar que o assunto será a abertura dos jornais das três televisões generalistas portuguesas?! E vais ver: depois de longos minutos sobre esta história de aviões, vamos ter direito às ações diárias das corporações de médicos e de enfermeiros em favor das clínicas e hospitais privados. Ou então à homilia de ontem do golpista incontinente de Belém. Qual será o segundo assunto e o terceiro? Disso não estou certo, mas será um destes dois, seguido do outro. Prognostiquei também que o assunto japonês seria tratado pelas nossas queridas televisões durante longos, longos minutos… Só é pena que eu não seja tão perspicaz com o Euromilhões (que muito rarissimamente compro) como a adivinhar os me...

Uma opção que é sempre um erro

  J.-M. Nobre-Correia Pode um jornal que se quer   “ de referência ”, como o  Diário de Notícias ,  considerar que a demissão das direções de outros diários , como o  Jornal de Notícias  e  O Jogo ,  não é acontecimento suficientemente importante (num país que conta tão poucos diários) para ser noticiada na s suas  ediçõ es  em papel  e  em linha? E o facto destes mesmos diários fazerem parte do mesmo grupo que o próprio   Diário de Notícias   será suficiente para explicar esta ausência   do assunto? É que tal conceção editorial  levará  certamente boa parte d os seus leitores a sentirem-se insuficientemente informados e a procurarem informar-se em média concorrentes . O que não constitui nunca uma opção positiva em termos de estratégia comercial como de reforço da ligação de confiança do leitorado com “o seu” jornal…  

Como é possível?!

J.-M. Nobre-Correia Como é possível que a direção da informação da RTP tenha ousado pôr um José Rodrigues dos Santos, personagem altamente tendencioso em toda a informação que trata, a entrevistar um candidato ao secretariado geral do Partido Socialista e potencial primeiro-ministro ?! Basta ver os assuntos com que aborda inicialmente a entrevista. Por enquanto (às 20h45) nada, absolutamente nada, diz respeito ao futuro do partido e do governo. Nada sobre projetos para o futuro ! À s  20h46 evoca então o futuro. Mas uma vez mais o que lhe interessa é saber o que se passará em termos de alianças com outros partidos ! E mais concretamente se se vai aliar com os papões BE e PCP ! Assim a atitude do entrevistado perante os casos atualmente em justiça referente a personagens do PS. Como é que a pública RTP não tem VERGONHA, vergonha, de deixar este indivíduo cheio de tiques de toda a ordem apresentar um telejornal e entrevistar um homem político, seja ele qual for ? E como é que os home...

Reequacionar a abordagem

J.-M. Nobre-Correia Captar o burburinho do mundo de outro modo, explorar o potencial de novas ferramentas e escrever numa linguagem capaz de seduzir novas gerações… Um dos “grandes” grupos de média portugueses foi objeto de importantes alterações na propriedade do capital. Pelo que a composição do seu conselho de administração foi modificada. E os novos responsáveis acharam por bem proceder rapidamente a um “despedimento coletivo” de 150 trabalhadores, iniciativa que tem tido numerosos antecedentes no mundo dos média, e mais particularmente da imprensa escrita, por essa Europa fora. Para esta maneira de proceder é dada quase sempre a mesma justificação: a crise económica dos média. Crise para a qual são avançadas explicações conhecidas: proliferação do sector audiovisual a partir dos anos 1970, com a inevitável fragmentação das receitas entre numerosos atores; crise dos investimentos publicitários, consequência de movimentos de fundo que alteraram fortemente a partilha entre imprensa e...

Como explicar esta indiferença?

J.-M. Nobre-Correia O Global Media quer despedir 150 a 200 trabalhadores. Pondo assim em questão o futuro do  Diário de Notícias , do  Jornal de Notícias  e da  TSF … Ontem o  Jornal de Notícias , do Porto, não foi publicado. O seu pessoal estava em greve e desfilou pelas ruas da cidade. Uma cidade “apática, indiferente, distante”, a acreditar no texto publicado no Facebook por um jornalista de reconhecidos méritos que acrescentava: “ Que Porto é este que se incendeia pelos desentendimentos da bola e não sai à rua pela defesa do  JN , enquanto é tempo? ” Esta interrogação circunstancial tem de facto uma dimensão bem mais larga. O que leva as gentes da cidade e da região portuense a deixarem morrer  O Comércio do Porto  e  O Primeiro de Janeiro , e a nem sequer sair agora à rua em apoio ao  Jornal de Notícias , o último diário generalista a ser ainda publicado no Porto? Poderá a segunda maior cidade do país, a autointitulada “capital do N...